Na coluna desta semana as BASE Ladies voltam a tratar dos cuidados durante os saltos

Em nossa última coluna começamos a falar de um assunto polêmico. A pesquisadora Paula Sibilia diria que se trata de um tabu maior que sexo: a morte. 
 
Falar de BASE jump parece trazer junto um certo ar kamikaze. Para alguns é sinônimo de não sair ileso, sem pelo menos alguns ossos quebrados, como afirma Jeb Corliss no documentário 20 Seconds of Joy, sobre a vida de Karina Hollekim. Mas será mesmo? Será que ao praticar um esporte nos entregamos ao infortúnio de um destino pré-determinado?
 
Para tentar responder a essa pergunta, fomos buscar na história do BASE jump seus pioneiros e descobrir de onde surge este estigma. Considerando a história mais recente, quando se começa a dar nome para o que se está desenvolvendo e criar equipamentos específicos para a atividade, encontramos a Marta Empinotti. 
 
Estamos falando da década de 1980 nos Estados Unidos, quando essa mulher, brasileira, nascida no estado do Rio Grande do Sul se torna imigrante para viver a vida de paraquedista e acaba se tornando uma pioneira, criadora, desbravadora do BASE jump. Naquela época não se falava nem em ter instrutores, muito menos em escolas de BASE, como já encontramos hoje em dia, inclusive no Brasil. Era você, um amigo com um par de saltos a mais, a quem chamava de mentor, a curiosidade, a fúria e... boa sorte. 
 
Se hoje podemos encontrar parâmetros que fazem dessa uma atividade relativamente segura, é porque naquela época houve diversos experimentos empíricos, elaborados pelas mentes criativas e ultra-valentes que inventaram o esporte. Marta não apenas ajudou a inventar equipamentos seguros que atendem à necessidade da prática, ela ainda é praticante ativa, pilota de teste de equipamentos, instrutora e este ano completa 30 anos de saltos sem nunca ter quebrado uma unha em decorrência do esporte!
 
Mas durante essas três décadas, são incontáveis a quantidade de amigos e conhecidos que se foram desse para um outro mundo praticando o BASE jump. Marta é um exemplo de que tomando os cuidados necessários e sabendo todos os riscos que existem em um salto, a probabilidade de acidente cai consideravelmente.  Utilizando todo o conhecimento gerado durante esses já mais de 50 anos de esporte é possível acabar com esse estigma e diminuir a estatística de tragédias e mortes.