Liberdade é uma temática que pode ser bastante abrangente e gerar vários questionamentos quanto ao seu alcance na sociedade. Os desfiles abaixo abordaram o tema justamente com a intenção de provocar o debate quanto a liberdade das pessoas de serem quem bem entenderem, começando pelo ato de vestir.

 

Valentim Quaresma

O estilista português Valentim Quaresma lançou em outubro de 2016 a coleção primavera-verão chamada Ruptura, no Páteo da Galé. Seu trabalho tem como temática a liberdade de pensamento e movimento em processos criativos ao elaborar um produto de moda, se desprendendo de amarras ditadas por tendências e rompendo com formas pré-definidas de "como criar", que são estabelecidas pelo meio acadêmico. 
 
 
Fazendo bastante uso de materiais como correntes e tiras de couro, a coleção de Quaresma também sugeria uma liberdade ligada à ousadia dos looks. Os acessórios curvilíneos contornavam os corpos dos modelos, flertando tanto com a sensualidade, quando confeccionados em tons escuros, como com o romantismo, ao serem representados em dourado.
 
 

LAB

Na 44ª edição do São Paulo Fashion Week, a marca LAB, criada pelos irmãos Emicida e Fióti, apresentou na passarela sua terceira coleção, com o nome de Avuá, fazendo uma relação com o voo dos pássaros (estampa recorrente em algumas peças). Os looks intencionavam transmitir uma sensação de liberdade para o público, principalmente ao enfatizar composições bem diferentes umas das outras.
 
 
Roupas oversized demonstravam uma certa liberdade do corpo, de se proporcionar conforto sem perder o estilo. Outros visuais eram montados com combinações entre peças típicas da cultura hip-hop e alfaiataria, passando a impressão de uma autonomia e independência do ser, que pode existir da forma que ele desejar.
 
Além dessas vertentes de significados, na passarela reinou a diversidade com modelos muito variados, trazendo muita representatividade aos holofotes do SPFW com pessoas de diferentes etnias, plus sizes, transexuais, entre outros.
 
 

Ellus

 
A Ellus chamou atenção na 43ª edição da São Paulo Fashion Week introduzindo na passarela um desfile voltado para a liberdade sexual e de expressão. Além de trazer visuais bem rock'n'roll, a marca criticou o sexismo da sociedade ao apresentar um mesmo look em modelos de sexos diferentes (Filipe Hilmann, representando o masculino, e Rebecca Gobbi, o feminino). 
 
 
Idealizada pelos estilistas Adriana Bozon e Rodolfo Souza, em  apoio ao movimento #freethenipples (libertem os mamilos), a forma de protesto contra imposições de gêneros foi exibida no fato de ambos os modelos estarem descobertos da cintura para cima, colocando em evidência a diferença de pensamentos que são direcionados para tal ato, tendo o corpo à vista do homem como uma imagem totalmente normalizada e o da mulher como uma ação polemizada.
 
 
Fotos: Agência Fotosite, Rui Vascco (ModaLisboa), Carolina Guidi