Como o Punk Rock mudou o Design

A história do movimento Punk Rock transita entre duas cidades, Nova York e Londres na década de 1970. 

A inquietude da classe operária/trabalhadora e a frustração de viver nos padrões estabelecidos na sociedade da época, foram o estopim para a sonoridade e visual rebelde do punk rock. Esse ambiente foi muito propício para uma nova fase do design que passou a beber da fonte dos banners de rua.

Muito antes do visual emblemático de moicanos e jaquetas de couro, o punk foi uma convergência de bandas de garagem, na metade da década de 1960, esse período ficou conhecido como photo-punk

Nos anos de 1970 como respostas às músicas que ganhavam as rádios na época, as bandas nova yorkinas como Velvet Underground, Patti Smith e The new York Dolls começaram a experimentar uma nova sonoridade, mais “agressiva”. Nesse momento, o moto clube CBGB foi crucial na união dessas bandas e da sonoridade. 

Em 1975 Malcolm McLaren leva a influência do punk nova yorquino para a Inglaterra e monta uma das mais emblemáticas bandas do movimento punk. É com a ideologia anarquista e sonoridade agressiva que surge a Sex Pistols

Malcolm McLaren e Reid

Desde a primeira vez que subiu no palco, a banda se tornou a representação da angústia dos jovens londrinos, economicamente quebrados e culturalmente frustrados. É a oprimida juventude inglesa que dá força para o punk, com isso veio seu apelo anarquista, visual esfarrapado e agressivo. E é no meio essa revolução que está Jamie Reid, um designer anarquista, capaz de traduzir a frustração dessa geração.

Malcolm McLaren e Reid se conheciam desde a escola de arte, dividiam a mesma crença política de raiz anarquista e é assim que Reid acaba por ser chamado para criar as artes de capa e divulgação do Sex Pistols.

Reid capturou o caos social e toda sua raiz anarquista em suas composições visuais. Misturava elementos violentos e contrastes entre cores e formas. “ Se o modernismo, que representava o establishment com seu tipo e gráficos ordenados, estava em um extremo do espectro, então a interpretação pós-moderna barulhenta e confusa de Reid sobre a estética punk não poderia ter sido absolutamente o contrário.” (Mark Healy February 23, 2017).

Suas composições usavam um estilo tipográfico de resgate ao DIY (Do It Yourself – Faça você mesmo), elementos fotocopiados com composições violentas. Reid tinha uma total liberdade criativa, o que já fugia dos padrões econômicos da época.

A estética punk ficou conhecida por mudar e personalizar roupas, assim tirando-as dos padrões impostos, essa mentalidade DIY era muito presente na subcultura. E essa estética da moda se espalha por zines, panfletos, cartazes e todos os tipos de materiais de comunicação. 

É com o estilo de recortes, fotos rusticamente rasgadas, tipografia apropriada de jornais, revistas, cartazes etc que os bares e banheiros ingleses foram cobertos e esse estilo se difundiu de vez.

Escrito por:

Yara Oliveira

Graduada em Rádio e Tv, com extensão em artes contemporâneas e cinema e pós em design. Comunicação, arte e design, paixões intrínsecas da minha vida e bases da sociedade, que tenho necessidade de aprender e explorar cada vez mais.
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