Bati um papo com a Larissa Giuriatti, estilista especializada em jeans e pós-graduanda em Estética e Gestão de Moda pela Universidade de São Paulo (USP), para ter uma reflexão sobre a – cada vez mais comum e radical – abdicação das tendências de moda ser ou não um estilo.

A estilista Larissa Giuriatti
 

As tendências ao volátil e líquido

Para adentrarmos ao tema, é importante compreender as relações sociais e como construímos nós mesmos partindo delas. A moldagem do “eu”, que se torna cada vez mais atraente em abordagens tanto éticas quanto estéticas, sobressai do coletivo e redescobre uma sociedade de tradições cada vez mais enfraquecidas e novas propostas de estilo de vida aparecem tão comumente quanto a troca da nossa roupa íntima. 
 
A estética – ou a falta dela – é fator determinante no conhecimento de si e no critério de necessidade disso.
 
 

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Manutenção do estilo de vida

Depois do reconhecimento de si a partir do mundo, é perceptível que a liquidez da sociedade afeta diretamente quem somos, e aí se inicia – a incessável – manutenção do próprio estilo de vida com as ferramentas que tivermos ao nosso alcance. 
 
A moda, e todas as suas tendências, entra nesse processo oferecendo a autorrealização pela estética.  Uma concepção clássica de que somos telas brancas em busca de formas e cores é a mais óbvia para os apaixonados por tudo o que esse mundo de tecidos e tons tem a oferecer. 
 
“Nós vivemos cercados por produtos e serviços que foram pensados, desenhados, idealizados e criados para serem funcionais e consumimos isso de diversas maneiras. A moda é mais um deles e, como uma vertente do design, carrega em si muita simbologia e referencial semântico para a construção dessa identidade, dessa formação do ‘eu’.”
 
 

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Autoafirmação de não ter estilo

Dizer que não segue ou apoia a indústria da moda faz com que essa pessoa carregue o peso dos pensamentos éticos e sociais coniventes com esse comportamento, um estilo (de se vestir e de vida). Porém, abdicar das tendências não inibe a análise do outro sobre o seu “eu”, pois a análise de tudo o que você transparece, da vestimenta à fala, é constante. 
 
“Você pode até não consumir grifes ou ter peças caras no seu guarda-roupa, mas isso não quer dizer que você não está consumindo moda ou criando um estilo.”
 
 

Calcium by @michelgaubert #Structuredmag

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Os graus dessa privação da moda existem em diferentes níveis, dos totalmente negados às tendências aos adeptos do minimalismo, de N razões estéticas e/ou éticas o mundo se renova com a pluralidade de ser quem é, mas sempre com um estilo – mesmo