Coincidindo com o feriadão da Independência do Brasil, rolou a 22ª edição da Pop Plus em São Paulo, uma feira de moda plus size que celebra a representatividade, diversidade e liberdade de se vestir como bem entender.

 
A Pop Plus é idealizada pela jornalista Flávia Durante (ao centro na foto), que resolveu fazer uma transição em sua carreira. O evento é o maior do segmento no Brasil e foca em apresentar para o público opções de marcas plus size que trazem informação de moda em seus produtos, além de uma agenda repleta de apresentações e debates sobre o tema. A ideia saiu do papel em dezembro de 2012, com meia dúzia de marcas compondo sua mostra, mas, atualmente reúne em média 65 expositores a cada edição (a feira ocorre quatro vezes ao ano). “Hoje eu vivo exclusivamente do evento. Lógico que eu ainda faço freelas e estou em fase de monetização para viver da feira, mas consigo agora trabalhar só com isso”, conta Flávia.
 
De acordo com Durante, toda vez é necessário fazer um trabalho do zero para conseguir um pouco de espaço na mídia para divulgar a feira, “as pessoas ainda veem como uma coisa exótica, não enxergam como um mercado sério, acham que é brincadeira, então é bem difícil”, admite a jornalista. “A gente tem assessoria de imprensa, tem marketing digital oficial, a Pop Plus já existe há seis anos e foi só agora de um ano pra cá que conseguimos começar a furar esse bloqueio para iniciar uma inserção na mídia de moda, de negócios e de economia, por isso a cada edição é um trabalho diferente”.
 

Empoderamento feminino em alta

 
No sábado, foi anunciado o lançamento do reality Beleza GG, que vai ser transmitido pelo Canal E! a partir de 3 de outubro, acompanhando a rotina de três modelos plus size, dentre elas, Denise Gimenez e Mayara Russi compareceram ao palco do evento, comentando um pouco sobre essa experiência em um bate-papo com a mediação de Flávia e outras convidadas, durante o painel “O que é beleza para você?”. 
 
Além de referência importantíssima na divulgação da moda plus size e normalização de todos os tamanhos de corpos, a feira também coloca as mulheres em foco e ressalta o poder delas. “A gente costuma falar que a Pop Plus empodera mulheres, não só as clientes que vem aqui e se descobrem como fashionistas”, declara Durante, “mas também mulheres que são consumidoras de moda e que até então não se identificavam com nada da moda plus size, até mulheres que se descobriram como empresárias, criadoras e empreendedoras”.
 
 
A feira estava completamente lotada de pessoas, e era claro o entusiasmo genuíno delas em participar do evento. “A gente começou na Pop e tivemos muito reconhecimento aqui”, relata Marli Celaya, expositora no stand da marca Zuya Size, criada por sua filha Bia, “crescemos bastante! Toda vez que participamos agregamos mais clientes à marca e, como trabalhamos com online, é importante estar nesse espaço” adiciona ela.
 

Público masculino também tem seu lugar na Pop Plus

 
Apesar do grande número de consumidores de moda partir bem mais do público feminino e expositores focados nele, os homens estão começando a firmar sua presença na Pop Plus também e a ideia é continuar expandindo para todos os gêneros. “A gente começou com um evento que era basicamente feminino, mas daí surgiu essa demanda inicialmente vinda de um público masculino LGBT”, comenta Flávia Durante, “depois começaram a aparecer os meninos héteros, de início acompanhando as namoradas, esposas, irmãs, mas eles mesmos foram se sentindo à vontade e passaram a se preocupar com esse assunto, o que é muito importante, porque a moda é um assunto de todos”. 
 
Entre as 65 marcas expositoras, 11 oferecem vestuário masculino, a organizadora do evento conta que os homens começaram a pedir opções de roupas para eles também. “Hoje em dia a gente consegue oferecer um mix maior de moda masculina”, diz ela, “estamos fazendo uma pesquisa para que cada vez mais aumente esse número”. 
 
 
Diego Soares, da grife unissex Rainha Nagô, conta que a demanda por moda masculina na Pop Plus tem aumentado substancialmente, “agora o público masculino está se soltando mais, então como a gente costuma trabalhar com estampas e com estilos diferentes, está começando a chegar a 35% das vendas”. 
 
Para Rodrigo Santos, designer da marca Lambuzada, não era fácil comprar roupas plus size com estilo, por isso acabava ficando preso ao básico, “resolvi fazer umas camisas para mim, andava pela Augusta, baladas, e sempre me perguntavam de onde eram minhas roupas. Então eu comecei a fazer para vender, porque não tem algo diferente em um tamanho maior, você vai no shopping e não encontra, e agora no ‘shopping Pop Plus’ tem!”, brinca ele. 
 

Tamanho não é problema!

 
“Por que pensar em tamanho se você pode pensar em estilo?” é o lema que leva a marca Zuya Size e traduz muito bem a intenção da feira em oferecer stands que trabalham com os mais variados tamanhos, tendo a preocupação de levar aos clientes produtos diferenciados. Segundo Marli, a Zuya foi criada justamente porque sua filha, que é plus size, gosta de se vestir bem, mas sentia uma carência enorme ao procurar no mercado roupas que fossem atrativas visualmente e, ao mesmo tempo, coubessem no seu corpo. “Ou não tinha o tamanho dela, ou não tinha o modelo que ela gostou, então a Bia era obrigada a usar aquilo que servia, mas não aquilo que ela queria”, divide Celaya.
 
 
Com o tempo, os próprios expositores do evento foram percebendo mais necessidades da galera plus size e tentando se adequar para poder abraçar cada vez mais pessoas que tem dificuldade em encontrar vestuário legal em seu tamanho. “No início a gente vendia até o 52, mas aí chegavam pessoas que vestiam 54 e não tinha o número delas, 58 nem pensar, então resolvemos produzir peças que servem um pouco mais”, diz Marli, “hoje temos até o tamanho 60, mas a proposta é ainda produzir para todos, porque é ruim você chegar em um lugar e pensar ‘eu gostaria de usar algo assim’ e não ter como. Por isso a nossa ideia é poder estar trabalhando essa questão e ainda fazer para all sizes”.
 
Rodrigo Santos, da marca unissex Lambuzada, também compartilha dessa consciência e já produz 12 tamanhos diferentes de camisas. “No mercado em geral existe quem faça plus size apenas até o 52, que não é um tamanho que veste em qualquer pessoa. Quem vai criar plus size tem que fazer todos os tamanhos! A minha marca veste até o número 70, todo público tem que ser atendido” salienta ele.
 

Fotos: Yara Oliveira