Denis Williams é a cabeça por trás da marca que une conceito e exclusividade

Um cara simples, criado no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, sem muitas ambições até o momento em que foi passar uma temporada na Europa. Lá sua percepção de mundo mudou e viu que muitas coisas que aprendeu poderiam ser usadas no Brasil. Em contato com o mundo da moda, viu que era possível fazer muito além do que meras peças de roupas, mas unir arte aos tecidos.

Com uma enxurrada de informações na cabeça e disposição para abrir o seu próprio negócio, Denis Williams criou a Ckucaracha. Aos 27 anos, o paulistano confessa ser um filho da arte e que através dela quer tentar mudar a vida das pessoas. A ideia da marca é ser colaborativa, mas se destacando pela excelência artística e a exclusividade para os consumidores.

A Ckucaracha é dividida em quatro linhas. A primeira é a White Series, com uma pegada mais surfwear, referências mais leves, tropicais, porém com contestações, fugindo do óbvio já feito por outras marcas e usando Bansky como referência. A Black Series é uma linha voltada para o streetwear e as coisas ligadas ao meio urbano.

As outras duas linhas são as que dão o diferencial para marca. Enquanto a Collab tem o lado conceitual, unindo a moda com arte em exposições em telas e produtos têxtis, a Craft tem uma ação mais humanitária, usando do trabalho de artesãos da Guarda do Embaú, no litoral catarinense.

“Fazemos tecidos em tear, pinturas sem tintas químicas e utilizando materiais orgânicos. A moda está sofrendo uma desaceleração de consumo. Antigamente todo mundo queria comprar tudo e hoje em dia as pessoas prezam mais por coisas mais limitadas e exclusivas. Hoje você não quer ver as pessoas usando a mesma coisa que todo mundo na rua. A gente produz menos e mais consciente porque sabe que quem vai consumir quer se diferenciar dos outros”.

Denis também não esconde o carinho que tem em relação ao Collab, pois é ali que ele tem uma liberdade maior para se expressar como artista e curador. A segunda coleção dessa linha tem como tema a tatuagem e rabisco, que segundo o autor é uma das coisas mais primitivas do homem. “Uma das primeiras coisas que a criança começa a fazer é rabiscar. Essa é a linha que mais exige do meu tempo”.

A Ckucaracha não tem um público restrito a moldes, idades ou qualquer outro tipo de padrão. O intuito da marca é atingir pessoas que buscam uma peça única e que valorizem todo o seu processo de produção. A ideia do consumo consciente faz com que as coleções tenham um número restrito de peças. Há quem se identifique tanto com o material produzido por Denis que até já comprou seus produtos e preferiu não usá-lo.

“Até agora a melhor coisa que já aconteceu para mim foi uma galera que veio da Austrália e um dos caras pegou uma camiseta, emoldurou, botou em um quadro e levou para a Oceania. Ele realmente está tratando como arte e era essa a minha intenção com os produtos, mas não achava que aconteceria tão rápido. Fiquei realizado com isso”.

Até ter a sua própria marca, Denis rodou muito para se encontrar como empreendedor e artista. Estudante de relações internacionais, foi para Europa bem cedo e lá começou a trabalhar em lojas de roupas, tendo o seu primeiro contato com o mundo da moda. Com a arte e o grafite, também teve o primeiro contato no Velho Mundo, mas só começou a exercer seu lado criativo quando já estava de volta ao Brasil.

Atacando em várias frentes e deixando a sua sensibilidade aflorar mais a cada trabalho, Denis ainda tem muita lenha pra queimar e muita roupa para pintar e transformar tecidos em obras de arte.

Fotos: Murilo Yamanaka / Freak Market