Desde muito nova Letícia Ferroni gostava de pesquisar músicas e sons diferentes. Cresceu ouvindo todo tipo de estilo musical graças ao gosto nada convencional de sua mãe.

 
Em meados de 2011, influenciada por amigas que discotecavam, Letícia começou a frequentar festas do circuito alternativo e a se interessar pela profissão DJ. Em 2013 sua carreira começou de sopetão ganhando um concurso de uma escola de DJs e abrindo o show da estrela pop Sky Ferreira. Aí virou uma paixão que a acompanha até hoje.
 
Com gosto variado, Letícia tem próximo ao coração artistas como Caetano Veloso, The Smiths, Radiohead, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Alt J, Gal Costa, The Police, New Order, Air, Novos Baianos... e por aí segue. 
 
Batemos um papo descontraído acompanhado de um set surpreendente focado em pesquisa musical de sons de nosso Brasil.
 

Me fala das festas que você toca com frequencia, das que tem residência e as que produz.

Hoje eu estou como residente em uma festa de música brasileira chamada Tereza, que rola lá no Espaço Desmanche. Toco com frequência na Eu vou Chamar o Síndico e, as vezes, na Keep Rock que rola na D-Edge também. Esse mês toco pela primeira vez em outra festa chamada Piranha, estou bem ansiosa! Comecei também um projetinho pessoal esse ano junto com o Valter Lemos, parceiro de festa e de vida. A gente começou a Bailão de Dois, e nessa festa a ideia é tocar brasilidades e latinidades em geral, bem despretensiosamente. Fizemos a primeira edição em Janeiro no Sobrado, foi bem gostoso. E em março rolou por lá também pela segunda vez.
 

O que tem achado da vida de DJ? O que mudou e melhorou nesse curto tempo de carreira?

Virar DJ foi algo completamente inesperado, mas uma surpresa muito boa. Tenho muita coisa pra aprender ainda, mas tem sido uma caminhada legal. Hoje também vejo as festas pelo lado de quem produz, sei do trampo e a responsabilidade que é estar do outro lado, por isso me esforço pra fazer um set de qualidade pra quem está na pista.
 

Das vezes em que discotecou, qual foi a situação ou pista mais difícil que enfrentou?

Acho que foi a primeira vez que toquei. Era um evento grande, nunca tinha tocado antes na vida e a primeira vez foi abrindo o show de uma artista internacional. Fiquei mega nervosa, insegura com as músicas, morrendo de medo de errar. Mas tive bastante amparo do pessoal da Beatmasters e no fim deu tudo certo. 
 

Seu debut foi ocorreu na abertura do show da cantora indie pop Sky Ferreira, conte mais sobre essa aventura.

Pois é, foi bastante surreal na verdade! Eu já conhecia a escola Beatmasters através de alguns amigos que fizeram cursos lá, aí comecei a seguir a página deles. Um dia vi um post sobre essa promoção da escola junto com a NME, quem ganhasse teria o curso básico de DJ e abriria esse show. Tinha que enviar uma playlist com 10 músicas e a melhor seria a ganhadora. Eu enviei muito na brincadeira, sem pretensão nenhuma de ganhar, então quando o pessoal da NME me ligou foi um choque bem grande (risos). Acabei começando o curso já bem próximo da data do show, então foi uma correria pra fazer todas as aulas, montar set, treinar. Mas com um pouquinho de sorte e bastante esforço deu tudo certo. No dia deu aquela dor de barriga, mas depois que comecei a tocar meio que tudo fluiu, foi uma experiência muito legal. 
 

Quando você começou a sair já tinha contato com música brasileira ou teve outras fases até chegar a fundo nela?

Sempre gostei de música brasileira, mas no começo não frequentava muitos roles voltados pra isso, até por não saber de muitas festas que tocassem. Ouvia em casa, mas as baladas que eu ia acabavam sendo sempre mais voltadas pro indie/rock. As primeiras vezes que toquei foram com sets de indie, tocava bastante na Funhouse e no Alberta. Depois de um tempo um amigo me chamou para tocar na Tereza, foi meu primeiro set de música brasileira. Acabou que me apaixonei pela possibilidade de tocar brasilidades no role, fui me aprofundando nesse estilo e hoje a maior parte das festas que toco são voltadas pra música brasileira. Foi onde eu realmente me encontrei como DJ, me divirto muito tocando.
 

Nos fale do mix que você preparou pra gente? Em que ocasião você recomenda ouvir?

Resolvi fazer um mix com as favoritinhas que tenho tocado mais recentemente. Vai das clássicas tipo Caetano a artistas que descobri a menos tempo, como o Felipe Cordeiro (amo). Deixei o set bem “reboloso”,  pra ouvir antes de ir pro rolê ou quem sabe quando for dar aquela faxina, hahaha. Garantia de animação e sucesso!