Bastidores da cena punk de SP

Fomos no Centro Rock e vimos o show dos dois. De quebra ainda conseguimos visitar o camarim das bandas, fazer umas fotos bem underground e trocar uma ideia com as duas sobre carreira e a cena musical underground atual.

Como estava o Centro Rock no Dia do Rock

A primeira a se apresentar na noite foi o Lava DIvers. Pontualmente às 19h (meio cedo pra rockeiro, é verdade) eles começaram a quebrar tudo por lá. Depois de uns trinta minutos no palco, os quatro integrantes foram pro camarim comemorando mais uma missão cumprida em terras paulistanas.

Para eles, o rolê foi ainda mais da hora por terem tocado na mesma noite do Sky Down, banda que eles curtem. “Quando vi ainda que caia na sexta-feira 13 e Dia do Rock, a gente quis tocar nessa data”, falou Ana Zumpano, batera do grupo. “Eu senti uma honra de tocar bem nesse dia”, disse Glauco Ribeiro. “A gente já tocou com eles algumas vezes e estava planejando fazer mais shows. A sonoridade lembra um pouco a nossa”.

Show de rock é role de amigos

O Sky Down não era a única banda parceira do Lava Divers ali. Segundo eles, vários outras pessoas que acompanharam o show também tocam e participam dos rolês juntos, o que torna o pesado ambiente bastante amistoso para todos que curtem o estilo. “A gente faz amigos pra caramba quando a gente toca”, diz Glauco. “Esse tipo de som remete lembranças da adolescência e isso passa pras pessoas, cria essa nostalgia”, fala Ana.

Radicados do interior de Minas Gerais, foi com esse tipo de amizade que o Lava Divers conseguiu se expandir e fazer shows em outros estados, se integrando com mais bandas e consequentemente levando pessoas de fora pra tocar na terra deles, criando assim uma verdadeira rota do rock de São Paulo passando por Minas Gerais e chegando até Brasília, conforme eles mesmo me explicaram.

Banda de rock hoje é underground de verdade

Todo mundo do Lava Divers têm outras atividades e alguns até moram em cidades diferentes, o que torna a logística complicada pra banda, mas nada que os impeça de pensar maior. “Estamos planejando uma turnê pelo nordeste no segundo semestre e pro ano que vem temos planos mais ambiciosos, de viajar pra mais longe, para fora”, comenta Glauco.

Depois do papo, todos subiram pra ver a metade final da apresentação do Sky Down, que, além do som pesadaço, contou ainda com uma performance sinistramente linda da modelo Catharina Bellini (https://www.instagram.com/yonikyoni/), rosto conhecido nosso aqui do Freak Market.

Quarenta minutos depois de um muito som pesado, tentamos falar com os integrantes da banda, mas o frenesi entre arrumar os instrumentos, trocar ideia com os fãs/ amigos e vender camisetas, discos e acessórios da banda antes do Centro Cultural apagar as luzes fez com que nossos planos não se concretizasse assim tão fácil.

Por motivos de força maior, recusamos com dor no coração um convite pra fazer a entrevista no bar com eles, mas conseguimos falar rapidamente com o vocalista Caio Felipe, que estava feliz por tocar no Dia do Rock mesmo sem saber exatamente a data. “Cara, nem sei. É hoje? A gente nem usou para divulgar”, diverte-se.

Show sentadinho é outra pegada

Quem já ouviu ao menos um pouquinho do som do Sky Down percebe que o som da banda não é muito a cara de um rolê tranquilinho. O baixo distorcidaço da Amanda Butler e a bateria monstra do André Arvore fazem um som definido pelo próprio Caio como tendo “um pesinho no pós-punk” se é que vocês me entendem. Com isso, foi até interessante ver esse estilo sendo tocado no Centro Cultural, local de apresentação que tem cadeiras que fazem os presentes ficarem todos sentadinhos.

Perguntei pro Caio se isso mexia muito com a banda. “A gente sente (o lance de estarem todos sentados). Qualquer show que você vai fazer da uma diferença. Quando o público tá junto dá um calor a mais. Mas sentado é legal também”.

A nova cara do rock

Assim como quase todo mundo que se apresentou ali e até assistiu, Caio toca e ama rock desde moleque. Por isso, não pude deixar de fazer a pergunta clichê de entrevistas de bandas de rock, aquela velha sobre a mudança do gênero nos últimos tempos e a tal “morte” do rock.

Caio me deu uma opinião até nova pra mim sobre o assunto: “hoje é mais fácil para você divulgar. Tem muito mais plataforma. Tem facilidade, mas acho que isso acomoda um pouco as pessoas a não saírem tanto de casa. Não é todo mundo que confirma presença no evento que vai colar”, lamenta, com um certo saudosismo. “Antes você tinha que ir até o lugar pra ver. Antes alguém falava que era legal, você ia lá ver. “

Sobre esse assunto, Glauco do Lava Divers me mostrou uma visão um pouco mais otimista quando perguntei. “Surgiram outras vertentes diferentes do rock, até mais marginais. Hoje a marginal, rebelde, é o funk. Mas quem gosta de rock frequenta o circuito. O circuito no Brasil nunca teve pras bandas regionais tão possível circular pelo país. O rock morreu pra grande mídia porque outros estilos estão ocupando esses lugares. Pra mim é uma das melhores safras do rock nacional de todos os tempos, mas hoje é underground”.

Particularmente posso dizer que de certa forma concordo com ambos. Pra quem gosta do estilo desde criança que nem eu, foi um prazer ver o movimento ainda vivo e poder viver um pouco esse rolê com as pessoas que fazem parte (todos mega gente fina diga-se de passagem), visitando camarim e vendo show ao vivo.

A respeito da mudança da pergunta clichê, eu, fico com a visão do guitarrista do Lava Divers, Joe Porto, que abriu sua boca uma única vez durante todo o momento no qual o gravador estava ligado, mas que não podia ter falado mais bonito. “É bom gostar do mais restrito porque você está perto dos seus ídolos. As bandas que você gosta fica pra sempre. E é até mais barato de consumir”

Pra quem ficou curioso, veja na íntegra a apresentação das duas bandas por lá:

Capa do vídeo

Fotos: Yara Oliveira

Escrito por:

Rubens Nogueira

Jornalista por profissão e músico por teimosia, ama tudo quanto é tipo de arte e se amarra em produção de conteúdo de diversos tipos, tamanhos, formatos e canais. Não consegue viver sem jogar futebol e tocar violão de vez em quando.
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