Vila Velha (Espírito Santo) tem seu monstro sagrado do rock...e ele atende pelo nome de Fabio Mozine!

 
Com quase três décadas de vida na barulheira e diversos serviços prestados a cena punk e hardcore do Brasil, nosso herói está à frente do célebre Mukeka Di Rato e dos incríveis Os Pedrero e Merda. Sim, a banda chama simplesmente Merda.
 

 
A cena roqueira de Vila Velha é um show à parte e entram nesse caldeirão os pinguços criativos, um toque de música brega, caranguejo, camisas floridas, chinelo e shorts com patches de bandas punk desgraceiras. Algo bem carácteristico que não cai no erro de agradar os medalhões decrépitos da MPB.
 
Mozine também é o cabeça da Laja Records. Um selo/loja que difunde bandas de diversas partes focado no garage, punk e hardcore. E claro, dando espaço ao metal e outros sons que conversem com a ideologia de não fazer música bundona. O mascote do selo é nada mais, nada menos que o polêmico Crackinho, seu amiguinho.
 
A Laja Records goza de um status cult e boa reputação no quesito artistas infernais e coisas fora da casinha. Revelaram os paranaenses do Water Rats (que já gravaram com o lendário produtor Jack Endino), Muddy Brothers, o satânico Bode Preto e o projeto de lambada quente Figueroas, que é mais punk que muita banda metida a malvada por aí.
 

Mozine, quando você teve vontade de se tornar um "rockstar" da cena hardcore? Como nasceu essa vocação pro rock rápido, pesado e sujo?

Vontade de ser rockstar nunca tive não, apesar que dizem que sou um pobre star (risos).  Eu gostaria de ter mais grana, isso sim, pra poder trabalhar mais tranquilo com menos preocupações.  Acho que a vocação pra sujeira nasceu desde sempre, até quando eu ouvia Xuxa, mudava as letras pra versões escatológicas e/ou pornográficas.
 

Você já quis estar em outro tipo de atividade que não fosse a vida no rock?

Sim, muito em breve eu pretendo morar na roça e criar bichos e plantas ou morar na praia e não ter mais que viajar pra tocar, etc.
 

A Laja records tornou-se um selo cultuado. Desde o começo você pensou em divulgar o selo ao invés dos artistas individualmente? Selos como o americano Epitaph e o brasileiro Banguela usaram essa estratégia para alavancar uma cena. Você pensou nisso?

Nunca pensei muito nisso não, as coisas foram rolando meio que no deixa a vida me levar, tudo sem planos.  O nome do selo também é como se fosse uma marca, as pessoas gostam da identidade visual do selo, e como o mercado fonografico vive essa eterna crise, talvez tenha sido uma saída, mesmo que intuitivamente, que eu descobri pra continuar sobrevivendo.
 

Além do Mukeka quais são seus outros projetos sonoros? Me fale um pouco sobre seu projeto que tem o singelo nome de "Merda".

Além do Mukeka eu tenho o Merda e os Pedrero. Os Pedrero é uma banda mais punk rock, tipo The Queers, Fyp, etc, já o Merda é um Mukeka Di Rato piorado. O Merda sempre foi o meu xodó, é a banda que mais gosto  de tocar.
 

 

Vitória do Espírito Santo pode ser considerado um celeiro de bandas poderosas? Como era a cena quando você e o Mukeka Di Rato começaram que artistas locais atuais você aposta?

Nos anos 90 a cena era romântica, mas problemática também. Falta de estrutura total e muita chatice e picuinhas. Quando o straight edege chegou então, deus me livre, que bagulho chato e deturpado.  Mas depois o tempo foi ajeitando tudo naturalmente.  
 
Hoje eu poderia citar o Whathappen to Baby Jane, uma das bandas mais legais do Espírito Santo, são 3 minas, fazem algo tipo riot grrrl meio Bikini Kill.
 
 

Se fala na morte do rock e seus subgêneros, mas tem sempre gente disposta a lutar para que isso não aconteça. No atual cenário político/social não é o momento certo para a revolta gerar boa música? Ou a população brasileira ficou conformada e bundona de vez?

O Brasil é o celeiro do fascismo. Tenho muito medo do que vem daqui pra frente e não sei se musica vai salvar alguam coisa.
 

Mukeka Di Rato vai continuar sendo "um prato"indigesto?

Enquanto nossos ossos aguentarem a gente em pé no palco, eu espero que sim!