FOTOGRAFIA DE HORROR – A única mulher Brasileira a fazer fotografias macabras conta todos os seus segredos para fazer você não dormir à noite!

Uma menina de cabelos Rosa Pink e apenas 25 anos, vai te surpreender! Ela vai ministrar a 1º Oficina de Fotografia de Horror no país, e conta como surgiu essa macabra paixão, suas técnicas e mostra que todos podem produzir cenas horripilantes com quase nenhum recurso.

Yara Oliveira é de Itapecerica da Serra, grande São Paulo, entre o interior e o Capão Redondo. Graduada em Comunicação Social – Rádio, TV e Internet pela universidade Anhembi Morumbi e Pós Graduada em Ilustração Infografia e Motion Graphics, cursou também extensão em Artes Contemporâneas e cinema pela UNIFESP e um curso livre de direção de arte pela Belas Artes. Seu currículo profissional já é bem extenso, dançando entre grandes desfiles como Casa de Criadores e curtas metragens como o documental sobre moda sustentável “Go Slow” e o média de Ficção “Vitrine”. Trabalhou também como Diretora de arte, editora, cinegrafista do longa Metragem "A era do Peixinho", que acabou de entrar no sistema de Streaming Amazon Prime, entre outras coisas...

COMO NASCE O AMOR PELO MACABRO?

Essa é uma pergunta quase inexplicável, mas de fato Freud explica, e nossa infância é a raiz dos nossos gostos né? Rs

Sempre foi ligada as artes, uma de suas paixões é o Terror e isso se iniciou desde seu batismo, que inclusive tem uma curiosidade ótima, pois seu nome vem de um filme justamente de Terror! A tal da sereia Yara é um filme B brasileiro, onde ela matava pescadores, e acontece que sua mãe e seu pai apostaram que se ela fosse menina ele escolhia o nome, e bem, aí está o resultado.

“Minha mãe sempre teve uma cultura de cinema em casa, e quando eu digo cinema, quero dizer só os filmes mesmo. Sou quase do interior, não tinha cinema lá. Mas toda sexta a gente ia na locadora pegar filme pra ver, acho que muitas das minhas referências vêm desse carinho pelo entretenimento.”

INSPIRAÇÕES

Além dessas referências afetivas familiares, Yara conta que teve dois professores que mostraram que produzir terror é possível. Claudio Yutaka, na época professor da Anhembi, fez um laboratório de estudos de efeitos práticos, e que indicou uma palestra do Kapel Furman (guarde esse nome, vale a dar a Goolgada) com a galera do Cinelab, e este encontro abriu sua mente de uma forma absurda, e isso a fez participar 1 ano depois de um reality show com o próprio Furman, Raphael Borghi e Armando Fonseca, chamado Cine Lab Aprendiz, que foi ao ar pela SyFy e Universal. Foi lá que entendeu que é possível de fato produzir material de Horror, de maneira profissional, mas APENAS com o que tem nas mãos.

Capa do vídeo

Depois do Reality ela manteve esta vontade de fazer materiais voltados para o Horror, mas percebeu que vídeos ou curtas seriam muito complexos e envolveria uma estrutura maior e mais pessoas, e pensou então “ Vou transformar 24 quadros por segundo em 1 só” e assim realizou seu 1° ensaio fotográfico dentro deste tema, inspirado no filme “Onde vivem os Monstros”.

“Sou fascinada por René Magritte, as pinturas dele me assustam mais do que qualquer filme de terror. Muitos dos quadros dele me inspiram, especialmente porque as personagens não têm rosto, ou o rosto é coberto por algo, isso me intriga demais.”

Diz que é louca por Zé do Caixão, um ícone do cinema nacional e internacional, a exposição dele no MIS a influencia até hoje!  

Já na fotografia de horror, Adam Martyn Ewings e Christopher McKenney são seus queridinhos. Eles têm estilos bem diferentes, um mais gore e outro mais pro surreal.

Yara em seu trabalho como fotógrafa de Horror, procura mesclar um pouco dos dois, e como estudiosa árdua do estilo, explica que toma muito cuidado em representar diversos estilos nos seus ensaios; Slasher, Trash, found footage, suspense, sobrenatural, psicológico e mais recentemente o pós terror.

TÉCNICAS

Pela precariedade de material, não dá pra inventar muito, fotografa tudo sob a luz do dia e geralmente faz cenas externas por conta disso. 

Para os efeitos de ferimentos, ela usa a clássica receita de sangue falso: glucose, corante alimentício vermelho e azul e papel higiênico com cola para ferimentos de queimadura ou cortes. Tudo bem simples ela conta, lamentando não ter desenvolvimento em maquiagem de efeitos. 

