Com a situação do seu país em crise e sofrendo um preconceito dos próprios conterrâneos por serem considerados de raça diferente, muitos bolivianos de origem andina vêm para o Brasil trabalhar em confecções de roupas. Uma grande parte de vezes, infelizmente, acabam atuando sob condições de trabalho lamentáveis.

 
Bolivianos aparecem há anos na lista dos principais estrangeiros imigrando para o Brasil. Diferente de outros povos, o destino principal deles é São Paulo, onde grande parte se concentra trabalhando em confecções de costura. Escondidos no submundo da moda, estima-se que existam 100 mil bolivianos trabalhando em condições análogas à escravidão em 8 mil confecções na capital paulistana, um número assustador e difícil de ser mensurado com exatidão devido a ilegalidade do setor. 
 
Segundo relatos, já existem até cursos rápidos preparatórios para esse tipo de trabalho na própria Bolívia. O que ninguém se prepara, porém, é para trabalhar por horas intermináveis e ser obrigado às vezes a morar no mesmo quarto com mais dezenas de pessoas no próprio local de serviço.
 

Legislação Brasileira protege trabalhadores estrangeiros

 
 
Como a maioria dos estrangeiros vem para o Brasil de forma irregular, eles possuem um certo medo de fazer algum tipo de denúncia contra as formas de trabalho, para não serem punidos ou até mesmo deportados. O que a maioria não sabe é que a legislação brasileira protege o trabalhador estrangeiro, mesmo que este viva de forma irregular no país. A jurisprudência do TSE tem julgado que o trabalho sem permissão é proibido, mas não ilícito. Ou seja, o trabalhador, de qualquer nacionalidade, tem sim direito de pleitear o pagamento dos direitos que são válidos para qualquer cidadão brasileiro!
 
Mesmo sabendo disso, conseguir a dignidade de se regularizar é o objetivo de muitos, mas que é alcançado por poucos. O custo do RNE (Registro Nacional de Estrangeiros) hoje pode chegar aos R$ 500, sem contar toda a burocracia envolvida com a solicitação de documentos do seu país de origem, o que pode dobrar esse valor. 
 

Como denunciar trabalho escravo

 
 
Caso você conheça algum local de trabalho com suspeitas de atuar dessa maneira, pode denunciar no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) pelo número 100.