Se você acha que o extremo de malvado no mundo da música é o Justin Bieber dando chilique, e o máximo da treta é a Katy Perry falando mal da Taylor Swift, repense tudo que você já viu! Vamos te levar para uma área tenebrosa, o lado negro da força, aonde o Satanás tem moral e seus seguidores morrem e matam por ele. Bem vindos à zona do Black Metal. Não afine e continue lendo!

Já ouviu o som de um enxame de abelhas combinado a vocais macabros, agudos ou guturais, e uma bateria que deixaria sua máquina de lavar com inveja? Pois bem, isso é como soa essa vertente do metal para os não iniciados. Os temas giram sobre o paganismo, ocultismo, mitologia nórdica, eliminação de dogmas religiosos e culto ao anjo caído. Tudo com uma dose de cultura Viking, maquiagem de cadáver, teatralidade, fogo em igrejas e... matar seus colegas. Coisa leve.
 

Como começou essa maldade

Nos anos 80 (sempre eles), bandas como Venon, Celtic Frost, Mercyful Fate, Possessed e Bathory tratavam de temas satanistas e arrebanhavam milhares de fãs pelo globo. Eles criaram o protótipo para as bandas que causariam polêmica, e mal estar nos cristãos, na década seguinte.  Da maquiagem a indumentária com armaduras de couro, pseudônimos ameaçadores, caras e bocas, tudo foi absorvido para uma leva que dá medo até hoje. 
 
A coisa aconteceu de verdade nos anos 1990 com artistas que levaram o lifestyle satânico ao extremo. A chamada "segunda onda de Black Metal" trouxe os importantes Worship Him do Samael, o EP Passage to Arcturo do Rotting Christ e Oath of the Black Blood do Beherit. Após esses lançamentos surgiram diversas bandas, especialmente na Noruega, que forjaram o que muitos conhecem. De 1991 a 1994 ocorreram na Noruega atos assustadores como queima de igrejas, assassinatos e violações de túmulos que contribuíram para a divulgação do gênero pelo mundo. Nesta mesma época, começam a ser criados inúmeros subgêneros que iam do Ambient Black Metal, Depressive Suicidal Black Metal, Melodic Black Metal, Viking Metal etc...
 

Quem são?

As bandas internacionais mais conhecidas são: Mayhem, Burzum, Marduk, Gorgoroth, Emperor, Satirycon, Darkthrone, Immortal, Xasthur, Leviathan, Anguished e Ilkim Oulanem. Se vocês forem pesquisar essas bandas, notem o cuidado estético e como as capas são caprichadas. Mesmo você achando que isso pode lhe causar má sorte, dá vontade de ter na sua coleção de discos. E claro: girar ao contrário para ver se o cramuião aparece pra dar um oi.
 
No Brasil fomos amaldiçoados com as bandas Holocausto, Esgaroth, Amen Corner, Black Achemoth e o grande destaque fica para o Ocultan. banda formada por amantes de arte que levam o lance a sério, mas sem cair na demência de seus colegas das terras geladas.
 
 
Capa sinistra do CD Fuck me Jesus do Marduk

 

Seus seguidores

Temos desde os fãs do som até os que levam as coisas as últimas consequências. Ele pode sair no dia a dia vestido como seus heróis ou usando combinação de roupas pretas,militares e camisetas do Emperor, Dimmu Borgir, Burzum ou Cradle of Filth. Não topam com conformistas e posers. Os mais exagerados podem se mutilar em prol das bandas que amam e cometer desde suicídios a botar o terror na paróquia local. Em 2009 um jovem devoto de Black Metal e masoquismo, nos Estados Unidos, matou um radialista a punhaladas por um estranho pedido feito pela página do finado Myspace.
 

Casos satânicos de arrepiar

Esses são filmes de slasher e horror da vida real. Se você se impressiona com facilidade, pare de ler esse trecho agora.
 
O Mayhem foi de longe a banda mais doente do cenário Black Metal, evolvida em queima de igrejas a suicídio com direito a registro e foto estampada na capa. O primeiro vocalista da banda, chamado “Dead”, cortou seus pulsos e explodiu seus miolos em 1991 deixando uma simpática nota escrita: “Desculpe por todo esse sangue”. Seu colega de banda, Euronymous, quando o encontrou morto, fez uma foto e coletou restos de seu crânio como souvenir. Dead já falava de se suicidar e elevou o estilo para lugares extremos se auto flagelando em suas performances.
 
Em 10 de agosto de 1993 ocorreu o mais “célebre” caso de assassinato da cena. Varg Vikernes da banda Burzum, matou Euronymous, seu colega e integrante da banda Mayhem, alegando que vinha conspirando para torturá-lo até a morte e que registraria tudo em vídeo, usando uma suposta reunião sobre um contrato assinado como isca. Na fatídica noite, Varg disse ter sido atacado por Euronymous, declarando que agiu em legítima defesa. Apesar de suas afirmações e defesa, foi preso e condenado a 21 anos de prisão, mas não cumpriu a totalidade da pena. Parte da sua história foi registrada no excelente documentário “Until The Light Take Us”.
 
Em 2014 o vocalista/baixista Samong Traisattha, da banda tailandesa Surrender of Divinity, foi esfaqueado por um indivíduo que o acusou de “macular o satanismo”. Faleceu após tomar mais de 30 golpes pelo corpo.
 
Raphael Greaves, baixista da banda de black metal Satanicon, assassinou sua namorada, Angela Tierney, e cometeu suicídio em seguida. A carnificina ocorreu em 28 de fevereiro de 2016. Numa gravação de Tierney para a polícia, pouco depois das 00h00, ela falou que seu namorado estava bêbado e agressivo. E que essa situação se repetia todo final de semana. A ligação foi encerrada com gritos ao fundo. "Inicialmente a chamada se tratava de uma agressão doméstica, mas quando os policiais foram checar, encontraram dois corpos", informou um dos oficiais ligados ao caso.
 
Pode-se dizer que se existe um tipo de rock 100% underground, ele é o Black Metal. Não adianta rezar, não adianta se benzer, o capeta vai te pegar!
 
 

Documetários Black Metal

Blackhearts (2016)
 
 

Until The Light Take Us (2008)
 
 

Isso é Black Metal!

Burzum
 

Mayhem
 
 

Immortal
 

Gorgoroth
 

Marduk
 

Dark Funeral