Checho Gonzalesz entrou na lista dos Chefs mais respeitados no Brasil e sua especialidade em pratos picantes e temperados da cozinha latina o fizeram referência no assunto.

Em 1986, Checho começou no ambiente gastronômico  por consequência da vida. Começou num restaurante como caixa, passou pelo salão, bar, até entender que seu negócio era mesmo a cozinha.
 
Na fervida SP da década de 90 teve um inferninho chamado The Jungle, frequentado por figuras do underground e foi importante na história noturna da cidade. Depois comandou o restaurante Brancaleone e em seguida trabalhou com o Alex Atala no saudoso Na Mesa e no premiado D.O.M. 
 
No Rio de Janeiro teve sua primeira chefia no restaurante Zaza, mas era na culinária latina que estava seu coração. “Foi o chamado genético, um amor de toda a vida, é só olhar pra mim que se entende a minha escolha...” diz o Chef.
 
À frente da Comedoria Gonzales e outros projetos que matam nossa fome, Checho é pau pra toda obra e odeia ficar parado. Num dos seus raros descansos consegui bater um papo com ele:
 

O que você gosta de ouvir quando está cozinhando? Tem algum estilo que você gosta mais?

Sempre punk Rock, óbvio que sou eclético. Na cozinha escutamos de tudo, mas na hora do serviço preciso de algo pulsante para incentivar a equipe.
 

Qual estilo musical você não gosta de jeito nenhum? Qual seria a música que te daria uma indigestão?

Muita coisa, o pop atual me irrita, seja ele na forma que for... Creio que virei um reacionário.
 

Antes de ser chef, ouvi falar que você trabalhou numa loja de discos. Como foi a experiência?

Na juventude achei que seria músico então o mais natural foi me aproximar. Trabalhei em várias lojas de discos por muito anos, aliás ajudei a cena alternativa por muito tempo, sempre com lançamentos. A informação valia ouro na década de 80. 
 

Você abraçou algum movimento da década de 80/90 como gótico, punk, rockabilly, grunge ou indie? Por que hoje em dia os grupos de jovens que se identificam sonoro/cultural são tão raros?

Sim, como todo jovem abracei o que aparecia pela frente. Jovens gostam de novidades, estilos são datados, coisa de velho... não existe renovação, um novo movimento algo que incentive.
 

Em tempos de crise, que dica você daria para novos chefs? Food Trucks tiveram seu apogeu e agora as hamburguerias tomaram de assalto o paladar dos moradores das grandes metrópoles. Quão arriscado é embarcar numa moda?

Em tempos de crise dou uma dica: trabalhe!
 
Os caminhões de comida que deveriam ser uma alternativa econômica foram um refúgio pro cozinheiro mimado, o cozinheiro preguiçoso, o cozinheiro bunda-mole. Foi um tiro no pé! Óbvio que tem alguns que fazem um trabalho honesto, verdadeiro, até cito o pessoal do "Buzina food truck" que são fenomenais (deixo claro que tem mais uns 5 bons nomes no máximo), mas o resto foi completamente inconsistente. 
 
O mesmo deve acontecer com as hamburguerias, o mercado está cheio de aventureiros devido ao status da profissão, mas cozinheiros de verdade são raros. Nossa profissão é 99% empírica, somente horas no fogão dão uma boa base, não adianta querer queimar etapas.
 

Quais são seus chefs favoritos de hoje e sempre?

Mudo muito, depende do meu humor, frequento quando possível o "Jiquitaia" do Marcelo Bastos, o "Capivara" do Rodrigo Felicio, a "Casa do Porco" do Jefferson Rueda, o "Conceição discos" da Talitha Barros... Vixe, tem muitos! Melhor parar. Mais fácil te dizer os que não frequento (risos).
 

Se você fosse um prato, qual seria? Um bem sofisticado ou um bem forte e apimentado?

Pergunta bem esquisita mas tentarei entrar no clima. Seria algo bem básico, do dia a dia...