Myllena Dalla tem 21 anos e é modelo profissional desde 2011, quando ainda era menor de idade, e, assim como muitas garotas, saiu de sua cidade natal para tentar a sorte na área na megalópole de São Paulo. Diferente do que muitos pensam, longe dos holofotes, muitos perreios rolam (e rolaram) na vida de quem quer se destacar nesse mundo. Abaixo, ela nos deu um depoimento contando como foram os primeiros anos da sua carreira e o que ela já viu de mais sinistro por aí.

 

 

 

Como foi o início da carreira como modelo

"Eu comecei a modelar com 14 anos. Fazia fotos pra tcc de uma galera da universidade, alguns editorais e desfiles, mas apenas com 17 me mudei para São Paulo pra tentar seguir a carreira profissionalmente após concluir meu Ensino Médio. Fiquei morando por volta de um mês em um apartamento com outras modelos, que variava entre 7 a 12 meninas, com apenas dois quartos, tendo 2 triliches em cada, o que era e ainda é muito comum, visto que a vida na capital é muito cara e não é fácil conseguir trabalho assim.

Eu passava a maior parte do tempo dentro do apartamento e indo até a agência. Nos finais de semana era enviada algumas pizzas pro apartamento, mas eu notava que algumas meninas não comiam, algumas delas literalmente só se alimentava de pipoca embora já fosse magra o suficiente.
 
A agência em si não restringia nossa alimentação o que não era necessário visto que medidas eram tiradas quase sempre, dessa forma nós mesmas éramos rígidas em relação ao nosso corpo pra tentar manter aqueles números ali. Contudo, era visto claramente que a agência possuía suas modelos ‘’queridinhas’’ enquanto outras não eram tão valorizadas assim. Acredito que era porque elas eram mais vendíveis, o que tava em alta na época. Então pegavam todos os trabalhos.
 

Situações difíceis quando começou

As meninas sempre trancavam os seus armários porque havia relatos de que algumas modelos pegavam coisas da outras, então tinha que ficar esperta. Inclusive tem um vídeo da época da gisele quando ela era bem nova mostrando que no apartamento delas faziam isso também de trancar o guarda roupa.
 

Particularmente falando, era tudo muito estressante, porque você lidava com muita coisa ao mesmo tempo, era a convivência com muitas meninas, era a pressão de um padrão perfeito, a concorrência, o dinheiro. Deixei de fazer castings por conta do estresse somático que eu tenho que surgia bolinhas no meu rosto o que me deixava insegura pra aparecer. 
 
O trabalho de modelo é o contrário do que as pessoas enxergam de fora, muitas vezes acham luxuoso e outras vezes ainda hoje algumas pessoas acham que envolve prostituição. Que modelo nunca ouviu a brincadeirinha do book rosa vindo de outras pessoas?
 
Os castings que demoram horas, o cache que pagam que é o valor de uma peça de uma coleção inteira que você está fazendo e que vão usar por meses a sua imagem, a objetificação da modelo etc. 
 
 

tomando uma vitamina D pá

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A profissão de modelo atualmente

Acredito que nesses últimos anos muita coisa mudou e melhorou, devido ao marketing de causa que envolve mulheres fora do padrão e que quer incluir a minoria na hora de apresentar a sua marca, seu produto, até onde tem boas intenções e até onde só quer lucrar em cima disso, a gente não sabe embora seja outra história, contudo, outras coisas continuam exatamente iguais. 
 
O conselho que eu dou pra quem quer seguir essa carreira é que procure se manter saudável, tanto psicologicamente como fisicamente e que acredite no seu potencial porque você é única. Tem espaço pra todo mundo, de todos os jeitos, cores, formatos. Só digo pra acreditar em você e tentar, se é isso que quer pra si nesse momento da vida. Mas esteja prepara porque o ramo da moda as vezes nos deixa a marca do seu pior lado"