Robert Crumb: seu estilo, sua criação

Robert começou a ficar conhecido nos anos 60 com a revista Zap Comix em que desenhava quase todo seu conteúdo e contava com colaborações de outros cartunistas da época como S. Clay Wilson, Rick Griffin, Robert Williams, Manuel Spain Rodriguez, Victor Moscoso, Gilbert Shelton e Paul Mavrides. Ele vendia a publicação pelas ruas de São Francisco ao lado de sua mulher, que estava grávida, e deixava as edições num carrinho de bebê.

Suas referências eram sempre figuras da vida real e de seu convívio pessoal. Também vale citar sua paixão por jazz e blues que são sua trilha sonora de processo criativo. Quando criança, Crumb já preferia desenhar ao invés de brincar. Rabiscava quadrinhos em que seu gato era o personagem. Seus trabalhos eram muito apreciados na cena hippie. Os favoritos eram Mr. Natural, que pode ser uma sátira do guru espiritual Maharishi Mahesh Yogi, e Fritz The Cat, um gato indolente, bom vivant, que vive chapado e atrás de transas casuais.

Seu traço é um dos mais inconfundíveis do mundo cartunesco: livre, sujo, caricatural e influenciado por suas trips com LSD no início da década de 1960. Membros desproporcionais e um excesso de sombreado dão a tônica de seus contos em que o underground americano, drogas e orgias eram o mote de seus contos.

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Parte do processo criativo de Crumb

As mulheres eram frequentemente retratadas com traços robustos, voluptuosas, com traseira avantajada e maiores em estatura que os homens, como uma versão alternativa do clássico Botero. Essas personagens tinham um caráter libertário e não levavam desaforo pra casa, sendo, literalmente, devoradoras de homens.

Claro que devaneios sexuais faziam parte das tramas, que iam do fetiche básico às curvas, passando por escatologia e mulheres grandes que o levavam de cavalinho nas costas. Esse, uma tara particular do próprio cartunista.

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Crumb e sua forma de retratar as mulheres

Nos anos 70 a série “American Splendor” encontrou um lugar no coração dos fãs de quadrinhos cult ao narrar o cotidiano e agruras do arquivista Harvey Pekar, amigo pessoal de Robert que tinha por trás de sua rotina tediosa uma vida recheada de dilemas e situações dignas de uma ótima comédia de humor negro. Virou um celebrado filme em 2003 com Paul Giamatti no papel principal.

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American Splendor – O anti-herói americano

Depois disso criou versões em quadrinhos para os escritores Franz Kafka, Charles Bukowski e Philip K. Dick. Em 2009 lançou uma peculiar adaptação do Gênesis, o livro da bíblia. Em 2007, figurou no vigésimo lugar da lista de cem gênios vivos, selecionado pela empresa de consultoria Global Synectics. Crumb está com 73 anos de idade e vive no sul da França com sua segunda esposa, Aline Cominsky Crumb, e sua  filha Sophie.

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Ah sim, ele tem um filme sobre ele

Ele também foi tema de um documentário intitulado “Crumb”, de 1994 , dirigido por Terry Zwigoff. O longa  foca no próprio Crumb  e em seus dois irmãos, os três com um certo grau de sociofobia, frutos da criação de um pai muito severo e de sua mãe que os protegia do mundo.

Escrito por:

Alexandre Bezzi

Música e cultura pop são suas paixões. Estudou artes plásticas, mas tomou rumo como DJ e jornalista. Seu sobrenome virou apelido e nome de música. Se amarra em coisas clássicas e atemporais. Promove festas, happy hours e tem o hábito de acordar cedo.
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