Pernambuco: Um oásis cultural!

30 anos de estórias através do movimento de contracultura pernambucano, uma odisséia musical pelo olhar da Banda Eddie.

Bora viajar?

Viajar na viagem é explorar os sentidos, são experiências que vão além do óbvio turístico, perspectivas que permeiam nossa alma, nos presenteando desde o palato até a simples conexão telúrica.

Decidimos iniciar nossa viagem usando a lógica inversa, a montanha veio a Maomé, ou seja, Hellcife veio à Sampa representada pela banda Eddie, que há 30 anos vem fazendo um som progressista sem perder a verve regional que é característica de toda a cena cultural de Pernambuco.

Recife e Olinda são uma amalgama cultural, trazendo em seu bojo tradição, diversidade e sobretudo simbiose. Todas as expressões artísticas se conectam e toda essa miscelânea é possível encontrar na sua música regional e alternativa e essa soma se mantém viva há muitas décadas.

Baile da Betinha: As origens da banda Eddie.

Formada em 1989 ,Eddie acompanhou e fez parte do movimento de contracultura pernambucano dos anos 1990 e droparam todas as ondas do Manguebit e embora tenham bebido da mesma fonte de Fred 04 ( Mundo Livre S/A ) e Chico Science (Nação Zumbi ) Fábio Trummer , vocalista e um dos lideres da banda acabaram  criando o próprio estilo, Original Olinda Style que mistura diversos ritmos como frevo,rock,reggae,samba e o resultado dessa salada musical é impressionante .

Pernambuco tem uma cena musical super aquecida que além dos ritmos, mistura gerações se por um lado temos a Banda Eddie, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Otto, Cordel do Fogo Encantado e Siba representando a ‘’velha guarda’’ por outro lado temos os novos nomes como Almério,Grupo Marsa, Juliano Holanda, Karina Bhur, Flaira Ferro, Isadora Melo, Academia da Berlinda,Jr.Black e outros nomes que interagem e fazem  desse movimento um rico e pulsante oásis cultural.

A boemia da noite Recifense

O ponto de encontro da galera é no centro da cidade, entre muitos bares espalhados na rua Mamede Simões o bar central, ponto de encontro da boemia intelectual e artística, circulam nesse pólo músicos, poetas,jornalistas e literatos e claro as pessoas que curtem essa atmosfera criativa.  

Outro aspecto marcante da noite recifense são os espaços onde rolam os shows ao vivo, depois do esquenta nos bares e restaurantes são nessas casas que a galera curtem as mais variadas performances, Terra café Bar,  Marcolino Tap House,Casbah Olinda,Café Liberal 1817,Pequeno Latifúndio, são alguns dos muitos QG’s  onde os músicos se conectam artística e afetivamente criando um ambiente envolto de diversão e arte.

Batemos um papo com banda Eddie que esteve em SP comemorando trinta anos de estrada e trocamos uma idéia federal com os meninos de Hellcife ,eles botaram fogo no Mundo Pensante e fizeram dessa balada super cult o baile da Betinha,  confere ai!

Qual a visão da banda sob a nova safra da música nacional?

Estamos normalmente circulando pelas principais capitais do Brasil a mais de 20 anos; é sempre revigorante chegarmos numa cidade para fazermos nosso show num clube ou num festival e termos a oportunidade de tocar na mesma noite, conhecer novas bandas que ja estão despontando na suas carreiras; o que torna cada show uma bela e agradável surpresa, ver que o público já se identifica e se renova nas gerações seguintes a nossa.

Vocês se consideram uma banda ‘’mal dita’’?

Jamais! Acreditamos que somos queridos e bem vindos aonde chegamos e tocamos; durante tanto tempo de estrada com 7 álbuns lançados é normal ter alguém que não curtiu um show ou não se identificou com algum álbum; Mas de um modo geral tem quem goste e tem quem não goste como qualquer trabalho artístico livre que cada pessoa interpreta a sua maneira.

O que ouvia Eddie em 1989? E o que ouve hoje?

