O Freak Market acompanhou o DJ Paulo Tessuto durante sua produção para ficar com visual feminino

Quem vai pela primeira vez a festa Paulo Tessuto, mentor do projeto que há cinco anos toma as ruas e picos undergrounds de São Paulo. Atrás das pick-ups, encontramos uma loira de quase dois metros de altura que dedilha os toca-discos com longas unhas vermelhas. Prazer, eis Paulo Tessuto – devidamente caracterizado.

A ideia de discotecar vestido de mulher – no caso, de noiva – surgiu durante a edição batizada de “Despedida de Solteiro“, feita em 2014 na ocupação do antigo Cine Marrocos, no centro velho da cidade.

“As pessoas adoraram a produção e eu também, depois disso eu não parei mais”, conta o DJ, que encabeça hoje uma das festas que mais reúne pessoas com looks inusitados em clima hedonista. “As mulheres são fortes, lindas e devem ser tão respeitadas quanto os homens, assim como as drags, transexuais e gays. Quero que as pessoas vejam a importância de aceitar e entender as diferenças. Fodam-se os padrões. São muitas mensagens”, disparou o DJ, ao ser questionado sobre qual mensagem pretende passar às pessoas vestido dessa forma.

Para embalar esse caldeirão da diversidade que é a noitada do Capslock, batidas de techno dilapidadas por DJs como Fractal Mood, L_cio, Paco Talocchi e até gringos que já deram pinta no rolê, como  Pachanga Boys, Alexander Robotnick, San Proper, e outros.

Calos Capslock e Namorada

O Freak Market foi acompanhar de perto como é a transformação do DJ em seu alter ego feminino.  É sábado à noite. Ainda faltam quatro horas para a Capslock acontecer num prédio abandonado na região do Bom Retiro. Uma pilha de roupas para lá de excêntrica está separada na cama de um dos quartos do Paulo Tessuto: calcinha, vestido, corpete, correntes, uma bota de salto altíssimo de vinil de cano alto – tudo delicadamente escolhido pela performer Ronalda Bi, lendária figura do underground paulistano que chama a atenção há décadas como modelo para fotos conceituais sobre beleza e personagens da noite.

É tudo milimetricamente pensado para o DJ causar no look. O primeiro passo é caprichar na hora de fazer a barba e dar um tapa na raspagem do cabelo. Toda a produção demora cerca de três horas ou mais, pois, enquanto se arruma, Tessuto aproveita para ouvir as músicas que tocará na noite, atender telefonemas da organização e ainda dividir as atenções com amigos que fazem um esquenta na casa.

Alguns minutos depois, chega o maior responsável por toda essa magia da montação acontecer, o maquiador carioca Marcelo Sath. Com décadas de experiência no ramo da beleza, Sath é maquiador profissional especializado em maquiagem publicitária e de cinema. No seu currículo, estão trabalhos com fotógrafos como Mauricio Nahas, Priscila Prade e outros, com destaque para o premiado livro “Albinos”, de Gustavo Lacerda, em que Sath encarou o desafio de maquiar pessoas albinas pela primeira vez na vida.

 

 

“Eu sou maquiador profissional, mas meu hobby é ser bailarino”, brinca Sath, que adora acompanhar DJs e dançar muito nas festas de musica eletrônica do mundinho underground, no qual ele se diverte desde os anos 1980 maquiando hostesses, performers e outras figuras da noite.

Em relação ao impacto que causa ao sair na rua vestido de mulher, Tessuto conta que as reações são diversas: “No geral, rola uma admiração com misto de tesão. Muitos ficam confusos e não me reconhecem”. Além do visual feminino, o DJ chama a atenção pelos looks criativos que usa diariamente, misturando peças de brechós, roupas que ganha de amigos ou de marcas como BEMLIXO e Fabio Kawallys.

Marcelo Sath

O visual do DJ é tão original e cheio de personalidade que lhe rendeu um convite para participar do desfile de inverno da marca Amapô, na última edição do SPFW, um dos mais comentados do evento. “Fiquei super nervoso, nunca tinha feito nada como modelo. Mas depois gostei do resultado, foi muito legal”, conta.

Ficou curioso para saber como é a montação do Capslock? Confira o vídeo feito pelo Freak Market. As imagens da festa foram feitas pela 142 Films.

 

 

(Na foto que abre a reportagem, o DJ Paulo Tessuto aka Carlos Capslock. Créditos: Helena Yoshioka/I Hate Flash)