Muito além de Simpsons e Family Guy, as animações têm ganhado espaço na tv e em serviços streamings como a Netflix. Agora com um teor mais adulto, elas tratam de problemas filosóficos e são metáforas da sociedade contemporânea

Bojack Horseman

 

A primeira vista, Bojack Horseman, animação original Netflix, parece apenas uma sátira zoomórfica de Hollywood (ou pra quem já assiste a série HOLLYWOO) e seus costumes superficiais, mas a série aborda assuntos muito mais profundos. De problemas políticos e sociais, como feminismo, banalização das drogas, glamourização da violência, até problemas de saúde mental e filosofia.

 

 

Bojack é um ator em decadência que não emplacou mais nada depois da sua sitcom “Horseing Around” (uma sátira à 3 é demais) e vive a sombra da sua era de ouro. O cavalo é um personagem complexo, junto ao conceito niislista da série ele apresenta uma backstory conturbada, problemas familiares na infância que refletem na sua depressão e inconsequência na vida atual.

 

 

Não satisfeitos em te fazer questionar sua sanidade mental, através de personagens como Diane e Princess Carolyn, a série te faz questionar o conceito de fracasso pessoal e profissional e nem mesmo seu alívio comico Todd ( dublado por Aaron Paul na versão origial) escapa dos das relações complexas da história, sendo ele o primeiro personagem abertamente assexual da cultura pop.

Bojack Horseman é uma metáfora à sociedade moderna, onde todos tentam encontrar o seus em sociedade, mas acabam fracassando por conta dos conceitos “pré-fabricados”.

 

Big Mouth

Big Mouth é uma série original Netflix que vai te fazer voltar no tempo, provavelmente para uma das piores épocas da sua vida, a puberdade.

De um jeito criativo, divertido e sem censura a série conta a história de adolescentes passando por esse período tão conturbado e se redescobrindo. A puberdade é sabiamente personificada por monstros que escracham todas as mudanças físicas e psicológicas dessa época.

 

 

A série é estranhamente didática, lida com muito bom humor com as diversas sexualidades e aborda sem medo as questões de gênero.

Nick Kroll é o criador da série e também dubla diversos personagens, é possível ver a semelhança dessas personagens com ele, é um projeto bem pessoal, por isso parece tão natural.

 

Rick and Morty

 

Polêmicas à parte, Rick and Morty é uma das séries do momento e não é atoa que ganhou um fandom tão fiel e até chato às vezes.

O roteiro é com certeza o ponto mais forte da animação, as falas são gravadas primeiro e só depois é feita a animação, o que dá aos atores liberdade completa para a improvisação. Inclusive a primeira sequência do Piloto de Rick and Morty foi toda improvisada. Além do humor do humor nonsense, a narrativa não se importa muito com linearidade, ainda que conceitos reais da ciência sejam apresentados na série, o universo… quero dizer, os universos da série são surreais e visualmente marcantes.

 

 

Ainda que não tenha o peso de Bojack, o niilismo e questões existenciais são tratados na série de maneira mais discreta, ou talvez nem tão discreta assim, mas misturado com as situações absurdas em que as personagens se situam. A série toda, ainda que bem humorada, parece questionar o tamanho da existência humano diante de tantos universos.

 

 

Irmão do Jorel

Essa é uma animação Brasileira criada por Juliano Enrico, diferente das outras da lista, ela é bem mais leve e dá muito bem para uma criança assistir. Acontece que se você tiver mais de 15  anos é possível reparar em todo o subtexto que se encontra o irmão do Jorel, mas a gente já chega lá.

Vamos começar pelo Irmão do Jorel, todo mundo conhece o Jorel, um jovem popular, com lindos cabelos e uma risada irônica, mas é o irmão dele baixinho, desengonçado e sem nenhuma autoconfiança, que protagoniza a série.

O primeiro fator muito legal da série é a identificação, é um desenho de um brasileiro para brasileiros. Com direito até a participação da versão deles do “dollynho”. Sério, quem nunca conheceu uma Vovó Gigi que atire a primeira pedra.

Mas é a personagem que  mais se destaca é a Lara, a “namoradinha do Irmão do Jorel”, ela é o completo oposto do protagonista, uma garota independente que questiona todas as imposições de gênero propostas por aquela sociedade fictícia.

 

Se você já assistiu a série, deve ter notado que os policiais são palhaços, certo? Aliás, em um dos episódios fica clara a sátira com o alistamento nas forças armadas brasileiras com a “escola de palhaços profissionais”. Tudo é uma metáfora para a situação política brasileira, inclusive o pai do irmão do Jorel, conta da sua época em que fez uma peça de teatro contra a “Ditadura dos Palhaços”, paralelo óbvio com a ditadura militar.

 

 

E é assim, através desses detalhes que Irmão do Jorel, merece sua atenção.

 

Sua Animação preferida não entrou na lista??? Então diz ai pra gente qual é! Há sempre chances para novas listinhas :)