A moda não é feita apenas para vestir ou ditar tendências, ela também é um ótimo recurso para trazer à tona realidades sociais e fazer pensar sobre determinados assuntos. É com essa premissa que alguns estilistas resolveram incorporar em seus desfiles temáticas relacionadas à imigrantes e suas origens, abrindo os olhos para as dificuldades pelas quais refugiados passam e colocando eles sob os holofotes da passarela.

 

Anniesa Hasibuan

 
Anniesa Hasibuan é uma estilista muçulmana que se destacou como a primeira designer a utilizar hijabs em uma coleção na Semana de Moda de Nova York em 2016. Sem perder a linha de pensamento e refletindo em cima do decreto sancionado pelo presidente Donald Trump, que proíbe a entrada de estrangeiros de origem muçulmana nos EUA, a designer resolveu convidar apenas modelos imigrantes ou filhas de refugiados para desfilar em sua segunda participação na Semana de Moda americana. 
 
 
Para Anniesa, a moda é uma área que deve ser livre de discriminação e um lugar em que as mulheres podem procurar empoderamento independente de sua descendência, nacionalidade ou religião. A coleção apresentada salientava o quanto uma mulher muçulmana pode ser moderna e estilosa mesmo usando visuais tradicionais e mais conservadores. O hijab seguiu sendo sua marca registrada na passarela.
 
 
 

Ronaldo Fraga

 
Na 41ª edição da São Paulo Fashion Week, o estilista mineiro Ronaldo Fraga apresentou uma coleção muito especial, que tinha como tema uma homenagem a refugiados e africanos, também criticando a intolerância contra imigrantes, que ocorre tanto em países europeus como no Brasil também. Após uma temporada viajando pela África, o designer trouxe uma bagagem inteira de inspirações das experiências que viveu por lá e buscou traduzir nos looks a ideia do que as roupas simbolizavam para as pessoas refugiadas, que saíam de suas terras natais apenas com o que estavam vestindo.
 
 
O trabalho apresentado na passarela era muito completo porque, além do vestuário com referências étnicas, as maquiagens e cabelos trançados dos modelos eram inspiradas em visuais de moçambicanas que se refugiaram na Europa. Cada penteado era único. 
 
 
Fraga também chamou cinco imigrantes refugiados (foto acima) para desfilar sua coleção: Nour Koeder da Síria, Alassane-Diaw do Senegal, Fanny Mudingayl do Congo, Leon Diab da Palestina e Nawras Alhaiabi que também é sírio.
 
 

Raquel Davidowicz

 
Filha de imigrantes, a designer Raquel Davidowicz abriu o terceiro dia da 43ª São Paulo Fashion Week à frente da grife UMA, introduzindo o tema “Origem” na passarela, com uma coleção inspirada em estrangeiros e na diversidade cultural. O local escolhido pela estilista para desenvolver o seu desfile foi justamente pensado em cima de sua abordagem. Levando em consideração que o Brasil ainda é visado por muitos refugiados que pedem abrigo, o Museu da Imigração acabou sendo seu palco. 
 
 
Nos looks, há muitas sobreposições, combinações de tecidos diferentes, com destaque para o tricô na composição de algumas peças e acessórios. Além da temática da coleção, Raquel apresentou um casting de modelos bastante variado, sugerindo que cada pessoa é imigrante de algum lugar porque entre os brasileiros há diversas descendências.
 
 
 

Antonio Miró

 
Antonio Miró é um estilista espanhol que polemizou durante a terceira edição do Passarel.la Barcelona por ter levado oito imigrantes ilegais senegaleses para desfilar alguns looks de sua coleção. Apesar de ter recebido muitas críticas por usar os modelos africanos de origem humilde para vender suas criações, Miró defende que sua ideia era alertar sobre o cenário precário dos imigrantes ilegais em seu país.
 
 
Na passarela também havia uma peça artística no formato de um barco, que fazia alusão aos “cayucos”, embarcações que levavam imigrantes africanos para a Espanha, e nas quais muitos refugiados acabavam morrendo pela viagem desprovida de recursos para sobrevivência e por possíveis naufrágios.
 
 
 
Fotos: Agência Fotosite, AgNews,  AFP, Angela Weiss, Getty Images, Kshoot e Zé Takashi