Não é nada fácil praticar este esporte de ação nas grandes cidades brasileiras

Tudo que é novo e desconhecido assusta. Ver uma pessoa pulando em queda livre de um prédio com vários metros de altura, realmente, não é algo muito comum de se ver. Essa é a nossa explicação para dificuldade que temos em obter autorizações para eventos de BASE Jump. Ainda rodeia no pensamento de muitas pessoas e possíveis patrocinadores o estigma de esporte mortal que o BASE carrega ao longo dos anos.
 
Este esporte, ainda visto com olhos preconceituosos, surgiu entre os anos 1960 e 1970. Somos, então, praticamente a segunda ou terceira geração a praticá-lo. O número de atletas em todo o mundo é muito pequeno e no Brasil a quantidade de pessoas que pratica é ainda menor. É provável que, somados, não cheguemos a uma centena. 
 
Não existe no país regulamentação para os saltos de BASE, não existe uma federação ou um código esportivo como existe no paraquedismo. Esse é mais um dos motivos que dificultam na hora de conseguir uma autorização para realizar os eventos.
 
Uma das maiores dificuldades para propagação do BASE Jump, além de ser um esporte pouco praticado, é o desconhecimento do público. É muito comum ver surgir uma série de interrogações nos rostos das pessoas quando falamos que fazemos saltos do alto de prédios, montanhas e antenas. 
 
Quem relata muito bem essa realidade é Murilo Barros, organizador do evento de Base Jump Desafio das Américas, realizado em 2014 e 2015. O que antes parecia impossível aconteceu depois de muito esforço. Em plena Brigadeiro Faria Lima, uma das mais importantes avenidas São Paulo, Base Jumpers de lugares diferentes do nosso continente estavam saltando do topo de um alto edifício paulistano.
 
“A proibição e não autorização faz com que o nosso esporte fique ainda mais perigoso. Temos que correr para fazer os nossos saltos. Se conseguíssemos as autorizações, teríamos muito mais tempo para subir com calma em um edifício e analisar as condições do vento, por exemplo”.
 
A falta de conhecimento e a forma com que o BASE é divulgado na mídia também atrapalha no momento de conseguir as autorizações, segundo Murilo. “É dito que a cada cinco atletas de BASE, um morre em saltos e não é bem assim. Como todo esporte de ação, tem seus riscos, mas é como o automobilismo: se for feito de forma segura diminui muito a probabilidade de acidentes”.
 
Quando vemos essa desconfiança por parte das pessoas que não conhecem nosso esporte, explicamos que o salto é feito com paraquedas e de objetos fixos, mas mesmo assim boa parte delas me imagina saltando com um elástico preso aos pés, confundindo o BASE com o Bunguee jump. E mesmo as que conhecem, normalmente acham coisa de gente maluca.
 
Sendo pouco conhecido e tido como coisa de maluco, o nosso esporte encontra barreiras enormes para crescer e conseguir autorizações para eventos. Fora do Brasil, a prática é um pouco mais difundida e os eventos já rolam há algum tempo e com uma certa frequência. Exemplos disso são o KL Tower, uma torre de TV em Kuala Lumpur na Malásia, o SIBU Base jump, também na Malásia e o Campeonato de BASE Jump no Benidorm Palace Hotel na Espanha.