Conheça a história do estúdio indie que faz sucesso no brasil e no mundo

Conversamos com Luis Tashiro, CEO do estúdio indie Mad Mimic, para falar sobre o mercado de games no Brasil

Ainda que o mercado esteja em ascensão, ser um desenvolvedor independente de games no Brasil não é algo fácil, exigindo muito estudo, comprometimento, perseverança e uma pitadinha de sorte. Além do baixo desempenho econômico do país que estamos vivendo, o mercado enfrenta uma falta de mão de obra especializada em diferentes âmbitos do entretenimento digital. Isso não quer dizer que é impossível obter sucesso, pelo contrário, com um foco definido e muita garra, é possível fazer o sonho acontecer; viver trabalhando com games. Para entender melhor, a FREAK bateu um papo bem interessante com Luis Tashiro, CEO do estúdio Mad Mimic, que superou todas essas barreiras e contou um pouco da sua trajetória de sucesso com desenvolvimento independente de games em São Paulo.

O início de tudo

Inicialmente atuando como desenvolvedor dentro do Studio ZYX, uma empresa focada em jogos educacionais, publicitários e aplicativos, foi só no início de 2017 que Luis assumiu a liderança em um novo estúdio chamado Mad Mimic, um spin-off do Studio ZYX, com total foco em desenvolvimento de games. Com um grande desafio pela frente, e um sonho maior ainda, Tashiro e sua equipe começam a rascunhar ideias do que viria a ser o seu primeiro lançamento, No Heroes Here. Depois de muitos projetos, a equipe fecha em dois protótipos e os levam para apresentar no Game Connection Europe, em 2016, na França. Com características bem similares a Overcooked, no qual os jogadores se uniam em meio ao caos para conquistar um objetivo em comum, foi fácil saber qual obteve mais sucesso. A partir desse ponto, já estava em evidência o potencial do projeto, o que serviu de incentivo para que todos trabalhassem duro para fazer o lançamento.

Mas para que tudo isso pudesse acontecer, o estúdio contava com um recurso interno muito importante chamado "mão de obra especializada". O sucesso de um projeto depende, entre muitos fatores, da especialização de cada profissional. Em diversos casos, Luís comenta que deixou de priorizar indicações dos próprios cursos profissionalizantes, justamente para buscar programadores ou artistas de diferentes áreas comerciais, mas que tivessem o expertise necessário. Ele complementa "Os alunos estão saindo dos cursos com uma base muito genérica, então eu sinto falta de profissionais que corram atrás de especialização para que se aperfeiçoem e dominem as técnicas por completo. Querendo ou não, assim que essa pessoa entra no mercado, a qualidade exigida será grande, principalmente na área de games que é muito visual".

Foque em especialização

Por mais que atuar em um estúdio de porte pequeno faça com que o profissional participe de mais atividades, a mensagem é clara, especialização é a base do negócio. Principalmente se o jovem quiser atuar como game design, uma das vagas mais complexas de se contratar, justamente por exigir um conhecimento técnico de diversas áreas diferentes. "No Brasil, Game Design é uma das vagas mais difíceis de preencher, pois exige que o profissional tenha uma noção completa do projeto, entender seus pontos fracos e fortes, e saber quebrar em pequenas tarefas para delegar funções para a equipe. Além disso exige uma visão macro para entender como mercado se comporta, para poder ajustar e aplicar novidades, afim de criar um produto que atenda as necessidades do público final".

O caminho para atuar com games no Brasil (e no mundo) é árduo e competitivo, mas não impossível. Exige planejamento, foco na área de atuação e muito, muito estudo. Quando perguntamos por um conselho à um jovem que esteja ingressando no mercado de trabalho, Luis dá uma dica interessante e reforça; "Monte o seu primeiro projeto, do começo ao fim, e publique ele. É importante passar por todas as etapas da produção de um game para entender todos os passos e desafios, do pré-projeto até o polimento. E claro, seja realista; entenda qual é o seu direcionamento e foque nele, através de experiências e especializações".

O que vem por aí?

Enquanto conversávamos sobre o projetos e o futuro de um jovem desenvolvedor em São Paulo, Luis aproveitou para compartilhar alguns detalhes do mais novo projeto da Mad Mimic. Trata-se de um indie game chamado Dandy Ace, no qual o jogador controla um personagem com diversas habilidades e precisa sobreviver em calabouços que são gerados proceduralmente. Com muitos itens, equipamentos e adversários, permanecer vivo torna-se uma tarefa muito difícil em meio ao ambiente caótico.

Com previsão de lançamento para meados de 2020, ainda há muito espaço para novidades. Até lá, nós da FREAK ficamos por aqui, ansiosos para ver mais um título nacional arrebentando lá fora e mostrando que o Brasil possui um enorme potencial para jogos e profissionais.

Redes Sociais:

Luis Tashiro

Mad Mimic

Youtube

Escrito por:

Guilherme Kyoji

Popularmente conhecido como Koala, Guilherme tem 29 anos, trabalha com redes sociais, adora games e acha muito estranho se descrever em terceira pessoa.
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