Melodias, acordes de guitarra e um alto poder emocional são algumas das principais características do trabalho do DJ e produtor Nato Medrado. Apontado pela Veja como um dos principais artistas de música eletrônica do Brasil no momento, Nato conquistou sucesso a nível nacional e internacional com o lançamento do full lenght Without Name pela gigante Armada Music, ano passado - ele foi o primeiro brasileiro a lançar um álbum pela gravadora de Armin Van Buuren.

Desde então, Nato voltou as paradas de sucesso do Spotify com She Says, lançada pela Austro, e atualmente segue trabalhando em novos projetos que devem ser lançados ainda em 2018. A nosso convite, Medrado comentou sobre alguns dos principais tópicos de sua carreira e entregou um mix que indica o direcionamento de seu perfil sonoro daqui em diante. Confira abaixo: 
 

Oi, Nato! Tudo bem? Antes de seu lançamento pela Armada você estava 100% inserido no cenário underground, algo que tem mudado um pouco agora, com sua música atingido diferentes tribos. Como foi esse processo de transição?

Olá, tudo bem! A transição ainda está ocorrendo, esse é um movimento natural, estar em uma major com a Armada me fez mudar um pouco minha perspectiva sobre o mercado e a música no geral. Acredito fortemente que exista boa música transitando entre o dnderground e o comercial é preciso apenas quebrar esse preconceito bobo.
 
Logicamente não vou me prender à esse ou aquele estilo, sou fiel a boa música, com boa harmonia, melodia e bem construída, independente de como ela possa soar.  
 

 

Quão importante Austro e Armada foram para o desenvolvimento de sua carreira?

O convite pela Armada e a parceria com a Austro são o ponto de virada em minha carreira. Por mais que eu negasse a importância de uma grande gravadora por trás (nesse caso duas), só serviu para mostrar o quanto minha visão sobre tudo isso estava errada: estar inserido com essas duas grandes empresas só me fez evoluir como artistas, ter profissionais focados em suas áreas é a grande lição que tiro disso tudo, uma boa equipe é fundamental para o desenvolvimento de qualquer talento!
 

O relacionamento entre artista e público é uma das partes mais bacanas da música. Na sua opinião, o que não pode faltar para que essa relação seja saudável e sustentável?

São por eles que eu trabalho! Atingir as pessoas com minha música é sem dúvidas o meu maior legado. Seja entregando de presente um vinil do meu álbum, tocando um acorde de guitarra no meu live ou dando play naquela faixa que desperta um bom sentimento.
 
Música é a expressão do sentimento e acredito que consigo me comunicar com meu público através das letras, melodias e harmonias, passando uma mensagem através do sentimento.
 

She Says flerta com o pop, mas deixa clara suas raízes fincadas na dance music. Na sua visão, é possível criar algo autêntico flertando entre esses dois mundos?

Atualmente é meu grande desafio, She Says é uma faixa que soa simples ao mesmo tempo que é carregada de grande complexidade musical. 
 
Alcançar o maior número de pessoas possíveis sem seguir fórmula A ou B é algo realmente complicado no mercado nacional, o público está acostumado com uma sonoridade que faz sucesso e os artistas se acomodam ao copiar fórmulas que já funcionam, não que isso seja errado, mas não serve pra mim. Às vezes por mais NÃO experimental que tento ser, não consigo fugir de buscar algo novo. 
 

 

Considerando que a música brasileira passa por um período bastante movimentado, mas com poucos artistas entregando algo realmente novo, qual caminho você indica para voltarmos a ter um caráter inovador em nossa cena?

Arriscar e ser autêntico acima de tudo! Não existirão dois Boratto’s, Alok ou Vintage Culture, mas se você faz algo novo, autêntico e diferente quem sabe no futuro você não será a referência. 
 

Estar em contato com uma metrópole como São Paulo é algo positivo ou negativo para o seu processo criativo?

São Paulo é inspiradora e aguça os sentidos, tem seu lado bom e ruim, tem seu lado positivo e negativo.
 
As vezes volto de lá (moro no interior do estado) e caio no estúdio cheio de inspirações, mas muitas vezes quero apenas tomar um banho para descarregar toda aquela energia.
 

Falando um pouco mais sobre seu set up nas apresentações: de que forma ele varia de acordo com os diferentes formatos de show?

Excelente pergunta. Tenho dois formatos de LIVE, um com controladores e samplers e outro no com adição de teclados midi e guitarra, além da minha apresentação como DJ set, tenho me preocupado em me comunicar com o público que estou tocando. Eu e minha equipe estudamos muito bem cada evento, line-up, horário de apresentação, local e público alvo para decidirmos a melhor forma de se apresentar.
 
Não somos radicais, mas um Warm-up para o Armin Van Buuren por exemplo é diferente de uma apresentação às 3 da manhã ou fechando a noite. Seja mais pra cima ou algo mais calmo, Live ou DJ set, pode-se esperar sempre um set recheado de progressões, muita melodia e faixas exclusivas. 
 

Para finalizar: o que o Nato Medrado de hoje falaria para o Nato de 10 anos atrás?

Os conselhos que recebi há 10 anos talvez seja exatamente a mesma coisa que diria hoje. Pode parecer clichê mas faça o que seu coração mandar sempre, tenha muita paciência, perseverança, estude, se aprimore, aprenda a trabalhar em equipe e não desista nunca.