O Brasil é um país multicultural, cheio de estilos variados. Por isso, é de se esperar que nossa moda seja tão diversa, com várias inspirações estrangeiras, que só se diversificaram com o decorrer do tempo. Esses traços começaram desde a colonização e se alteram até os dias de hoje, em que já não é tão fácil bater o olho e identificar claramente de onde vem cada referência como antigamente.

Confira abaixo de onde vieram as principais tendências da moda brasileira!

 

Influência portuguesa

Com a colonização do território brasileiro por volta de 1530, os portugueses foram o povo precursor a estabelecer uma forma de vestir, que se difundiu como moda pelo país. Como eles já vieram com padrões baseados no estilo popular da Europa, logo foi percebida uma necessidade de readaptar algumas roupas, pois os trajes europeus habituais não eram adequados ao clima quente do Brasil. Naquele tempo se usavam muitas camadas de tecido, luvas e corpetes bem justos. As matérias-primas variavam de acordo com cada classe social.
 
Carmen Santos interpretando a poetisa brasileira Bárbara Heliodora no filme Inconfidência Mineira, que se passa no século XVIII.
 
Durante os séculos XVII e XVIII, os estilos Barroco e Rococó prevaleceram, com referências predominantes nas roupas da alta sociedade francesa, que os portugueses traziam e em geral buscavam apropriar à temperatura do Brasil. Foram destaques peças com bastante utilização de renda e cetim, mangas bufantes e decotes ombro a ombro faziam sucesso com o público feminino. Já os escravos e as classes mais baixas da sociedade vestiam versões bem simples e rudimentares dos trajes.
 
A atriz Zezé Motta no papel de Chica da Silva, escrava que, ao ser libertada, conquistou uma posição de requinte na sociedade.
 
 

Influência grega e italiana

No século XIX (1801 a 1900), o Brasil recebeu a corte imperial portuguesa, que trouxe consigo algumas inovações na forma de vestir. Foi introduzido o estilo Neoclássico, que mesclava referências da antiguidade grega e do renascimento italiano. Os vestidos passaram a incorporar a marcação da cintura logo abaixo do busto, perderam um pouco de volume e aumentaram os decotes. Já os penteados remetiam às estátuas de ídolos e deuses gregos, com cabelos presos e delicadamente adornados. 
 
Retratos de Carlota Joaquina, imperatriz consorte do Brasil, e de sua mãe Maria Luisa de Parma, rainha consorte da Espanha.
 
 

Influência inglesa

Em se tratando da moda masculina no século XIX, a influência vinha da alfaiataria inglesa, que popularizou o "dandismo" como uma moda elegante e moderada, utilizando peças como coletes, casacas, calças justas e cartolas. Os dândis eram considerados aristocratas com grande senso estético que, mesmo tendo rompido com a vistosidade do rococó para aderir a visuais mais sóbrios, demonstravam possuir uma atenção excessiva com suas aparências.
 
Na esquerda, o jornalista Paulo Barreto, conhecido como João do Rio, e, à direita, Dom Pedro I, imperador do Brasil.
 
Com a ascensão da Rainha Vitória ao trono no Reino Unido, o estilo vitoriano também chegou a influir na moda brasileira. Os vestidos se tornaram mais conservadores e puritanos para as mulheres, com decotes fechados e com a divisão da cintura voltando para o lugar de origem.
 
Princesa Isabel do Brasil na primeira foto e ao lado ela com Dom Pedro II.
 
 

Influência francesa

Em 1920, as fazendas de café começaram a render bom retorno financeiro, o que favoreceu a jovens da alta sociedade a viajar para estudar na Europa. Com esse movimento, eles trouxeram algumas tendências de moda para o Brasil. As brasileiras aderiram à figura da "melindrosa", que surgia da França, introduzindo um novo padrão estético para a mulher moderna. É abolido o uso de espartilho, assim como também já não há uma demarcação na cintura, fazendo com que a silhueta dos vestidos fosse reta e não curvilínea, além do comprimento deles subir para os joelhos. O corte de cabelo chanel também se tornava uma marca registrada do estilo.
 
A moda masculina dessa época tinha o terno como vestuário essencial, elaborando um visual bem clássico para o homem. No Brasil, também foi muito utilizado o chapéu de palha velejador ou o modelo fedora para compor o look.
 
A personagem Lu, interpretada pela atriz Bruna Lombardi na minissérie Memórias de um Gigolô, traz referência do estilo de uma melindrosa no Brasil.
 
 

Influência norte-americana

Por volta dos anos 40, em pleno século XX, os filmes de Hollywood passaram a ser forte referência para a moda no mundo, disseminando um estilo repleto de glamour e sensualidade, que exercia sua influência pelo Brasil também. Algumas atrizes, como Rita Hayworth, Marilyn Monroe e Ava Gardner (fotos abaixo), serviam de inspiração para as mulheres.
 
 
Com a Segunda Guerra Mundial, surge na moda feminina a necessidade de adotar o uso de calças para o dia a dia, pois agora a mulher passava a entrar com afinco no mercado de trabalho, principalmente em fábricas, exercendo cargos operacionais, nos quais anteriormente apenas homens podiam atuar. Para isso, as calças foram inseridas nos guarda-roupas femininos, não apenas para facilitar os movimentos das moças, como também por segurança no ambiente de serviço, uma vez que vestidos e saias poderiam causar acidentes se prendessem às máquinas.
 
Anúncio de jornal com modelos de calças e macacões para mulheres que trabalhavam fora de casa.
 
 

Uma moda puramente brasileira

Ainda nos anos 40, surge finalmente a primeira referência de moda brasileira a se destacar internacionalmente. A cantora e atriz Carmen Miranda faz sucesso ao popularizar a fantasia estilizada de baiana, criada pelo artista gráfico Alceu Penna. O visual suavizava a imagem da baiana do candomblé, a qual era atribuída marginalidade, para, a partir de então, se tornar símbolo de alegria e brasilidade.
 
 
Ainda que estivesse lançando apenas um traje para carnaval e festas temáticas, o “Miranda Look” acabou fazendo a cabeça das mulheres e adaptado para usar em qualquer lugar e momento. Essa moda latino-americana se espalhou para fora do Brasil, inclusive sendo utilizada por ícones do cinema internacional.
 
Elizabeth Taylor, Sophia Loren e Greta Garbo adotaram o estilo de Carmen Miranda.
 
 
Fotos: Cinemateca Brasileira, Rede Globo, Divulgação