Com o DNA artístico correndo em sua corrente sanguínea, Barbara Ohana expressa suas ideias e sentimentos num vaudeville musical em que amor, festa e emoção mixam com seu carisma ao vivo.

 
A vocação para ser cantora surgiu na infância e amadureceu em uma temporada morando no sul dos Estados Unidos no interior da Louisiana, terra do jazz e blues. 
 
Voltando ao Brasil continuou a compor e deu as caras cantando no circuito de bares e festivais no Rio de Janeiro. Seu nome foi fortalecendo até chegar o momento de se expressar em gigs solos com material autoral e aparecer em interessantes colaborações com nomes respeitados da nova cena nacional.
 
Além do comentado clipe estrelado pelo ator Cauã Reymond, Ohana tem faixa nova com seu projeto The O´Hearts, formado pelo produtor Pedrowl e o incansável Adriano Cintra (ex-CSS, Thee Butcher´s Orchestra e também do, já clássico alternativo, Pin Ups). E sempre está fazendo shows e festas pelo nosso escaldante país. É só ficar ligado e não perder.
 

 

Como você começou sua carreira e quais foram suas influências? Antes de ser cantora você tinha outro sonho?

Comecei a cantar com nove anos, no Coral Dos Canarinhos de Petrópolis. Cantava aos domingos na igreja. Em casa, ouvíamos jazz e blues. Sempre fui apaixonada pelo rádio e pela MTV, e acho que essas misturas malucas são as minhas influências. 
 
Adolescente, passei uma temporada no interior da Louisiana (EUA), próximo a New Orleans, onde comecei a compor. Nunca tive outro sonho profissional. Meu sonho sempre foi esse.
 

Quando você percebeu que queria seguir sua carreira atual e como foram as primeiras experiências ao vivo? 

Ainda na Louisiana atuei num musical e, ao retornar ao Brasil, poucos dias depois assistindo a uma banda de jazz em Búzios, pedi pra cantar um tema. Eles deixaram e na mesma noite me convidaram pra entrar na banda. Eu tinha dezessete anos. Apresentei-me em muitos bares e alguns festivais. 
 
Só aos 25 resolvi lançar minha carreira como compositora, fiz isso ao vivo. Montei uma banda e comecei a fazer pequenas temporadas. Acreditei no convívio com o público, e isso me fez criar um disco e um repertório. Atualmente também licencio músicas pra projetos audiovisuais e escrevo pra outros artistas.
 

A seu ver, como anda a cena musical no Brasil? Ainda rola muito bairrismo de vertentes musicais ou rola colaboração de algumas partes?

Quero ser otimista e pensar que podemos mudar esse quadro difícil que é ser um artista no Brasil. Mas essa mudança, a meu ver, só pode acontecer com a transformação de valores internos e com amor. Não é fazendo casa de show e nem montando festivais. Criando colaborações sem uma mudança interna. Sinto que além do bairrismo, a questão envolve o autoconhecimento. Todos nós precisamos criar meios de expressão que não se alimentem do passado e que não busquem fórmulas de mercado funcionais no presente. Precisamos de futuro. Todos nós.
 

Por que a opção de cantar em inglês? Quais as inspirações para suas canções?

Canto em inglês porque escrevo mais em inglês. Foi algo que aconteceu naturalmente enquanto morei aqui nos EUA pela primeira vez. Minha inspiração pode ser qualquer coisa. Tendo a escrever sobre o amor e pontos de vista. Critico os meus próprios sentimentos e adoro dar a essa briga com meu coração, melodias pop. Isso é o que amo fazer.
 

"Your Armies" tem um belo clipe e uma mensagem urgente de liberdade independente de gênero. Você acha que o Brasil está regredindo devido ao aumento de casos de violência contra trans e homossexuais nos últimos tempos?

Obrigada, fico feliz em saber que gostou! Essa violência sempre existiu. A violência é constante. É necessária uma revisão total, uma reeducação completa sobre respeito na nossa sociedade. Talvez os casos tenham mais visibilidade devido à internet.  Fere-me muito ver que muitas pessoas apoiem políticos que promovem o retrocesso dessa educação. Isso é muito grave.
 

 

Ah, como rolou de formar o O´Hearts e como tem sido os shows e recepção do público?

O O’Hearts é um projeto que começou no palco. Pedrowl e Adriano Cintra são da minha banda solo. Dentro dos nossos ensaios começamos a compor e decidimos criar uma banda. Viajamos pra Búzios e pro Rio pra compor e em breve lançaremos um disco. Estamos começando a fazer festas. Tocamos e pegamos o microfone no meio da festa, em diversos momentos. É como receber o público em casa. Todo mundo fica feliz e dançando. O´ Hearts é isso. Festa.
 

Se você fosse uma heroína de filme, quadrinhos ou histórica, quem você gostaria de ser e por quê?

Não acredito em querer ser alguém que não sou. Não me atrai essa ideia... acho perigosa. 
 

Quais mulheres foda não podemos deixar de ouvir em 2017?

Cashu (Freaky Beats #16). Assisti ao vivo e fiquei encantada.
 

O que você gosta de vestir? Qual seu estilo favorito e você costuma seguir alguma tendência quando se identifica?

Amo calça jeans e camiseta e também sou apaixonado por alta costura. Mas eu não tenho um estilo favorito. Sou cada hora uma pessoa no que diz respeito à moda. Acho que a moda expressa momentos e sentimentos. Minha única regra é que a roupa não ocupe mais espaço do que deve.