Como desenvolvi um estilo próprio de me vestir

Looks com uma peça de cada cor ou com uma cor só predominante, estampas misturadas, homens usando croppeds e saias, meias chamativas, ternos e camisolas para o dia a dia... As possibilidades são infinitas!

Não vou falar o que você deve ou não deve usar, mas ajudar vocês a encontrar no seu próprio style. Para arriscar, é importante não sermos robôs que vivem 100% as custas das idéias de grandes empresas, que ditam o que está ou não está na hora de vestir. Se você se identifica com o que que as empresas estão dando de opção no momento, é obvio que não tem problema. A questão é só não se fechar a isso. Ou seja, se você sentir vontade, você tem a opção de fazer diferentes escolhas. Enfatizo isso porque muitas pessoas não aceitam as próprias idéias por medo de se sentirem olhadas de uma forma diferente, de uma forma ruim. 

O primeiro passo pra essa libertação é não ter medo de se jogar de cabeça nas idéias e procurar entender qual sua própria personalidade. Não se feche só a receitas de "estilos prontos". Vá atrás de inspirações, experimentem alguns looks, saiam na rua vestindo eles e vejam como se sentem. Às vezes vejo pessoas vestindo algo e penso ‘Isso ficaria muito ruim em mim, mas ta lindo nessa pessoa’. Isso é porque a pessoa consegue passar a personalidade dela, ela se impõe. Não tem como não admirar. 

Infelizmente aqui no Brasil ainda não temos tantas referências de pessoas se vestindo dessa maneira quanto em outros países. Principalmente em cidades menores, fora das capitais. Por isso resolvi trazer looks de uma galera que combina as tais peças que "não são combináveis" (no pensamento de algumas pessoas) pra vocês buscarem essa inspiração na hora de escolher a roupa. 

Ideias de roupas diferentes que "não combinam"

Separamos alguns alguns looks de pessoas no Instagram pra você se inspirar e não ter vergonha de sair por aí se vestindo como quiser!

Depoimentos de quem se veste como quer

"Sou o Davi, de Curitiba (PR) e acho que o jeito que me visto é algo como uma reação a cabeça fechada da grande maioria do povo do Sul. No início do século XIX, o Sul teve grande fluxo de imigração europeia com o intuito de embranquecer a raça, junto com os imigrantes veio na bagagem todo tipo de preconceito que você pode imaginar e um conservadorismo desgraçado na cidade toda! O resultado foi aguentar ouvir piadas nojentas dos meus antepassados europeus que fazem cada vez mais eu querer ser diferente de todas formas possíveis, inclusive esteticamente. Uso muito minhas roupas pra me expressar. Ninguém pode calar minha voz nem minha atitude. Cada ser é único cada ser se expressa como quer e deve ser respeitado por isso. 

Quando era criança, sofri muito bullying na escola por conta do meu estilo (que já era diferente). Crianças reproduzem muito o que os pais delas falam, então acho que é só mais um reflexo da sociedade que estava incluso. Mas, enfim, esses dias acordei um tanto recluso, com “preguiça” de ser eu. Tinha que ir na padaria, então coloquei um casacão, um shorts, escondi meu cabelo com um boné, botei um tênis, um óculos bem normativo e fui. No meio do caminho (são quatro quadras), dois homens (visivelmente cis heteros) em momentos diferente mexeram comigo. O que me fez pensar e perceber que fazia MUITO tempo que ninguém mexia comigo. Pensei: ué, por que? Aí comecei a perceber que era tudo questão de insegurança. Eu tava num dia recluso, coloquei aquela roupa pra me camuflar, estava vulnerável e por isso fui atacado. Quando eu visto uma roupa que eu me sinto bem, sendo eu mesmo, zero pessoas mexem comigo."

@deadtwink

"Sou Luke, tenho 23 anos, sou stylist e moro em SP. Sem dúvidas uma das minhas maiores formas de expressão é através da minha vestimenta. Acho que por muito tempo, até o final da minha pré-adolescência, me limitei muito nessa questão por toda opressão que eu sofri. Acho que essa “ousadia” foi evolutiva, em etapas, de acordo com que fui ganhando segurança e me conhecendo mais. Lembro perfeitamente das diversas vezes de quando comecei a sair com minhas amigas e, ao e me arrumar, sempre pensava como deveria ser divertido poder ser mulher e usar aquela infinidade de opções para montar um look. Eu não queria ser mulher para ser mulher, entende? Eu queria ser mulher pra poder usar aquelas roupas, quando na verdade eu poderia usar sendo homem, mas não fazia pela possível discriminação que eu iria sofrer.

Com o tempo, entendendo o mundo que vivo e principalmente quem eu sou, acho libertador colocar um salto e não me sentir menos por isso. Ao contrário, me sinto muito mais forte quando uso o que gosto independente do que pensem. Considero meu estilo uma brincadeira de peças masculinas com peças femininas e, claro, com muita predominância do preto! Minhas referências, além dos desfiles, são da cultura do hip-hop, pop, um mix de anos 70, 90 e 2000s, tudo em uma versão mais dark. Acredito que todo mundo se expressa através da roupa, uns não propositalmente, outros sim, alguns menos e outros mais, porém, independente disso, o importante é tratar esse processo de expressão como evolutivo e quebrar uma barreira de cada vez. É libertador."

@lukehauckmann

"Fernanda, 21 anos, São Paulo, terminando a faculdade de moda e começando com uma marca de roupa esquisita (velvetvelcro no Instagram). Atualmente me inspiro muito na década de 70 e 80 com um pouco do inusitado 2000. Passo horas no Pinterest por conta da faculdade então acabo absorvendo bastante referência. Tenho uma mente bem investigativa e AMO ficar pesquisando, então sempre dou de cara com umas combinações inusitadas que me inspiram, fora o prazer por garimpar peça em brechó, físico e online, além de promoção de últimas peças nas lojas.

Acho que o segredo é não ter medo de arriscar e pensar “eu posso misturar sim essa estampa que não tem nada a ver com essa”. Eu amo quando uma roupa me causa algum tipo de impacto, e eu também procuro transmitir isso. É uma evolução constante, me sentia mega podada pelo social na infância e adolescência e faz pouco tempo que me dei conta que seria mil vezes mais legal por a loucura pra fora, então acho que é uma forma de revolucionar também."

@fercernt

Escrito por:

Pamela Molinari

Modelo, professora de dança há 6 anos, super envolvida com música, moda, fotografia, desenho e por aí vai. Aquela pessoa que faz de tudo um pouco sabe?
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