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Victor Votta

Victor Votta

 
O filósofo espanhol José Ortega y Gasset disse que o valor do ser humano está na sua capacidade de insatisfação. A frase se encaixa com perfeição no tatuador Victor Votta, um cara capaz de transformar a realidade (e tudo o que vem com ela) em pura arte na pele das pessoas. 
 
Sua trajetória de vida é repleta de reviravoltas, mudanças e insatisfação profissional e pessoal – sempre pontuadas pela relação intensa com a criação estética. Da infância mergulhada em rabiscos nas paredes e histórias em quadrinhos no interior paulista à inquietude juvenil que o fez migrar para São Paulo para estudar nos anos 90. A veia artística pulsava forte pela liberdade de invenções, acima de qualquer materialismo ou corporação. Ser artesão, para Victor, é ser um ponto de resistência e de luta contra uma sociedade consumista e egoíca. É também na arte que ele encontra um refúgio, um lugar seguro diante de uma época marcada pela volatilidade e não permanência das coisas e o seu profundo senso de inadequação em relação a tudo isso. 
 
Na universidade, a sede por mudanças, experimentações e rupturas não havia sido saciada e após um período de reconhecimento e experiências, logo se viu inquieto com a conjuntura muito conceitual do mercado de arte contemporânea, muito voltado para as instalações e conceitos e pouco envolvido com o desenvolvimento dos trabalhos, logo se jogou no mercado de criação digital. De estagiário a líder de setor, foi responsável durante muitos anos pela identidade visual corporativa para comerciais de TV, institucionais e mídias interativas da Globotec (agência de conteúdo do conglomerado de comunicação), tendo como clientes produtoras, agências e grandes corporações. 
 
Fundou o Vertigo Studio em 1995 especializado em animações e efeitos especiais para filmes e spots publicitários. Era uma época de florescimento tecnológico, o universo geek despontava e isso transformou profundamente a vida de um garoto fã de Star Wars e de filmes de animação. O amadurecimento foi meteórico: de estagiário a dono de produtora e empresário da comunicação, com uma companhia que cresceu vertiginosamente em apenas dois anos. 
 
Novamente desiludido com a pouca autonomia que a publicidade permitia e com prazos e verbas incompatíveis para se realizar grandes trabalhos de alta complexidade, fora o stress e a cultura de “ultima hora” do meio publicitário, após um período de depressão e ruptura, abandonou tudo em 2000 para retomar sua carreira de artista e artesão. Inspirado pelos seus anti-heróis–alucinados e obcecados com o processo de meter a mão na massa e aperfeiçoar os processos até se atingir um estado de excelência. Nessa época Victor começou a se tatuar e buscar novas experiências psicológicas, sensoriais e transcendentais. Se jogou nos festivais de música eletrônica e experienciou psicodélicos como LSD, MDMA e DMT.  
 
Eis que o experimentalismo foi transformador: desde o princípio, ele soube que queria e poderia fazer da tatuagem seu lifestyle, devido à sua formação de desenhista ao longo da vida. Ficou instantaneamente fascinado pelo poder de ligação do trabalho com as pessoas que vão se tatuar. Tem algo de incrível no poder de não apenas fazer parte do processo de escolha das pessoas em suas buscas por imagens e símbolos, mas também na concretização daqueles desejos de forma eterna em seus corpos.
 
A busca dessa relação entre o homem e seus símbolos o levou até o psiquiatra suíço Carl Jung. Nele encontrou uma ligação com o desejo de as pessoas se tatuarem, motivo intimamente ligado a processos psicológicos presentes naquele momento da vida das pessoas. A materialização desses processos se realiza com símbolos que acabam sendo representados nas tatuagens e as mudanças que elas propiciam no indivíduo e em sua relação com sua aparência após essas transformações tem profundo impacto na vida dessas pessoas. Quando essa leitura é bem feita, se abre um universo fascinante de possibilidades.
 
A partir daí, a busca pela forma de expressão com mais autonomia criativa foi natural. Era um pedido de seu inconsciente, na época, para que pudesse reencontrar a chama que a criação artística havia despertado ao longo da sua trajetória. 
 
Victor não consegue imaginar um trabalho que atenda mais a todas as expectativas que tinha criado quando resolveu viver "off the grid". Pagar o preço desta escolha é desafiador, mas gratificante na mesma medida. Todos os métodos que o levaram a este caminho acabaram por torná-lo quem ele realmente é.
 
Como curador, Victor pretende usar toda sua bagagem e conhecimento da cultura underground, seja em peças de arte, tatuagens e cultura custom, passando por ilustrações, quadrinhos, objetos, instrumentos e toy art. Suas escolhas refletem a vivência com comunidades fora do grande eixo comercial, passando pela tangente do mainstream. Dentro do ambiente criativo do Freak Market, essa vontade será uma realidade.
 
 
 

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