#TOP5 PORNOCHANCHADA

Um olhar sobre este período encantador e sedutor do cinema brasileiro, que entre a marginalidade e a arte se destacou nos anos 70!

Na era do Netflix com suas séries e filmes que vão da comédia, romance e terror, até as mais sensuais, hoje tem conteúdo de tudo pra todo mundo mesmo e isso fez com que a um bom tempo, nós já tenhamos deixado para trás a tradicional programação da TV aberta, que no Brasil fez parte da vida de todos nós inegavelmente e isso me remeteu a uma matéria que li a alguns dias mencionando a volta do Cine Privé, sessão que embalou as madrugadas de uma geração, e consagrou a emissora Band nas décadas de 1990, perdurando suas exibições até 2010. Clássicos como Emanuelle, povoaram o imaginário dos espectadores que com certeza colocavam TVs de tubo bem baixinhas para ver as cenas sensuais e o programa chegava a atingir até 8 pontos de audiência na Grande São Paulo e a liderança na madrugada de sábado para a Band.

E refletindo sobre essa coisa toda, comecei a pesquisar esta temática e indo mais afundo nos meus devaneios, cheguei em um ponto interessante: O brasileiro sempre curtiu essa sensualidade, temas polêmicos e toda arte transgressora, apesar do nosso típico conservadorismo social. Isto me fez recordar um dos períodos mais quentes e promissores do cinema nacional, a Pornochanchada! Mas para levar você até os cartazes de “Cangaceiras Eróticas”, por exemplo, precisamos entender melhor este cenário.

UMA BREVE VIAGEM NO TEMPO

Em seus mais de 120 anos de História, a produção cinematográfica brasileira teve momentos de grande repercussão internacional, e de crescimento do mercado interno! A primeira exibição de cinema no Brasil aconteceu em 8 de Julho de 1896, no Rio de Janeiro e naquela noite foram projetados oito filmetes de cerca de um minuto cada, com interrupções entre eles e retratando apenas cenas pitorescas do cotidiano de cidades da Europa. Só a elite carioca participou deste fato histórico para o Brasil, pois os ingressos não eram baratos. Os primeiros filmes brasileiros foram rodados entre 1897 e 1898. “Uma vista da baía da Guanabara" teria sido filmado pelo cinegrafista Affonso Segretto italiano em 19 de Junho de 1898, ao chegar da Europa a bordo do navio Brèsil , mas este filme se realmente existiu, nunca chegou a ser exibido. Ainda assim, desde os anos 1970, 19 de Junho é considerado o Dia do Cinema Brasileiro.

Com a Primeira Guerra Mundial, a produção europeia se enfraquece, os EUA passam a dominar o mercado mundial e isso afeta de maneira agressiva nosso cenário também e os filmes brasileiros passam a ter dificuldades de exibição, levando-nos uma queda de produção violenta.  Daí surgem as revistas especializadas em cinema, começam a difundir-se os mitos e estrelas de Hollywood e a partir dos anos 1930, diversos acordos comerciais estabelecem que os filmes norte-americanos passam a entrar no Brasil isentos de taxas alfandegárias. Em 1932 Getúlio Vargas cria a primeira lei de apoio ao cinema brasileiro, mas obrigando apenas a exibição de cine-jornais e no ano de 1934, não é produzido nenhum longa no país. Em uma tentativa de imitar Hollywood, começamos a produzir musicais românticos ou carnavalescos, e foi nesta fase que descobrimos Carmem Miranda, que logo foi levada aos EUA em meados de 1936 e nas terras do Tio Sam consolidou sua carreira.

A CHANCHADA DE OSCARITO

Nos anos 40, o calor do Rio de Janeiro fez nascer a  Atlântida Cinematográfica, sem grandes investimentos em infraestrutura mas com produção constante e até os anos 60 produziu comédias musicais de fácil comunicação com o público, tendo como tema principal o Carnaval, e nesta fase lançamos ícones como Oscarito, Grande Otelo,  Emilinha Borba e tantos outros.  Aos poucos, as histórias vão abandonando o Carnaval e explorando a comédia de costumes, a partir dos tipos folclóricos do Rio de Janeiro, como o bom malandro.

A BOCA DO LIXO VIRA ARTE

Em plena Ditadura Militar, ocorria algo transgressor bem no meio do centrão de São Paulo. No bairro da Luz havia uma ruazinha de apenas três quarteirões, batizada Triunfo e ela já era o caldeirão do cinema Paulista mas nos anos de chumbo que vieram após o golpe de 64, ali consolidou-se um  cenário de produção cinematográfica que veio em uma onda muito promissora se comparada aos outros momentos que vivemos no Brasil até então, salvo as chanchadas mesmo, nos anos 50.

