Foi quando seu pai faleceu que Odara Kadiegi herdou a coleção de discos de vinil dele, o que a incentivou a entrar de cabeça no mundo da música. A partir daí, seu gosto por fazer o próprio som só cresceu.

 

 
Foto: Jéssica Guedes
 

Sonoridades Diáspora Africana

Essas são as influência no estilo musical que Odara considera ter, uma vez que ela se recusa a se prender em apenas um gênero e prefere variar entre o que curte dentro do universo de influência africana, das mais tradicionais às mais modernas, contando com elementos da música eletrônica. 
 
Nessa vibe, Odara, em pouco tempo de carreira, já chegou a tocar com nomes pesados como KL Jay, “uma grande referência do RAP nacional e do povo preto” conforme ela mesma define, Anelis Assumpção, B. Negão e Russo Passapusso. “Ter ido discotecar no México também foi uma experiência incrível, principalmente por ter tocado com o povo do Hermandad Rasta, que são muito legais e simpáticos. Além disso, outra experiência incrível foi ter tocado na Praça dos Três Poderes na Capital Federal”, lembra.
 

Representatividade: melhor, mas ainda falta muito

Militante das causas feminista e negra, Odara percebe a diferença que aconteceu na cena nos últimos anos, mas não é 100% otimista sobre o assunto. “Apesar da situação estar bem melhor, falta representatividade”, diz, lembrando que poucos lugares dão espaço para estes DJs. .
 
“Falta também as pessoas se abrirem mais e conhecerem mais o trabalho de outras, darem oportunidade. Em pleno século 21 as vezes você vai ver um line-up que só tem homem, só tem gente branca também tocando música de gente preta!”, lamenta, apontando possíveis soluções:
 
“A gente precisa se ver representada nas coisas senão a gente não frequenta. Não faz sentido estar naquele espaço. No que eu puder, estarei na linha de frente pra mudar isso, como representante ou produtora também. Tem que ter mobilização da galera mais antiga da cena também e das próprias marcas que falam que valorizam a cultura, investindo nas pessoas novas”.
 

Foto: Dule Oliveira

 

Baile Quente vem aí!

Um rolê para quem quer se sentir representado e curtir a noite é o Baile Quente, uma produção conjunta que ocupa o Prédio da Rua Major Sertório em São Paulo, com a energia efervescente das Festas de Rua e dos Guettos. Organizado pela Free Beats, o evento conta, além de Odara, com OMULU, Mari Mats e Mauro Farina na discotecagem.
 
“Quem está procurando uma festa pra dançar com ritmos diversos e novas sonoridades, esse é o lugar! Vai ter DJs com pesquisas diversas, cada um de um ambiente, em um lugar super agradável, que é o Tokyo! E vale a pena super colar também para fortalecer o movimento que é o Free Beats, que vem de eventos de rua”, ressalta Odara, adiantando um pouco o que deve apresentar no rolê. “Estou animada, preparando pesquisa de afro beats, afro house, kuduru e tarraxa".
 
Quem não quiser esperar até o evento, pode conferir um pouco do som de Odara Kadiegi aqui (mas não deixe de colar!):
 

Fotos de capa: Ândrea Possamai, Foco a Rua e Flash Bang Media House