O bossaball é um esporte estranho, com regras complexas e de difícil entendimento, mas, mesmo assim, consegue ser bastante atraente.

 
Afinal de contas, quem não quer ficar pulando em cima de uma cama elástica, dando piruetas e passando a bola para o outro lado da rede. Mesmo não entendo muito bem o que se passa, quem assiste uma partida dessa modalidade percebe que os jogadores em quadra estão se divertindo muito.
 
Um jogo que mistura vôlei, futebol, ginástica e capoeira, e tem parte do nome de um dos movimentos musicais mais significativos do país, faz com que pensemos que ele foi criado no Brasil. Mas outro aspecto que faz o bossaball ser diferente é saber que ele foi criado em 2005, na Espanha, pelo belga Filip Eyckmans, inspirado na música e nas atividades praticadas no litoral brasileiro.
 
Com influências brasileiras, inventado na Espanha, por um cara que nasceu na Bélgica, o bossaball foi ganhar popularidade… na Holanda. Lá, são pelo menos vinte equipes que disputam o campeonato nacional. Para se ter uma ideia de comparação, no Brasil o esporte chegou em 2006 e conta apenas com um time, que tenta difundir a prática para mais pessoas e assim conseguir novos adeptos.
 
Uma dessas iniciativas para promover a modalidade ocorreu na semana passada na USP, durante os jogos internos dos cursos de engenharia da universidade. Os estudantes foram convidados a conhecer o esporte e já disputar uma competição. No início, para muitos, foi difícil manter o equilíbrio em cima da quadra inflável e ainda ter que saltar e rebater bolas. Nada que alguns minutos de prática não resolvessem.
 

 

Paixão aos primeiros saltos

Thiago Campoi é o representante do bossaball no Brasil e talvez o cara mais apaixonados pelo esporte no país. Essa história de amor começou em novembro de 2006, em uma seletiva para montar a primeira equipe brasileira de bossaball, realizada em São Caetano do Sul. Ali ele já percebeu que seria difícil largar o novo esporte pelas inúmeras possibilidades de aprendizado.“Quando conheci o bossaball me apaixonei, todos os esportes que eu curto estavam ali. Virei um adepto logo de cara”, revela Thiago.
 
Desde então vem a luta para popularizar o esporte. Em 2007 aconteceu a primeira tentativa em uma turnê por quatro praias do litoral paulista e de lá para cá ocorreram diversos eventos de divulgação, inclusive nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro. A maior dificuldade para que mais pessoas possam conhecer a modalidade é a infraestrutura e falta de patrocínios, empecilhos comuns a vários esportes no Brasil.
 
Segundo Thiago, menos de 15 pessoas praticam a modalidade atualmente no país e há apenas uma quadra inflável oficial. Por conta da falta de apoio e da logística, nunca houve uma apresentação do bossaball fora de São Paulo ou do Rio de Janeiro. “Queremos muito levar o esporte para o Nordeste, pois acho que tem tudo a ver com o clima, mas o custo é muito alto”, lamenta.
 
Existem vários benefícios para quem quer começar a praticar o bossaball. Um deles é o aspecto físico. “A pessoa está em constante movimento durante uma partida. O fato da quadra ser composta por uma cama elástica e uma piso inflável é impossível ficar parado. A composição da quadra também é benéfica, pois os risco de lesão no corpo são bem menores”, explica Thiago que é formado em educação física.
 
Quem for de São Paulo e quiser conhecer o bossaball haverá uma apresentação no dia 31 de maio, no Parque da Juventude, na Zona Norte da cidade. Interessados pode entrar em contato com a equipe do Brasil Bossaball através da página deles no Facebook e no Instagram.
 

Aprenda a jogar bossaball

Como falamos no início do texto, bossaball tem uma regra complexa, mas vamos tentar te explicar um pouco como funciona.
 
O jogo realizado entre duas equipes de cinco jogadores cada. O objetivo é que cada time coloque a bola no campo do adversário. Assim como no vôlei os jogadores não têm permissão para tocar na rede.
 
Um jogador fica na cama elástica e os outros em torno dele. Cada equipe pode dar até cinco toques na bola para devolvê-la para o outro lado da rede. Estes toques podem ser dados utilizando qualquer parte do corpo, misturando vôlei e futebol.
 
Vôlei: Tocando a bola uma única vez de acordo com as regras tradicionais de voleibol. Com as mãos e braços . Não é permitido jogar a bola ou guiar a bola por mais de um segundo.
 
Futebol: Pode tocar até duas vezes na bola. Pode passar a bola com o peito e depois passá-la com a cabeça ou o pé. Qualquer combinação de partes do corpo é permitida, desde que nenhum dos dois contatos é com as mãos ou braços.  Dos cinco contatos máximos, a bola tem que ser jogada pelo menos uma vez usando a técnica do toque de futebol
 
Pontuação com toque de vôlei:
- 1 ponto: quando a bola atinge a área de jogo adversários.
- 3 pontos: quando a bola é jogada diretamente na área da cama elástica do oponente.
 
Pontuação com toque de futebol: 
- 3 pontos: quando a bola atinge a área de jogo adversários.
- 5 pontos: quando a bola é jogada diretamente na área da cama elástica do oponente.
 
Cada partida é dividida em três sets de 21 pontos. Ganha a partida quem vencer dois sets.