Yara se considera um tipo analógico de artista, e somente faz a foto se conseguir provocar o efeito de verdade! A pós produção só serve para pequenas correções de cor e luz, e claro, pra deixar algumas coisas em preto e branco, que é uma linguagem que ela carrega consigo desde suas primeiras produções quando ainda adolescente.

“Quando eu crio uma cena eu simplesmente tenho o anseio de tirar uma ideia da cabeça, é como se essas imagens ficassem travadas no meu cérebro e eu tivesse que externalizar isso.”

Yara conta que sempre que vai fotografar, raramente cria um storyboard ou algo do tipo, ela apenas junta o material, os modelos, que geralmente são seus primos e sua irmãzinha, fiéis parceiros nestes role malucos, acha o lugar perfeito para algo sinistro acontecer e pronto! Monta a cena.

“Eu não dou nenhuma prioridade ao realismo, porque na verdade, ele não importa.”

E para explicar o por que disso, contou a seguinte história:

“Minha tia Rosalva, é enfermeira e eu já pedi umas aulinhas pra ela. Aprendi sobre a diferença de cor e densidade do sangue venoso e arterial, acontece que o sangue arterial é bem mais claro que o venoso, quase como tinta guache e se eu representar ele assim numa foto, vai estranhamente parecer falso. Por isso, como disse uma vez meu Mestre Anderson Gonçalves, eu trabalho com a verossimilhança e não com o realismo nas cenas.”

A MULHER NO TERROR

É um nicho muito específico, e predominantemente masculino, mas há muitas mulheres que mandam bem em maquiagem de horror, como é o caso da Alice Austríaco , mas não há aparentemente NENHUMA GAROTA que fotografe cenas de horror. 

Pode parecer legal, mas acaba faltando referências e coragem mesmo de continuar produzindo, diz Yara. Não encontramos nem mesmo homens aqui em São Paulo que tenham um trabalho parecido com o seu, e talvez eles não existam, ou haja uma tremenda falta de comunicação dos amantes desta arte. Em sua opinião, crê que falta uma certa união e aceitação das mulheres do meio do horror, além das áreas de maquiagem.

“Desde criança vejo as mulheres padronizadas no cinema, aqueles clássicos closes em peitos e bundas, a garota de uma inocência que chega a beirar a burrice. Muitos desses estereótipos se propagam em produções contemporâneas. Talvez isso gere um afastamento das mulheres pelo gênero.”

CUTE, BUT PSYCO?

“Eu sempre aparentei mais nova que a minha idade, tenho 1,61 de altura e sou magrelinha… além do óbvio fato de ser mulher né? Acho que ninguém espera que alguém como eu vá falar sobre sangue, tortura e obturador, rs.”

Ela contou que certa vez foi palestrar sobre Fotografia de Horror e um dos responsáveis achou que ela era estudante e não a deixou entrar na sala de palestrantes, até que alguém lá percebeu que a palestra era sua mesmo, e pedindo mil desculpas, a levou para o lugar correto dos palestrantes.

Yara diz não se importar com esses acontecimentos, mas a gente tem que parar de estereotipar as pessoas que trabalham com entretenimento. Chega uma hora que enjoa ver a surpresa no olhar da galera. Por que é tão surreal que uma mulher de cabelos cor de rosa trabalhe com horror?

PROJETOS

Fascinada por um fotógrafo chamado Duane Michals, que tem um projeto lindo de foto sequências, e já a inspirou em alguns ensaios, Yara conta que pretende voltar a produzir essas cenas o quanto antes. Ela curte muito ensinar as técnicas pra galera, e quer mostrar que é mais fácil do que parece produzir estas cenas que causam tanto espanto.

Seus ensaios e projetos já até inspiraram tatuagens, e ela conta:

“A Alice Austríaco entrou em contato comigo e pediu para fazer uma foto especialmente para virar uma tatuagem, e foi o que eu fiz. Eu não tinha noção de que a tatuagem cobriria o braço todo, foi uma tremenda surpresa ver o resultado dessa loucura."

Não precisa ser nenhum grande produtor de Hollywood pra tirar uma cena da cabeça, é muito fácil produzir com o que tem a sua volta, e por isso ela em parceria com a Freak Market, criou a 1ª Oficina Gratuita de Fotografia de Horror do Brasil com o apoio super especial da Nexus, um projeto muito massa que produz LARPS e Live Actions, e também é algo inédito na cena nacional, mas isso é uma pauta pra outra conversa....

Fique com essa galeria de arte macabra, e vá entrando no clima da Oficina!

Facebook da artista

Escrito por:

Ana Medioli

Ela é bruxa, publicitária e sonha em ser mãe de família, mesmo tendo um monte de tatuagens pelo corpo, uma vida não tão regrada assim, e jura que segunda começa a dieta, sempre! Aos 27 anos já se mudou mais de 10 vezes em SP, se considera uma cigana na cidade grande e acredita de verdade que a arte vai salvar todos nós do fim do mundo.
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