No início, a banda teve uma fase de som mais Rock, com outros integrantes que ao longo do tempo seguiram seus caminhos dando vez aos que hoje consolidaram a banda nesses últimos 15/20 anos.Eu André procuro ouvir de tudo, minha playlist tem mais coisas antigas do que lançamentos como: Beirut, Duran Duran, Manu Chao, Magic Slim, Nick Drake, Jonathan Edwards,Daft Punk, The Roots, Stevie Wonder, Hypnotic Brass Essemble; é o que eu andei ouvindo nesses últimos dias, e estou ansioso pelo lançamento do álbum com músicas inéditas do trompetista Miles Davis previsto para setembro de 2019.

Na visão da banda qual o segredo da consistência da produção cultural pernambucana?

Pernambuco desde a colonização recebeu essa bagagem cultural de influências de vários países europeus e africanos junto com a cultura nativa indígena, formando essa mistura. Durante séculos de existência e evolução de geração em geração, absorvemos e criamos inúmeras manifestações populares e folclóricas, que se perpetuam até hoje quando celebramos as festas de Carnaval e São João por exemplo; aliado a um modelo de gestão cultural que apesar de todas as dificuldades sócio/políticas, ainda conseguem organizar bons eventos, preservar as tradições, incentivar as novas vertentes artísticas e ainda trazer gente de todo o mundo para mostrar seus trabalhos pelo estado e movimentar a cultura local.

Tem alguma conexão especial com a cidade de SP, em termos percepção artística? E se consegue achar uma conexão artística entre SP / Recife/ Olinda?

Todos já moramos em SP. Alguns de nós por pouco tempo, outros, por vários anos; então consideramos São Paulo a nossa segunda casa, cidade essa que nos proporciona oportunidade de mostrar e divulgar nosso trabalho, se conectar e interagir com artistas de diferentes lugares do país, dando oportunidades para novas parcerias musicais nas gravações em estúdios paulistas dos nossos álbuns, e em participações nos shows com encontros festivos!

Qual a distância entre o morro e o asfalto?

Nas grandes metrópoles geograficamente a distância é muito pouca, estamos tão perto e tão conectados uns dos outros independentemente de sermos da periferia ou do bairro nobre; porém vivemos um caos sócio/político/ético. Temos muito o que melhorar para transformar e mudar essa realidade que segrega cada vez mais; Enquanto uma maioria sofre a beira da linha da pobreza, carente de cultura educação e saúde, mas resiste e segue em frente na luta para sobreviver, temos uma minoria privilegiada de gente rica que dita as regras do país ignorando e desrespeitando as reais necessidade do povo brasileiro.

Você tem fome do que?

O Brasil é país extremamente musical e festivo,com suas diferentes culturas e estilos espalhadas de norte a sul pelos estados , a nossa fome e desejo insaciável é de alimentar os 4 cantos desse país de música,cultura e diversão.


Cozinha forte? É com o leão do Norte.

Uma culinária rústica e centenária ao seu dispor, pratos como bolo de rolo,carne de bode,arrumadinho de charque, buchada, sarapatel e o bolo que é patrimônio imaterial da cidade o  Souza Leão , um bolo cremoso feito de massa puba e côco, receita original da família que leva o nome da sobremesa desde o século XIX,não faltam mercados,bares,restaurante e botecos oferecendo essas e outras iguarias.

"Eu lembro da moça bonita da praia de Boa Viagem..."

Litoral Recifense, Um mergulho em águas poéticas.

O litoral pernambucano, imortalizado por músicos e poetas, cenário da estória de amor La Belle de Jour de Alceu Valença, não perca a chance de conhecer a praia de boa viagem , uma longa orla banhada num mar cor de esmeralda , essa beleza se funde a beleza urbana da cidade que oferece excelente infraestrutura, um alerta cuidado com os tubarões nem eles resistem a tanta beleza e circulam constantemente na região. Outras praias como Porto de galinhas, Maracaipe, Serrambi, Tamandaré, são outras praias que merecem destaque pela sua beleza e águas cristalinas.

foto-Rafa Medeiros data:18022010 assunto:praia de boa viagem

Conheça o universo surpreendente da música pernambucana, através da playlist que criamos especialmente para você!

Escrito por:

Tom Melo

Quarentão na crise de Peter Pan , pai do Ulisses, publicitario , paladino das ciencias e chef de cozinha , entusiasta da arte , arteiro e amante de cultura regional.
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