A jovem Carol Caddeo seguiu o flow da vida que a levou a diferentes lugares e locais. Sua multiplicidade nata levou a desbravar difrentes frentes, das mais ortodoxas, às mais voltadas a criação e entretenimento.

 
Ainda pré adolescente, se interessou pela cena hardcore e começou seu romance com o lado musical da vida. Suas incursões noturnas a levaram para o universo de festas de São Paulo. Pouco tempo depois, Carol já era uma figura participativa da cena, promovendo festas e aprendendo a arte de fazer pista.
 
Seu gosto sonoro se tornou mais diversificado e seus sets variam do indie a remixes e do afrobeat ao pop. Sua maior satisfação é manter a pista cheia e animada. Além de ter sua agenda movimentada, faz parte dos coletivos Moovookah e XRK; composto só por garotas djs.
 

Como você caiu na vida de promoter e dj? Você já curtia esse universo?

Esse universo é relativamente novo pra mim. Já frequentava alguns lugares, baladas etc., mas nunca fui uma pessoa muito envolvida com a vida noturna em âmbito profissional. O fato de ter me mudado algumas vezes também colaborou pra que não me envolvesse tanto com uma cena em especial, sendo assim já passei um pouquinho por tudo. Com 13 anos comecei a frequentar shows de hardcore no Espírito Santo e foi quando comecei a gostar de bandas como Dead Fish, Noção de Nada, Street Bulldogs, entre outras. Voltei pra São Paulo e comecei a frequentar casas noturnas de forma esporádica. Mas foi em 2015 que entrei de vez pra esse universo. 
 
Comecei a frequentar mais baladas e festas, mais vezes, e quando vi já era uma pessoa bem ativa na noite, (somente como frequentadora). Sempre fazia “check in” no lugar que estava e quando percebi as pessoas começaram a me procurar pra saber o que fazer, aonde ir. Nesse meio tempo conheci muitas pessoas e três delas foram as que me inseriram profissionalmente nesse mundo: Twins (Ivan e Wagner) e o Mexicano <3. Através deles que tive meu primeiro emprego na noite Paulistana. Começamos a trabalhar juntos, à principio como promoter, posteriormente como Chefe de promoter.
 
Nesse momento, completamente envolvida com a noite e desde sempre com a música, despertou em mim uma curiosidade sobre discotecar. Ficava sempre lá atrás, no cantinho, olhando o Dj tocar. Em festas de amigos (a maioria Djs) ficava perguntando e querendo saber/aprender. Então meus primeiros passos como Dj foram dados e com a ajuda do Ivan (The Twins)  comecei a aprender a tocar e treinar. Foi em julho de 2016 a minha primeira Gig em uma Casa noturna - essa a gente nunca esquece, né?! - Adan Stokinger me chamou pra tocar na Festa Yank no Tex (clube da rua Augusta). Foi lá que minha carreira de dj deu seu primeiro passo oficial. 

 

O que você fazia antes de promover festas e discotecar?

Essa é uma pergunta que vou precisar de alguns parágrafos pra responder. Brincadeiras à parte, eu realmente fiz muita coisa antes disso. 
 
Sou formada em moda pela Faculdade Santa Marcelina. Já trabalhei na área com a estilista Karin Feller, trabalhei também no departamento de desenvolvimento de produto da Vibe e também os freelas, mais que presentes em nossas vidas, em produção, make, fotografia, styling, design, por aí vai! 
 
Por um momento saí desse universo pra cuidar do financeiro de um posto de gasolina e depois de um bar/restaurante. Mas o coração sempre bateu mais forte pra criatividade e voltei pro mundo da moda. Entrei como parceira de uma marca de acessórios masculinos, a Ponto 13. No meio disso me aventurei até em ser tatuadora. Como sempre gostei de desenhar, muitos amigos me encorajaram a tentar. Foi um momento bem breve, mas deixei algumas tatuagens por aí. Muita gente me cobra até hoje algumas tatuagens prometidas (risos).
 
Como a vida tá sempre dando muitas voltas, acabei voltando pro financeiro/gerência de uma empresa de Telemarketing ativo de Produtos naturais. Foi nesse momento que me dividi entre promoter, dj, desinger e a empresa. 
 
