Mesmo que você não conheça Nova York, a quantidade de livros, filmes, séries e músicas que orbitam em volta da cidade é tão grande que fica fácil fazer um retrato mental de como esta imensa metrópole deve ser. E se você já esteve lá, sabe bem que ela transpira cultura por todos os poros.

Mas a grande questão é: Nova York ainda é a meca da cultura pop? Ela ainda é referência quando se fala em ditar tendências, em apontar caminhos? A resposta fácil e seca é sim, ela ainda é relevante. Mesmo que nada de muito importante tenha saído de lá nos últimos tempos - com algumas exceções, é claro - a vibe da cidade ainda inspira muita gente e é usada como modelo e aponta o norte a ser seguido por quem cria tendências mundiais. 


A ponte do Brooklyn visto do D.U.M.B.O. (foto: @tavapassando)

É inegável que tudo que faz diferença no mundo pop passa por Nova York. É ali que tudo é avaliado, validado e carimbado como moda, como tendência. Mesmo que não tenha nascido na cidade, o filme da moda, a música mais tocada, o livro que todo mundo está lendo ou a exposição com maiores filas tem que passar pela cidade americana e ser testada e consumida por seu habitantes. A partir do momento em que determinado assunto reverbera em Nova York, pode ter certeza que se tornará hit mundial. Exemplos não faltam, indo do jazz à folk music, passando por Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat, o hip-hop e a disco music, os Beastie Boys e o Kiss, o Veltet Underground e o Ramones, para ficarmos somente em movimentos, bandas e pessoas contemporâneas. 

Nova York recebe anualmente mais de 12 milhões de turistas e mais um tanto de migrantes e imigrantes, fazendo dela um caldeirão de culturas, estilos e comportamentos. Andando pelas ruas é bem fácil perceber a mistura de povos, de línguas e hábitos, por vezes com redutos específicos. Enquanto o Brooklyn continua sendo a parte da cidade com maior quantidade de hipster, lojinhas bacanas, café e sorveterias da moda (em especial as regiões de Greenpoint e D.U.M.B.O.), o local que mais tem fervido atualmente é o Lower East Side, também chamado de LES. Antigamente um bairro dominado pela classe operária, ela rapidamente se converteu para um bairro de luxo, graças a sua proximidade com o Brooklyn e a queda dos preços dos imóveis, aumentando a especulação imobiliária. O Harlem permance com forte influência latina que se alastra por toda a cidade, dado quantidade de baladas que tocam reggaeton, talvez o ritmo que domina a cidade hoje em dia. 

Greenpoint (foto: @tavapassando)

Na cena da arte contemporânea, uma tendência que tem crescido muito são exposições de fotos publicadas através do Instagram. Estas exposições não são de fotógrafos famosos ou profissionais, mas de pessoas que utilizam o serviço de forma amadora, porém com registros interessantes de pessoas, situações cotidianas ou da paisagem urbana. As galerias mais legais da região do Chelsea estão lotadas de mostras deste tipo de trabalho, como é o caso da Galeria Steven Kasher, que tem usado muito este tipo de fonte para suas exposições. Os museus de arte moderna da cidade também acompanham este fluxo, como o concorido Whitey Museum e sua impressionante coleção de obras de arte americana. 


Os Beastie Boys numa parede do Lower East Side (foto: @tavapassando)

Mas é na rua que podemos perceber claramente a importância cultural de Nova York, principalmente na moda. De dia, basta ficar 10 minutos na região próxima a parte de baixo do Central Park para sacar que o estilo adotado pela galera cool é muito inspirado nos anos 90, com muitos shortinhos curtos de jeans e camisas e blusas mais largas e folgadas. Já de noite a moda é usar peças de roupa camufladas, sejam calças, camisetas ou casacos, com diversas padronagens militares. Camisetas antigas com estampas vintage também são uma constante, usadas em todas as ocasiões, seja casual ou para encarar a balada noturna. E o que nunca sai de moda é o preto, presente em todo e qualquer lugar e cobrindo qualquer parte do corpo. 


Skyline de Nova York, visto do Wythe Hotel (foto: @tavapassando

Por tudo isso podemos considerar que Nova York ainda é importante e define estilos, tendências e modas. A cidade que recebe tanta gente, de lugares tão distintos e com mil referências diferentes, é uma catalisadora de cultura e epicentro do que vai virar trend no futuro. É passeando pelas suas ruas e avenidas que podemos ver de perto essa mistura de formas e gêneros que compõe a paisagem cultural da cidade e, em maior escala, do mundo inteiro.