Com uma identidade musical que é fruto de experiências vividas dentro e fora do Brasil, Alex Stein pode ser considerado um produtor musical que desenvolveu uma habilidade rara: falar com propriedade frente a diferentes tipo de público.

Seus sets para multidões de 10 mil pessoas na pista de um grande festival ou em um after hours de um club underground da cena de Berlim podem até conter um tracklist um tanto quanto diferente, mas a energia que Alex insere nas apresentações e é o que realmente faz toda a diferença está lá! 
 
Após um 2017 de diversas conquistas no âmbito profissional, Stein celebra o começo de 2018 com diversas gigs confirmadas fora do país e o lançamento do EP El Dorado pela gravadora Hyrdrozoa. Confira abaixo o resultado do bate-papo que nós tivemos com ele:
 

 
Olá, Alex! Tudo bem? Muitos produtores precisam de um longo período sem gigs para produzir em melhor forma. Pra você, qual é o melhor momento/época do ano para a produção musical?
 
Eu tento produzir sempre que estou em casa/no estúdio. Não gosto muito de trabalhar no laptop enquanto estou viajando, então a ideia pra mim é focar quando estou em casa e produzir todo dia. Não existe exatamente uma melhor época na minha opinião, você tem que estar só estúdio trabalhando quando a criatividade resolver aparecer.
 
Ano passado você lançou por Senso Sounds e Suara, dois labels muito importantes no cenário europeu. De alguma forma, você sente que esses lançamentos mudaram seu posicionamento na cena brasileira?
 
Pô, sinceramente se houve mudança aqui eu não senti. Enquanto lá fora isso já me rendeu algumas experiências legais e abriu algumas portas.
 

 
Muitos artistas relatam que suas maiores influências vem de fora do campo musical. No seu caso, elementos da sociedade, natureza e outros fatores influenciam sua criação?
 
Acho que o que mais influencia minha criação é o meu estado de espírito no momento que estou no estúdio. Tudo que está na minha vida me influencia e influencia meu humor, então na verdade tudo tem que ser tomado em conta, apesar de eu tentar me desligar ao máximo do mundo exterior quando vou produzir.
 
Se analisarmos com calma, podemos concluir que a cena brasileira é movimentada por núcleos independentes e alguns clubs importantes que conseguem manter a regularidade. Na sua visão, o que pode ser feito para aproximar essas partes e com isso obtermos resultados melhores para uma sustentabilidade da cena? 
 
Honestamente mesmo, não sei porque rola tanta competição, tanta panelinha, acho muito cansativo. Se toca aqui, não pode tocar ali, núcleo tal não booka artistas de agência tal, enfim, rola muito disso. Se as pessoas fizessem uma forcinha pra trabalhar umas com as outras, poderíamos fazer coisas incríveis.
 
O cenário eletrônico como um todo vai muito além da música, existe uma cultura de resistência muito for por trás. Como você enxerga essa questão?
 
Cara, cada cena tem a sua resistência não tem? Ainda mais em um país como o Brasil onde o gosto do publico geral muda tão fácil e constantemente. Acho que faz parte e acho legal que isso existe, as pessoas tem mais é que lutar pelo som que amam e acreditam e não ficar se 'moldando ao que vende’.
 

 
Já há alguns anos você tem trabalhado junto a Entourage. Quão importante a agência e o time de profissionais que ela oferece tem sido para o seu desenvolvimento?
 
Eu acho que é muito importante ter uma equipe que trabalha com você, mas principalmente uma equipe que acredita em você e no seu potencial, se não as coisas não andam. Estou com eles desde 2011 e sou muito grato por tudo que fizemos juntos nesses últimos anos e a cada um dos envolvidos nessa jornada.
 
Lançamentos e tours... o que podemos esperar do Alex Stein para 2018?
 
Vou viajar bastante pra fora esse ano, incluindo muitos lugares novos. Já tenho shows confirmados na Russia, Estônia, Lituânia e até nas Ilhas Maurício. Fora isso vai rolar festa em Berlin e mais algumas cidades alemãs, além da África do Sul agora em março, seguido de Líbano e Turquia. E isso é tudo antes de Junho!