 Os filmes bem polêmicos deste momento chegaram a participar com 30% dos ingressos vendidos no país, o que correspondia a algo em torno de 120 milhões de bilhetes e foram responsáveis por cerca de 2/3 dos títulos brasileiros produzidos em média anualmente na década de 1970.

De gosto duvidoso e com temática que bailava forte entre virgindade, adultério, homossexualidade e afins, sempre abordado de modo pouco cortês para a época, as Pornochanchadas eram muito mal vistas por todos os moralistas da sociedade e críticos da censura que estavam escandalizados, mas não era bem assim para aqueles que as assistiam nos cinemas e pagavam por isso! Este era um momento social em que clamávamos por liberdade, e uma confluência de fatores deram margem a este tipo de expressão cultural. Produto cultural tipicamente do Brasil, a Pornochanchada teve como característica essencial o desenvolvimento de roteiros que tinham ênfase em situações bem eróticas, uma certa malícia, piadas com o cotidiano e a prioridade na exibição anatômica feminina, uma fórmula mágica para o sucesso.

O gênero só teve seu declínio em meados dos anos 80 e sua decadência como gênero cinematográfico veio junto com a crise econômica que atingiu o Brasil naquele período, e afetou drasticamente na queda de público, fosse para o filme nacional ou o estrangeiro, nas salas de cinema do país.

O fim da Pornochanchada realmente se deu quando vieram para o Brasil as primeiras produções Hardcore que envolviam cenas de sexo explícito, e aí produtores nacionais renderam-se a competição gerada pelas produções internacionais e com isso iniciou-se o movimento da Indústria pornográfica brasileira, mas isso é um papo para um outro momento....

Aqui vai um #TOP5 para você pesquisar as melhores Pornochanchadas e ver que nosso jeitinho sensual vai muito além de Emanuelle meu amigo! Rs

1 – Cangaceiras Eróticas (1974)

Filhas de um cangaceiro morto pela polícia são escondidas num orfanato. Quando as duas viram adultas, partem para a vingança usando a melhor arma que conseguem: o sexo.

2 – Os Sete Gatinhos (1980)

Noronha é um servidor público casado com Gorda, uma mulher frustrada em suas expectativas de vida, e com quem tem três filhas. Quando uma delas é mandada de volta para casa depois de ter sido expulsa escola interna por matar uma gata e seus filhotes, diversos episódios passados vão ressurgir e conflituar a família.

3 – Rio Babilônia (1982)

Um jornalista é convidado a acompanhar um traficante internacional de ouro em sua estadia no Rio de Janeiro, e começa a investigar sua vida. Eles acabam passando por diversas situações na cidade, desde muitas festas até confrontos com a polícia.

4 – Bonitinha, mais ordinária (1981)

Edgar é um rapaz de Minas Gerais de origem bastante humilde, fato esse que o constrange. Procurado por Peixoto, genro do milionário Weneck, dono da firma onde trabalha, Edgar recebe a proposta de se casar com Maria Cecília, filha de Werneck, de 17 anos. Pelo dinheiro, Edgar aceita, mas tem dúvida por gostar de Ritinha, sua vizinha. Já com o casamento acertado, Edgar e Ritinha vão despedir-se num cemitério, onde ela conta o que faz para conseguir sustentar a mãe e as três irmãs.

5 – Convite ao Prazer 1980

Marcelo é um empresário milionário e casado, que dedica grande parte do seu tempo a fazer sexo com várias mulheres. Quando reencontra Luciano, um amigo dentista que não via há 4 anos e o convida a participar das incessantes sessões de sexo em um apartamento luxuoso, que mantêm exclusivamente para esta finalidade. Ao mesmo tempo os casamentos de ambos ficam cada dia numa situação mais crítica e Ana, esposa de Marcelo, sabe desta situação e a aceita, enquanto que Anita, a esposa de Luciano, não se conforma com tais acontecimentos.

DEDE

Escrito por:

Ana Medioli

Ela é bruxa, publicitária e sonha em ser mãe de família, mesmo tendo um monte de tatuagens pelo corpo, uma vida não tão regrada assim, e jura que segunda começa a dieta, sempre! Aos 27 anos já se mudou mais de 10 vezes em SP, se considera uma cigana na cidade grande e acredita de verdade que a arte vai salvar todos nós do fim do mundo.
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