No ano de 1973 foi inaugurado o CBGB & OMFUG (em tradução livre: Country, Blues, Bluegrass e outras músicas para levantar os gulosos), pelas mãos do músico e empresário Hilly Kristal. A própria sigla já traduzia a intenção original do estabelecimento em ser um clube para apreciadores do country e blues. Entretanto, com a explosão do punk e new wave em Nova York, o bar começou a investir em um cardápio mais abrangente quanto a gêneros musicais, atraindo bastante público ao estabelecimento.

Hilly Kristal em frente ao CBGB & OMFUG
 
Muitos artistas independentes começaram a ganhar destaque se apresentando ali, o que era uma via de mão dupla, porque o CBGB também passou a ter uma divulgação maior e conquistar relevância em meio ao cenário musical americano. Uma das principais exigências do proprietário ao contatar as bandas que se apresentariam no bar era de que elas tocassem apenas composições próprias, e isso já acabava sendo um incentivo para que músicos novatos emplacassem suas canções originais e testassem a aceitação do público quanto a elas.
 
No decorrer do tempo, diversos estilos tiveram passagem pelo CBGB, que acompanhou as eras musicais, principalmente em se tratando de descendentes do rock’n’roll. O primeiro grupo a estrear a casa foi Television, banda adepta ao punk rock, que marcou presença no palco em todos os domingos até o lançamento de seu álbum “Marquee Moon” em 1977. 
 

A ascensão do Punk Rock e influência no visual do bar

Billy Idol em apresentação no palco do CBGB
 
O CBGB acabou sendo uma forte referência para a difusão do punk no mundo, apesar de ter sido mais frequentado por americanos por conta de sua localização, a fama da casa de shows se espalhou e trouxe inclusive bandas britânicas como The Police para tocar e integrantes do Sex Pistols para conhecer aquele ambiente que era tão a cara deles, onde a liberdade de expressão rolava solta entre os músicos e plateia.

 
Por fora, o local tinha uma fachada simples, muitas vezes pichada, o que não fugia do seu caráter irreverente e combinava com o público revolucionário que dava as caras por lá. Adentrando o bar, essas características eram multiplicadas em várias vezes, as paredes e móveis eram repletos de adesivos, colagens e grafites, o que proporcionava ao CBGB um visual poluído, que conversava muito com o punk.

Decoração interior da casa de shows
 
Banheiro ultra punk do CBGB
 

Transições de gêneros musicais no decorrer dos anos

Debbie Harry em show do Blondie no CBGB
 
Na primeira década do bar, alguns nomes conhecidos da música se evidenciaram no palco do CBGB, como Ramones, The Misfits e Blondie. Já nos anos 80, o cenário musical começou a mudar e, com isso, bandas de hardcore passaram a reinar na casa de shows, garantindo um espaço fixo na programação dominical, que ficou conhecido como Trash Day, e contando com grupos precursores do gênero, como The Dead Boys e Bad Brains.
 
Integrantes do Guns and Roses em frente à fachada
 
Pelos anos 90, o hard rock e o alternativo começaram a surgir ali, porém, sem muita representatividade independente, pois o lugar já era tão popular que bandas mais célebres resolveram se apresentar lá, como foi o caso de Sonic Youth e Guns and Roses.
 
Foi em 2006 que a história do CBGB & OMFUG chegou ao fim. A poetisa e cantora Patti Smith, que já havia performado na casa durante seu início de carreira, realizou um show de encerramento da trajetória do bar, confira abaixo um dos vídeos da apresentação.