“No Brasil não tem neve, como vamos fazer Snowboard?”

Provavelmente essa pergunta levantou a questão de que era impossível praticar esse esporte em nosso país tropical, certo? Errado! Temos areia e dunas, e elas vão nos deslizar rumo à glória.
 
Criado em 1986 na bela Florianópolis, ou Floripa para os íntimos, o novo esporte surgiu como alternativa para os surfistas nos dias em que o mar não estava amigável para surfar. Do tipo sem ondas, poluído além da conta, com visita de tubarões ou com ondas que te levariam pro outro lado da vida, literalmente. Era também uma maneira de ensinar surfistas antes de encarar o mar.
 
A organização Dune Riders International tem em seus arquivos registros sobre antigos egípcios e outras culturas que deslizavam sobre as areias em pranchas de madeira e cerâmica. Há também fotografias em preto e branco datadas da época da segunda guerra mundial com soldados praticando algo similar ao que viria ser o sandboard.
 
Porém, José Eduardo Wentz Neto, presidente da Associação Cultural e Desportiva de Sand & Snowboard, confirma que realmente o sandboard tomou legitimidade pela família Lazarette que também foram pioneiros nesta área criando as competições no sul do Brasil. Então, é mais um ponto pra gente. Criamos a aviação e o Sandboard. Aceita que dói menos.
 
Nos primórdios foram usados desde pedaços de pranchas velhas aos lúdicos papelões para escorregar nas ondas de areia. Depois de um tempinho foi criado o modelo oficial que lembra muito o de seu parente gelado feito especialmente para os “surfistas” do gelo. Não demorou a serem encontrados modelos feitos com fibra de carbono. Que belo progresso!
 
Nos últimos tempos, o lance improvisado foi aclamado como esporte e tem agregado grande número de praticantes, não só os que tiram onda, mas de profissionais que fazem do sandboard um meio de vida. O jovem esporte é praticado em vários países como Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Austrália e África do Sul.
 
No sandboard existem quatro tipos de competições:
 
Big Air: Nessa modalidade de saltos com manobras, o campeão é aquele que conseguir dar a manobra mais radical. Esta categoria é a especialidade do brasileiro tetracampeão mundial Digiácomo Dias.

Foto: divulgação.

Slope Style: Nessa modalidade, semelhante ao street do skate, vence aquele que se sair melhor no percurso com rampas e corrimões.

Foto: Divulgação.

Boardercross: É uma corrida entre quatro atletas em um percurso com obstáculos, rampas e curvas fechadas. Vence aquele que chegar primeiro.

Foto: Pamelita.

Slalom: É uma descida de velocidade, com o percurso marcado por bandeirinhas que devem ser contornadas.

As manobras são divididas em grupos conforme suas principais características, são elas:
 
Rotação: são aquelas em que os movimentos ocorrem no plano transverso sobre o centro de gravidade.
 
Grabs: Manobra em que o atleta segura a prancha com uma ou ambas as mãos.
 
Flips: São aquelas em que os movimentos ocorrem no plano sagital e no plano sagital sobre o centro de gravidade. Como um salto mortal.
 
Rails: Manobras em que o atleta desliza com sua prancha sobre uma superfície lisa, como por exemplo, um cano ou um ferro. Mais uma herança do skate.
 
Assim como todo esporte que se preze, o sandboard também tem seu “Tony Hawk”. Ele atende pelo nome do brasileiro Digiácomo Dias. Considerado o maior nome de todos os tempos nas pranchas de areia. Sendo tricampeão mundial e tetracampeão sul americano.
 
Digiácomo nasceu em São Paulo, mas mudou para Florianópolis e tornou-se destaque no cenário nacional e é referência para muitos iniciantes.

E claro, existem os campeonatos em que participam atletas do mundo todo responsáveis pelo desenvolvimento de manobras e que sempre unem os fãs do esporte. Atualmente, pouquíssimos atletas vivem hoje da profissionalização do sandboard, devido a pouca divulgação e investimento neste esporte quando comparado a mais antigos como surf e skate.
 
Apesar desse quadro, posso citar eventos de grande porte como o Campeonato Mundial na Alemanha, no Monte Kaolino, e o Sand Master Park, em Florence, Oregon (EUA). Ano passado ocorreu o Campeonato profissional  Sandboard World Tour 2016 no Oasis Huacachina (Peru) e reuniu atletas de diversas partes do mundo buscando pontos para entrarem, e se manterem, no ranking mundial. Dando ainda mais legitimidade e força aos praticantes do sandboard.
 
Para 2017 está rolando o Dune Riders International que vai passar por países como Chile, México, Peru e Estados Unidos de fevereiro a novembro. Se você virou um simpatizante finalizando essa matéria, acompanhe, apoie e pratique seus escorregões nas areias escaldantes desse Brasil.