Fundador do canal do YouTube também dá dicas sobre vídeos de skate e de manobras

Quando começamos a conversar na semana passada, o videomaker Marcos Paes quebrava o protocolo tradicional de uma entrevista, introduzindo uma questão: “Você vai me perguntar ‘o que é a Conspiracy?’’, para logo em seguida ele mesmo responder, aos risos: “Eu não sei!”

Como o jornalismo nos dá essa tarefa de descrever as coisas por meio das palavras, vou arriscar: o Conspiracy é tipo um coletivo dos amantes do longboard – liderado por Paes, Andre Jones e Andre Molnar –  que se reúne no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, aos finais de semana.

O objetivo é um só: andar e fazer manobras nos skates de shape longilíneo, geralmente com 40” ou mais de comprimento. Tem um pouco de trabalho social, já que esse crew organizou arrecadações para a Campanha do Agasalho e outras ações. E, ainda que existam os entraves do tipo comprar longboard – mesmo com a crescente popularidade desse estilo, um bom shape, rolamento e rodas saem um pouco caro -, o senso de comunidade da Conspiracy é alto: todos se ajudam. “Nem todo mundo tem grana, muita gente mora longe, então a gente dá uma força sempre que dá”, disse Paes.

Rolê de Natal com o Conspiracy no Villa-Lobos (Crédito: Marcos Paes/Conspiracy)

Rolê de Natal das minas com skate long junto com o Conspiracy no Parque Villa-Lobos (Crédito: Marcos Paes/Conspiracy)

Tudo bem descentralizado e descompromissado, certo? Certo. Mas, de cinco anos para cá, a Conspiracy cresceu, ganhou forma, seguidores (de idades que variam entre 10 e 56 anos) e campeonatos. Certa reputação chegou a partir daí. Uns vídeos de skate maneiros – mezzo caseiros, mezzo profissionais – saíram do forno.

Os filmes curtos, descontraídos e divertidos tinham um “toque de Midas”, já que Paes já tinha trabalhado com vídeos no passado. Bombaram com a força surreal de propagação do YouTube. As noções de fotografia ajudaram a alavancar o conteúdo que, essencialmente, aborda tutoriais de manobras com longboards.

 

 

Se o pessoal do street (a modalidade do skate com shape mais curto, por volta de 32”) mantém certo receio, deveria olhar o long com outros olhos, porque a evolução do rolê é constante. Talvez os exemplos mais claros disso sejam o pentacampeão mundial da modalidade downhill slide, Sergio Yuppie, e o atleta profissional Danilo da Silva, o Kako (que anda junto com o pessoal da Conspiracy e, atualmente, detém cinco patrocínios diferentes).

 

 

Quem mora em São Paulo ou está de visita pela cidade e quer arriscar umas manobras com o pessoal da Conspiracy pode colar no Parque Villa-Lobos aos sábados e domingos – eles ficam numa árvore ali pela Ilha Musical (item 18 do mapa).

Já aqueles que precisam de dicas para compor bons vídeos de skate – seja long, street, outra modalidade ou mesmo outro esporte de aventura – Marcos Paes separou uns toques valiosos para a gente, se liga:

Escolha uma boa câmera para filmar

Se você for fazer uma manobra para mostrar aos amigos no Whatsapp, use o seu celular.

Agora, caso a intenção seja fazer um filminho mais bacana para exibir no YouTube, tenha em mente que a) a qualidade da imagem é fundamental para atrair visitantes; b) uma vinheta longa, de 20 segundos, espanta qualquer usuário – as pessoas se entediam rápido na internet!

Quanto à câmera, uma abertura do diafragma decente para acertar bem a luz do seu vídeo é essencial.

Paes diz que o pessoal da Conspiracy costuma usar uma trinca da Canon: os modelos T3i, T2i e 70D.

Se você usar a GoPro, use tutoriais para ajustar as cores na hora de editar o seu material – tem aos montes dentro do próprio YouTube.

Daí você escolhe boas lentes

De que adianta ter uma Ferrari se não rola combustível, certo? O princípio aqui é o mesmo. Você pode optar pela lente mais básica que vem com a câmera, que é a 18-75 mm, a 50 mm 1.8 (um pouco mais em conta, fácil de usar e que garante ótimas imagens) e a 8mm (que é um pouco mais cara e difícil de manusear, então é bom ter um pouco de experiência e ver uns tutoriais na internet antes de fazer seu vídeo de skate).

Use seus instintos

Lá na Conspiracy o pessoal não usa roteiro, então a coisa fica mais leve, mais divertida e improvisada. Isso dá um pouco do espírito do it yourself da parada. Sua linguagem é o que importa – mas, se você vai só gravar as suas manobras, solta um som e não precisa nem falar, certo? :-)

Pense nos seus planos

Parece coisa boba, mas muita gente não faz um planejamento básico do que vai captar. Isso é um princípio básico da fotografia. “Fazer leitura rápida sobre os tipos de plano, tirar informação desnecessária da imagem, compor essa imagem, usar a luz, o pôr do sol, e por aí vai. Não precisa usar tripé, mas não tremer é fundamental. Pense nas coisas básicas para mostrar que seu vídeo de skate é importante”, diz Paes.

Fique sempre na posição correta para garantir a filmagem da manobra de skate

Se o cara/a menina está com a base no lado direito (goofy), você fica do esquerdo para captar a manobra frontalmente. Se é regular (ou seja, do lado esquerdo), você fica no direito para a filmagem frontal. Caso a manobra inverta a base do skate, se mantenha ou inverta o lado para acompanhar o flow e evitar de filmar o que não tem nada a ver.

Deu para sacar? Enfim, os resultados são esses que você viu antes e confere abaixo. Longa vida à família Conspiracy – e que pipoquem outras iniciativas tão bacanas quanto essa.

 

 

 

 

 

 

 

 

(Na foto que abre a reportagem, Danilo da Silva, o “Kako”, voando alto no flip e tirando onda no longboard de 40″. Crédito: Marcos Paes/Conspiracy)