5 movimentos digitais que todos deveriam conhecer :)

A internet vem há anos determinando fases estéticas no universo da arte e design. Alguns grandes movimentos saíram de piadas do Twitter, outros ganharam voz e espaço, extravasando o digital e chegando em grandes mídias de massa como a TV.

Aqui está uma lista com movimentos de arte e design digitais que todos deveriam conhecer:

1- Sea punk

O Sea Punk nasceu de uma piada do twitter e acabou virando um movimento de Design online. 

O movimento surgiu ligado ao gênero musical de mesmo nome, mas logo se desvinculou e acabou mais famoso que o próprio estilo de músicas. 

Neon de turquesa, tons pastel, rosa e roxo, aplicados em web gráfico 1.0, golfinhos 3d, esculturas romanas e nostalgia dos anos 90. Esse é o resumo visual do movimento.

O sea punk foi um dos primeiros movimentos de subculturas online a chegar no mainstream. O estilo unia críticos e adeptos e tomou ampla proporção, chegando no mercado de massa, por demonstrar a versatilidade e uma nova estética a ser explorada.

2 - Vaporwave

O vaporwave pode ser considerado por alguns o sucessor do Sea Punk, mas na verdade, veio como um movimento paralelo com um embasamento muito maior.

A visão desse movimento é mais crítica, com referências ao consumismo e tecnocapitalismo; logotipos corporativos anacrônicos, formatos de mídia mortas, elementos GUI (interface gráfica do utilizador) e grades de perspectiva. A estética kitsch é muito mais consciente e cínica no Vaporwave.

Na música, o estilo se apropria de sons do universo corporativo; elevador e música em espera, pop-up de shoppings e lobbies de escritório, e os transformam em músicas eletrônicas, próximas ao Jazz lounge.

Processos tecnossociais do capitalismo são acelerados e expandidos pelo movimento Vaporwave. O movimento é uma caricatura do corporativismo e se aproveita esteticamente da nostalgia dos anos 90 para isso e busca uma mudança social radical, como uma versão online contemporânea do punk.

3- Softness as a Weapon

“Suavidade radical como arma”

Lora Mathis

“Suavidade radical como arma” é o conceito explorado por Lora Mathis. Em sua obra existe uma atenção ao micropolítico dentro dos círculos ativistas radicais. “A suavidade radical é a ideia de que compartilhar suas emoções sem pedir desculpas é um movimento político e uma maneira de combater a ideia social de que sentimentos são um sinal de fraqueza.” - Lora Mathis, entrevistada pela revista Hooligan 2017.

Com o objetivo de desconstruir a lógica binária patriarcal, esse movimento feminista traz a subversão de estereótipos e contrastes de gênero através de metáforas. 

Softness as a Weapon subverte o binarismo das cores rosa e azul e misturam elementos violentos com o universo “suave”,“bonito” e “superficial” ligado midiaticamente ao feminino. A modelo Arvida Byström segue esse conceito em suas obras, usa cores pastel para explorar os paradigmas de gênero, ligando as obras ao universo da moda e desafiando as expressões normativas femininas.

4- Trap music e os Soundcloud Rappers

A “cultura xnax”, um remédio ansiolítico com efeitos similares a drogas recreativas, repercutiu criando um novo psicodélico influenciando a cena musical e fazendo parte do Emo Rap e seus SoundCloud Rappers, artistas que criam e divulgam suas músicas online em plataformas livres. 

Artistas únicos, com muitas tatuagens, cabelos coloridos e roupas que misturam os anos 90 com o contemporâneo, similar com a estética vaporwave e o novo conceito fluido de gênero.

Esse estilo acabou influenciando o design e os tons pastel chegam em diversas passarelas e materiais de divulgação. O público são jovens consumistas e nostálgicos dos anos áureos do Emo, 2004 a 2010.

Rappers como Lil Peep e Lil Xan, marcam essa geração, de soundcloud rappers, com canções sobre distúrbios mentais, como a depressão e o conceito mais aberto de gênero. O próprio Lil Peep era conhecido por usar ícones da cultura pop como a Hello Kitty, roupas e cabelo rosa.

5 - Rosa Millennial

Okay, Rosa Millennial a primeira vista é só uma cor, esse tom pantone lançado em 2017 foi o rebatismo da chamada Rose Quartz de 2016. Mas tornou-se um movimento, quando conseguiu alcançar maior amplitude e a possibilidade dessa cor transitar entre os gêneros fez com que houvesse um aumento de  40% na produção de roupas masculinas cor de rosa segundo dados da WGSN.

O nome da cor está ligado à Geração Y também chamada de Millennials. “É uma tendência entre jovens a vontade de permanecer nesta fase da vida e não amadurecer, por isso o tom faz sucesso. Ele é nostálgico e está presente nas boas memórias da infância, nos milkshakes e nos pratos da pâtisserie, além de trazer uma sensação romântica, terna e confortável. Mas o que vemos agora é diferente: “Ele se emancipou de forma audaciosa e tomou conta de vários meios" diz Lili Tedde em matéria publicada pela Casa Vogue em 2017.

Esses são apenas 5 movimentos que deveríamos ficar atentos e estão rolando faz tempo. Toda essa influência, ainda que com a velocidade da internet, demora para internalizar na estética nacional. Mas aos poucos podemos ver esses movimentos chegando ao mercado mainstream brasileiro.


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Escrito por:

Yara Oliveira

Formada em Comunicação Social – Rádio, TV e Internet pela universidade Anhembi Morumbi e pós graduada em Ilustração Infografia e Motion Graphics, cursei extensão em Artes Contemporâneas e cinema pela UNIFESP. Fora da área de comunicação, já estudei design digital, design de moda,teatro e violão. Trabalhei como editora de vídeo na produtora Scena – Foto, fui fotógrafa e diretora criativa na Eu Sou Fotofradia de Corpo e Alma e atualmente sou diretora criativa pela revista Freak Market e pela empresa Velours International.
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