O DJ preparou um set que não pretende agradar uma "cena", mas que tem as músicas que, se estivessem na pista, ele gostaria de ouvir e dançar naquele momento.

Quando era moleque na cidade de Pirassununga (interior de São Paulo), Fabrizio Martinelli deu asas a sua paixão pelo rock e aprendeu a tocar guitarra. De lá pra cá passou por diversas bandas de hardcore como Street Bulldogs, Hateen, Vowe e atualmente o Magüerbes. Dos porões da cena independente aos estádios cheios, Fabrizio mostra talento nato com as cordas, mas um período frequentando festas de techno como Circuite e SP Groove mudariam muita coisa nesse roqueiro “hardcoriano” de coração.
 
Seu chamado para o lado negro da força ocorreu no momento em que viu uma de suas bandas favoritas, Soulwax, virar a casaca lindamente para o eletrônico (banda que também tem como projeto o cultuado 2 Many Djs) sendo um dos pioneiros da fusão indie e techno. O som pesado combinado com synths distorcidos foi demais para esse jovem. No final dos anos 2000 causou um barulho na cena nacional fazendo parte do coletivo Crew de onde saíram muitos Djs talentosos que abraçaram na época o electro maximal, new rave e vertentes. 
 

Conte sobre suas primeiras gigs tocando música eletrônica? O que já rolou de bacana e o que já rolou de trágico e engraçado? 

Passei uma boa fase no começo dessa transição achando que sabia tocar, mas mixava tudo errado! Eu ainda tinha aquela cabeça de “DJ de Rock” que não mixa, simplesmente espera ir acabando o som, aperta o play da próxima música e bora.  Mas ao mesmo tempo era divertido, porque tocava de tudo sem limite nenhum. Virava um Prodigy e na sequência um Slayer e depois um Vitalic. Era tudo cagado, mas a pista sempre se divertia.
 

Como você lida com o povo que fica pedindo música no rolê? Já teve alguma vez que você teve que pedir ajuda ou simplesmente pediu pra pessoa parar de ser mal educada?

Acho que tenho muita sorte porque isso não acontece muito comigo e, quando acontece, lido naturalmente com um simples “pooooxa, não tenho essa música”.  Já tive que pedir ajuda por conta de pessoas bêbadas com drink em cima do computador, pessoas que chegam pra falar alguma coisa e nunca mais vão embora da cabine. Essas coisas acontecem mais comigo.  
 

Da época da Crew, quais foram os grandes momentos e os maiores pés na jaca que você teve ao lado dos meninos que ainda eram novatos na época? Você sente falta daquele período em que o indie se mesclava com a eletrônica e o maximal era a coisa mais pesada para se tocar numa festa?

Acho que a Festa Crew foi o maior momento de todos esses 15 anos que sou DJ. Com certeza tudo o que consegui até hoje foi por conta dela. Fizemos inúmeras e memoráveis gigs no extinto Clube Glória, ganhamos o título de melhor festa de SP no ano de estreia, tocamos com um monte de nossos ídolos, viajamos para os melhores clubes e cidades do Brasil, tocamos o terror em duas edições num cruzeiro em alto mar, participamos de uma festa insana e histórica dentro do BBB e tocamos no palco principal da XXXperiencie antes do Calvin Harris.
 
Isso vai ficar na nossa história e ninguém tira. Pé na jaca? Aaah podem-se considerar todos esses momentos acima! Sobre o som, acho que foi muito legal na época, abriu a cabeça de muita gente, mas acho que passou… ninguém aguenta mais aquela barulheira que a gente fazia.
 

Atualmente como está a sua relação com a música, festas, noites e outras atividades diárias? Alguma vez já pensou em tirar longas férias de tudo?

Continuo tocando sempre por aí. Sem residência em nenhuma festa específica, mas sempre causando. É só me chamar. Sou diretor de video/tv/web e isso consome muito tempo da minha vida, mas estou tentando produzir um EP ou disco ainda para esse ano.. vamos aguardar. Tirar férias longe de tudo isso?  Nunca! É meu maior pesadelo.
 

Aonde podemos te ver discotecando e tocando guitarra atualmente?

Tenho tocado bastante em SP.. no Lions Club, PanAm.. é só ficar ligado no meu facebook (risos). O MagüeRbes tá com agenda cheia esse mês, é só ficar ligado também (facebook.com/maguerbes).
 

Me fala sobre o set que você gravou pra gente. Por que escolheu essas tracks e o como estava seu humor no momento?

Faz uns dois anos mais ou menos que redescobri a House.  Muito com essa nova onda de House Californiano, Bootyhouse, Basshouse, G-House, Deep, e principalmente toda a turma da Dirtybird Records da California, que eu sou fã de carteirinha assumido. Tento sempre misturar tudo o que gosto no mesmo set.. House, Techno, Electro e sem nenhum medo de ser feliz, de tocar um monte de hits, um monte de músicas com vocais.  Não toco música nenhuma pra agradar alguém ou agradar uma “cena”, sempre tento fazer meus sets como se eu estivesse na pista e quisesse ouvir aquela música naquele momento, simples assim, a lei é essa.