Depois de alguns meses saí da empresa pra dar mais atenção pra esse universo que tem me preenchido cada dia mais! Hoje faço produção de festas, promoção, design de flyers e sempre discotecando.

 

Quais djs você curte e quais te influenciaram? 

Essa lista é grande e fica difícil resumir alguns nomes aqui. Acho que curtir e influenciar andam juntos, então vou citar alguns nomes que vem rápido à cabeça, desde DJs que curto ouvir e que provavelmente alguma track estará presente no meu set, até aqueles que me ensinaram e ajudaram de alguma forma: Roots Rock Revolution,FBRZ, Carlos Nunez The Twins, Omulu, Mari Mats, Branko, Flume, Alison Wonderland,Nedu Lopes,Tropkillaz, SBTRKT etc.
 

Você acha que a cena de festas de rua tem contribuído para o fechamento de clubes pelo Brasil? Ou os jovens mudaram e temos que nos adaptar também?

Não acredito que a cena de rua tenha influência direta no fechamento de clubes. A vida social/entretenimento é muito ampla e tem espaço para todo tipo de evento. Temos público de sobra pra muitas vertentes e achar que o crescimento de um tipo de festa é fator exclusivo determinante para a extinção de outro é exagero. 
 
Temos que encarar a mudança de gerações que anda de mãos dadas com a mudança de cena/hábitos. A cena de festas/entretenimento acompanha os jovens e suas vontades/necessidades, as que não se adaptam acabam ficando com uma parcela menor do público, o que torna difícil de se manter em questões financeiras, mas não impossível (temos estabelecimentos abrindo e fechando o tempo todo, outros que perduram por anos, os que se reerguem, os que se adaptam etc). 
 
Portanto, concordo com a segunda questão, os tempos mudam e com isso a juventude também, dentro disso vem seus anseios por entretenimento que pode não ser o mesmo que 20 anos atrás e provavelmente não será o mesmo daqui a 20 anos. São múltiplos fatores que contribuem para o fechamento dos clubes. Talvez precisemos nos adaptar ou apenas tentar resistir a algo que pode ser momentâneo, ou não.
 
 

Quais estilos musicais você mais ama tocar? Tem algum que você não suporta ou não tocaria por nada nesse mundo?

Eu sempre digo que o estilo que eu mais gosto de tocar é o que faz a pista dançar. Sempre amei dançar e quem me conhece sabe disso, nunca fico parada no meio da pista e desde o começo esse sempre foi meu maior foco: fazer a pista dançar! Lógico que isso influencia no estilo, pois temos ritmos mais dançantes e eu acabo me inclinando à eles. 
 
Comecei tocando indie rock, já fiz gigs com sets de house, groove, hip hop, moombahton e frequentemente sou chamada para tocar Pop. Amo misturar ritmos dançantes, remixes de Pop e Afrobeat. Não tem nenhum ritmo que não suporto ou nunca tocaria.

 

Você se liga em moda? Tem alguma peça indispensável no seu look?

Bom, sou formada em moda e ligada a esse universo, mas não sou ditadora ou seguidora fiel de tendências. Gosto de me vestir bem dentro do que me agrada, dentro do que me sinto confortável - o que pode estar em voga no momento ou não. 
 
Não tenho uma peça que defino como indispensável. Acho que o indispensável é se sentir bem!
 

Em quais festas podemos te ver em ação?

Sou uma das residentes da festa Moovookah que acontece no Lab periodicamente às quintas feiras e também faço parte do Coletivo XRK.
 
As festas em São Paulo são bem rotativas e temos muitas, estou sempre em diferentes lugares. Já toquei em lugares como o Nos Trilhos, Lions, Lab, Selva, Yacht, Bar Secreto (R.I.P, que fechou neste ano de 2017) etc.
 

Me fala quais são suas 10 músicas favoritas. Pode ser de pista ou do dia a dia.

Gente, escolher 10 músicas só? Hahaha.Vou colocar do dia a dia que em algum momento com certeza eu vou escutar!
 

 

Foto capa por: Wesley Allen - I Hate Flash