O universo anarcovisual da Amortrash

Transitando entre diferentes linguagens artísticas, João Pedro constrói seu label sustentável e livre de rotulação.

Entre polêmicas desnecessárias e tendências construtivas, é fato que a chamada Geração Z veio com força total nessa última década. Pautas como desconstrução de gênero, sustentabilidade e inúmeros desdobramentos criativos tem sido importantes no direcionamento do que podemos esperar do futuro
Qualquer olhar mais atento consegue identificar os efeitos disso na forma como estamos consumindo e o alinhamento com pensamentos mais coletivos. Surfando nessa onda - ou sendo a própria onda -, nasceu a Amortrash. Um mix de página de referências, loja virtual e portfólio artístico do multitask João Pedro. Transitando entre o interior de São Paulo e Guarulhos, ele transforma tudo isso em peças que vomitam contemporaneidade no instagram e nos corpos que abraçam suas ideias.

Criada em 2018, a página no facebook surgiu na mesma pegada de outras similares- movimento ''órfão'' do Tumblr - : encher a timeline de imagens carregadas de informação e colecionando referências de um universo colorido e que reivindica a criação do próprio corpo. Esse universo reflete em peças de vestuário que João Pedro desenvolve à partir de garimpos mundo à fora: jaquetas velhas ganham bordados, colorações e intervenções de diversos materiais, ressurgindo como verdadeiros statements vestíveis. Tudo isso se combina e gera uma ''biblioteca inferno'' como ele mesmo nomeia.

Muitas dessas peças carregam as criações de João, que também é artista visual e publica em sua conta pessoal no instagram. Suas referências conversam entre Margiela, Cy Twombly, Basquiat e muito do universo abstrato e da cultura pop. Além disso, nada produzido pela página faz distinção de gênero ou subjetividades. Azul e rosa são somente cores. Nada é imposto. É tudo sobre identificação. Afinal, para essa geração, a sexualidade (ou gêneros) são muito mais uma criação artística do que um molde de comportamento.

A pauta sustentável tem uma função essencial no trabalho da label. Acessórios são feitos a partir de peças que são facilmente encontradas no lixo: correntes, pingentes, clips, peças de computador, se transformam dentro dos conceitos criativos do artista, dando origem à objetos super acessíveis porém dignos de coleção. Em um momento em que semanas de moda estão revendo seus calendários, a Amazônia pega fogo acinzentando os pulmões do país e o futuro do planeta fica cada vez mais incerto, o label se consolida no seu nome: encontrar afeto no descartável.

Curtiu esse universo? Aumenta o som com essa playlist explorando um pouco desse feeling super contemporâneo e não esquece de seguir a gente nas redes sociais!

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Escrito por:

Felipe Carvalho

Felipe é graduado em Comunicação Social pela Universidade Anhembi Morumbi. Entre muitos desdobramentos, pesquisa assuntos em artes visuais, filosofia e sociedade. Gostaria de ver um show da banda TETO PRETO na Sala São Paulo
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