Figurinha carimbada na moda até hoje, Vivienne Westwood começou sua trajetória criando roupas e acessórios diferentões para uma subcultura em ascensão

 
Não tem como falar sobre a moda punk e não abordar a designer que foi praticamente sua fundadora e disseminadora desse estilo underground. Vivienne Westwood até hoje é uma forte referência do cenário alternativo nas passarelas. 
 
Na época em que a ideologia hippie ainda dominava com cores chamativas e psicodélicas, Westwood resolveu ir contra esses padrões por considerá-los comerciais, e passou a representar a rebeldia em um vestuário pensado para o público jovem que tinha intenção de causar com looks agressivos. 
 

De encontro ao movimento Punk e seu desenvolvimento como estilo visual

O movimento Punk nasceu de uma cultura marginal e alternativa aos costumes tradicionais da sociedade, concebendo grupos sociais que buscavam propagar anarquia e revolução, fosse em âmbito político ou niilista (ponto de vista que acredita não haver sentido na existência e contesta crenças e valores tradicionais).
 
Em 1972, ao lado de seu marido Malcolm Mclaren (empresário e produtor musical), Vivienne criava camisetas personalizadas com spikes, alfinetes, correntes, ossos de galinha e outros materiais peculiares que começaram a fazer a cabeça dos adeptos ao movimento Punk. Algumas dessas peças traziam mensagens provocativas estampadas, o que, inclusive, gerou um processo para a designer, por violar leis contra a obscenidade.
 
 
Como resposta a essa censura, o casal resolveu reclassificar seu empreendimento para um público mais pesado ainda, renomeando ela para Sex, uma loja "diferente de qualquer outra coisa que acontecia na Inglaterra na época", segundo eles. Além da fachada chamativa com letras de borracha formando o nome do estabelecimento, o interior da loja era repleto de pichações do SCUM, Manifesto de Valerie Solanas (declaração feminista radical), polemizando dentro e fora da loja.


 
A Sex ficou conhecida por vender criações feitas pela própria Vivienne e Malcolm, como também roupas fornecidas por marcas fetichistas da época, como London Leatherman e Atomage. As estampas das camisetas exclusivas da loja continham mensagens fortes e impetuosas, críticas e imagens chocantes.
 
 
Acima, Malcolm Mclaren está vestido em uma camiseta cuja estampa corresponde ao estuprador de Cambridge, com Vivienne Westwood ao seu lado em uma blusa na qual tem a imagem de uma criança nua. Na segunda foto, a estilista veste uma camiseta com a estampa da suástica, que, na cultura punk, era usada ironicamente como forma de protesto político.
 

A expansão do punk como estilo musical e como a Sex desfrutou disso

 
O punk como estilo musical começava a se estabelecer em meio a um ambiente no qual a cultura estava aparentemente estagnada. Aproveitando a oportunidade de atrair mais público para a loja, Malcolm Mclaren investiu na criação da banda Sex Pistols já fazendo referência ao seu comércio até mesmo no nome do grupo. 
 
Apesar de montados em prol da propaganda de estilo, os Sex Pistols evidenciavam muito bem a conduta e princípios do movimento Punk, com letras sarcásticas que debochavam de valores políticos e morais da época. Os integrantes da banda não eram músicos profissionais, mas a sua rebeldia e visual aos poucos foram alavancando o grupo, o que gerava um bom retorno para a loja de Westwood e Mclaren, pois cada vez mais o punk caía no gosto do público. 
 
 
 
Até hoje, Sid Vicious (baixista do Sex Pistols) é uma das maiores referências do punk. O que nem todos sabem é que o músico era muito mais uma espécie de modelo de estilo do que profissional das cordas. Sid chamou atenção de Mclaren por suas roupas incomuns e o empresário viu potencial no jovem para divulgar o seu negócio. Logo, Vicious  foi convidado para os Sex Pistols e começava a arranhar o baixo elétrico, ditando moda nos shows com as peças de Vivienne Westwood.
 
Johnny Rotten (vocalista do Sex Pistols) com look da Sex. Sid Vicious e Vivienne Westwood conversando e ao lado o próprio baixista com uma camiseta feita pela estilista.
 

A popularização e decadência do punk

Além dos Sex Pistols, diversas outras bandas e artistas (como The Pretenders, Boy George e Siouxsie Sioux) frequentavam a loja em busca de artigos diferentes e do design de Vivienne. A intenção da estilista com a Sex era justamente poder oferecer itens que jamais apareceriam em revistas que ditavam tendências, como a Vogue.
 
Johnny Rotten e Boy George vestindo jaquetas e calças bondage, peças concebidas por Vivienne. Ao lado, Siouxie usando uma camiseta da Sex.
 
Em 1976, quando o punk estava quase atingindo seu ápice, a loja mudou de nome para Seditionaires e já era a referência do estilo em Londres. Porém, com o sucesso dos Sex Pistols e o surgimento de outras bandas que disseminavam o punk rock, a moda, que antes era para ser revolucionária e discrepante na sociedade, acabou caindo no gosto popular e sendo absorvida pelo “mainstream”.
 
Com o colapso dos Pistols e o enfraquecimento da essência do Movimento Punk, Vivienne Westwood acabou se desencantando um pouco com a moda que criou. A loja foi renomeada para Worlds End (Fim do Mundo) em 1980, nome que segue vigente até hoje no mesmo local, e é um patrimônio da estilista e de seu império na moda freak. Apesar de ter se desiludido com o fim do movimento, ainda há muita inspiração do Punk viva nas criações da designer!
 
Encerramento do desfile de Vivienne Westwood na semana da moda de Paris em 2010.