A música sempre foi uma válvula de escape social, hoje no Brasil muitos músicos levam a militância a sério, retratam e lutam contra problemas sociais. Machismo, transfobia, homofobia, gordofobia e tantas outras formas de discriminação, são tema de luta nas músicas e performances desses artistas:

 

Linn da Quebrada 

"Bicha, trans, preta e periférica. Nem ator, nem atriz, atroz. Performer e terrorista de gênero"
 
2017 foi o ano dela! No começo do ano participou de uma das mais famosas edições do programa Global “Amor e Sexo” sobre identidade de gênero. Com o lançamento de seu novo álbum “Pajuba”, Linn recebeu mais visibilidade, chegou a posar com a Diva Elza Soares para a Serafina.
 
 
Confesso que não conhecia a música da Linn, quando me vi no meio do show dela em pleno carnaval no começo de 2017, em São Paulo o carnaval de rua se tornou um evento bem grande, em meio a bagunça toda da festa comecei a me atentar ao que dizia a cantora no trio:
 
“Que eu sou uma bicha, louca, preta, favelada.
Quicando eu vou passar e ninguém mais vai dar risada”
 
Entre brincadeiras, trocadilhos, Linn gritava “O Brasil é o país que mais mata travesti no mundo”. Era tudo junto, divertido e chocante. Assim é todo o seu trabalho, a militância de Linn é pela liberdade de gênero. Imagina que essa mulher nasceu na periferia de São Paulo e cresceu testemunha de Jeová! Assumidamente uma mulher trans, Linn luta contra os padrões tradicionalistas através da sua música e discurso militante.
 

Liniker

“Posso ser uma mulher de barba que usa batom”
 
Liniker é uma cantora de Soul que exprime todo o seu romantismo junto a sua banda Liniker e os Caramelows. Ela se identifica como não binária, ainda que prefira o pronome feminino "Acho mais amplo. Dizer ‘ele’ me deixa muito na caixinha do masculino”. Suas letras tão explícitas quanto as de Linn, ela é mais romântica, mas diferente de muitos outros artistas lgbt, não fala de romances heterosexuais em suas músicas 
 
“Baby, eu já cansei de me esconder 
Entre olhares, sussurros com você 
Somos dois homens e nada mais”
 
Como uma pessoa que não tem medo de demonstrar seus afetos, Liniker causou comoção nas redes sociais, ao beijar o cantor Johnny Hooker em pleno show do Rock in Rio; "Falar de afetividade e amor é muito importante"
 
 
Liniker não tem medo de militar. Ganhou visibilidade ao lançar o clipe Zero, em que aparece de saia, batom, brincos, salto e turbante. Ela trouxe para a sua arte o visual em que se sente confortável na vida e assim continua.
 

Karol Conka

“Vou fazer Rap e ser mulher”
 
Karol cresceu numa região humilde de Curitiba, teve um filho aos 19 e acreditou que todo o seu sonho tinha acabado ali, que ela deveria deixar tudo e cuidar da casa e do filho. Por dois anos foi isso o que fez, mas logo viu que tinha mais a oferecer. Depois de muitos trabalhos soltos, o Rap “Tombei” lhe rendeu o Prêmio Multishow de Artista Revelação e seu discurso feminista foi ouvido por todo o país
 
“Causando um tombamento
Também tô carregada de argumento 
Seu discurso não convence, só lamento
Segura a onda, senão ficará ao relento”
 
Desde então traz em suas composições temas de importância na causa, vem quebrando tabus, seu último single  polêmico foi lançado esse ano, em “Lalá” ela fala livremente sobre sexo oral para mulheres.
 
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Em sua parceria com Mc Carol, seu Rap se junta ao funk para falar sobre o machismo enraizado na cultura, na convivência com a violência contra a mulher desde cedo. 
 

MC Carol

“Eu nasci feminista”
 
No começo de 2016, em pleno LollaPalooza o DJ Diplo (que usava o nome de Wesley Safadão na época, como homenagem aos cantores que conheceu no Brasil) parafraseou uma de suas músicas e causou alvoroço na internet:
 
 
Do proibidão à militância, Carol é uma mulher negra, gorda e periférica. Começou cantando historias da sua vida, um dos seus singles mais famosos é sobre sua vó.
 
“Minha vó ta maluca
Tanta coisa pra comprar ela comprou uma peruca 
Minha vó ta maluca
Deu cento e vinte na peruca”
 
Diz ela que a história realmente aconteceu! Muito além dos funks satíricos, MC Carol em seu último álbum trata de feminismo, racismo entre outros “tabus” históricos. Tendo uma de suas músicas até sendo analisadas por professores de história, em “Não foi Cabral” ela questiona a glamourização do descobrimento do país. Ela também é bem ativa nas redes sociais, respondendo a altura os haters gordofóbicos, e provando que não há nada de errado com sua imagem. E para provar, MC Carol foi a estrela do desfile do LAB Fantasma desse ano na São Paulo Fashion Week.
 
 

Rincon Sapiência

“Desejo vida longa à nossa voz ativa”
 
A cultura do MC ainda vive, se depender dele. Rincon Sapiência traz de volta aquele rap do brooklyn,influências das músicas africana, eletrônica, jamaicana, do samba e do rock , suas rimas trazem muita política, valorização da afrodescendência, vida na periferia e apoio ao feminismo.
 
“Meu verso é livre, ninguém me cancela 
Tipo mandela saindo da cela”
 
Rincon, rapper da Zona Leste de São Paulo, já está na estrada há 17 anos, mas foi seu último álbum que ganhou grande destaque entre os críticos. O disco “Galanga Livre”conta a história de um escravo que foge do engenho depois de matar o senhor, nessa corrida ele passa por diversas experiências, um “Django livre” contemporâneo. O herói sonha em fugir da senzala e vestir um Herchcovitch.
 
O Rapper nesse ano, foi o grande vencedor do SuperJúri, prêmio do Multishow, nas categorias "Melhor Produtor", "Melhor Capa de Disco" e "Artista Revelação”.
 
 
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