Como é ser Grafiteiro fora das grandes capitais com Paulo Zits

Paulo Zits é grafiteiro desde 1998. Ele é de Itapecerica da Serra, região metropolitana de São Paulo, cerca de 30 km da capital de São Paulo. Descobriu a arte com seus amigos através do movimento Hip Hop e buscava informações em revistas de bancas de jornal. Começou grafitando tipografia, mas com o passar do tempo se aperfeiçoou e criou seus próprio personagens; e até hoje continua com sua arte nos muros das cidades distantes da capital paulista. Tive a oportunidade de conhecer mais de seu trabalho e aqui está um pouquinho da nossa conversa:

Quais nomes te inspiram nesse universo?

Eu tenho varias referências e cada um me inspira. Em determinado aspecto, eu gosto dos Gêmeos, o Míope, que me passou varias base de grafite e me mostrou várias revistas. Na arte plástica eu gosto muito do trabalho do Salvador Dali, o universo lúdico de fantasia.

Você trabalha na grande São Paulo, como Embu, Itapecerica da Serra... o grafite é bem aceito nessas regiões?

No Embu das Artes a arte, de uma forma geral, é mais aceita, até porque a cidade vive de arte, mas não tem grafite em galerias. Agora algumas galeria estão aceitando o grafite. Em Itapecerica não há investimento em arte e não tem espaço de exposição. Os movimentos que são dos próprios grafiteiros se reúnem e fazem evento ou coletivos.

Você acha mais difícil crescer nessa arte longe da capital?

Na verdade a dificuldade esta em qualquer parte. Acredito que estando longe do meio urbano, onde se consome arte, fica mais difícil. Ninguém realmente vê seu trabalho. Sigo matando um leão por dia.

Quem contrata seu trabalho nessas cidades? Qual o perfil de clientes?

Na cidade eu faço mais trabalhos em muros e escolas. Já fiz projetos no shopping, desenvolvi um live paint, já fiz parceria com a Telefônica, tive trabalhos em exposições e cheguei a vender em galerias, mas não são todas que aceitam grafite. Decorei um apartamento com meus grafites. Muitos dos meus trabalhos de personalização foram para fora do Brasil como algumas garrafas grafitadas, telas, camisetas etc.

Você tem como objetivo chegar nas grandes capitais?

Já tenho grafites nas grandes capitais. eu participei de diversos projetos. Meus planos são de participar de uma bienal e colocar o máximo de grafite em São Paulo para assim ter reconhecimento e ver meus trabalhos expostos, viver de arte.

É possível viver dessa arte?

É possível mas ao mesmo tempo muito difícil porque você tem que abrir mão de várias coisas pra ter reconhecimento. Você precisa estar "no lugar certo e na hora certa’’ para alguém te ver, senão vira um fantasma, fica grafitando só no bairro ou só no muro de casa. Tem como viver de arte, é só saber onde quer chegar com a arte, e deixar um legado para próxima geração ter você como inspiração .

Escrito por:

Yara Oliveira

Graduada em Rádio e Tv, com extensão em artes contemporâneas e cinema e pós em design. Comunicação, arte e design, paixões intrínsecas da minha vida e bases da sociedade, que tenho necessidade de aprender e explorar cada vez mais.
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