Especial Madri: o lifehacking pela cidade que exala arte

Papo reto: Madri é uma coisa de louco. Não só pela arte urbana espalhada por todos os cantos da cidade, mas também porque a cidade em si é arte através de sua arquitetura imponente e variada. Sem contar a profusão de cervejas, vinhos, azeites, croquetas e sais de qualidade única – é muita coisa puramente sensorial.

Passar o fim do ano lá vale pelo motivo que já mencionamos na outra reportagem: um festival para agradar qualquer paladar underground.

Especial Madri: Techno de arena, uma experiência de puta madre

Mesmo com a desvalorização econômica do real em relação ao euro, dá para customizar a viagem, afinar o olhar e se surpreender com o que Madri tem para oferecer. O melhor de tudo? Muito do que a gente recomenda por aqui é de graça – ou a preços bem módicos.

Barcelona é maravilhosa, a gente sabe, mas vale a pena tirar uns dias para curtir Madri do jeito que ela merece. Com exclusividade e direto da Península Ibérica, o Freak Market vai provar essa boa onda para você.

Arte

É como exclamam os madrilhenhos: ¡buff! Isso porque estamos falando de uma das cidades mais artísticas do mundo, começando pela arquitetura. Do clássico ao contemporâneo, vale muito a pena mergulhar pela cidade e só prestar atenção nos prédios, nas ruas, na vibe toda.

Madri foi um dos primeiros locais da Europa a quebrar o paradigma da arquitetura linear. O lema era acabar com o ângulo certo para não morrer de tédio, segundo o idealizador do Puerta de Europa, o badalado arquiteto Philip Johnson. O resultado é essa maluquice da foto abaixo.

Puerta de Europa. Crédito: © Ljupco Smokovski | Dreamstime.com

Sempre vale aquela olhada para os prédios de design antigo, como catedrais e o barroco Palácio Real, além da Gran Vía, cujos edifícios têm forte inspiração nas linhas francesas, no neoclássico, no regionalismo do começo do século 20, no racionalismo, art deco… Impressionante demais para quem ama essa vertente da arte. A famosa Torre Carrión é um dos grandes exemplos de art deco por lá – se você curte os filmes de Pedro Almodóvar, já viu por meio deles (aliás, tem um roteiro de arquitetura madrilenha pelo cinema ótimo logo aqui).

Gran Vía tem arquitetura variada e sofisticada. Crédito: © Serban Enache | Dreamstime.com

A famosa Torre Carrión, ou o prédio do Schweppes. Crédito: © Juan Moyano | Dreamstime.com

Mas é andando pelas ruas que você descobre as preciosidades da arte urbana. A foto que abre esta reportagem, por exemplo, é do genial artista Jonipunto e fica localizada pelas imediações de Glorieta de las Pirámides.

A arte de Jonipunto é profundamente reflexiva: usa movimentos, sombras e partes da cidade. Segundo ele, “o significado mais importante de trabalhar nas ruas é a possibilidade de transformar o espaço, buscar a retroalimentação de obra e espaço para criar um novo significado”. As criações do artista têm uma perspectiva detalhista, feitas para observadores perspicazes, daqueles que prestam muito atenção ao que rola ao redor.

Obra de Jonipunto nas ruas de Madri. A foto que abre a reportagem também é de um trabalho do artista. Crédito de ambas: R2Hox (Creative Commons 4.0)

Mais uma do Jonipunto da série “Eclipses Urbanos”. A arte feita por ele é pura reflexão e interage com elementos da cidade. Crédito: jonipunto.com

Quem estiver em busca de orientação para apreciar os grafites e intervenções artísticas na cidade deve se guiar pelo excelente blog Arte en La Calle, editado pelo fotógrafo R2 Hox, com um panorama constante – e mutante – do que vem rolando não apenas em Madri, mas em várias cidades espanholas.

O tour Safaris Urbanos, organizado pelo Madrid Street Art Project, explora esse segmento e dá a letra sobre os artistas, obras e contexto das intervenções – pelo preço camarada de 5€ por pessoa.

Um dos milhares de registros do fotógrafo R2Hox, desta vez do artista Dingo. Crédito: R2Hox (Creative Commons 4.0)

E também rolam os museus: a capital ibérica abriga dois dos principais da Europa, o Reina Sofía e o Prado.

“Arlequim com o Violino”, obra do pintor espanhol Juan Gris exposta no Reina Sofía. Crédito: Divulgação

Enquanto o primeiro tem um acervo cubista, dadaísta, surrealista e contemporâneo de deixar qualquer um boquiaberto (e cansado, afinal são quatro andares gigantescos), o segundo tem o principal do  Renascimento espanhol e europeu.

São dois patrimônios distintos da história da arte que arrancam suspiros. “Guernica” pode até ser a obra mais ~clichê~ de Pablo Picasso, porém, é uma emoção forte vê-la ao vivo na imensidão que ocupa uma parede toda do salão no Reina Sofía.

O melhor de tudo é que ambos têm visitação gratuita: no Reina Sofía é às segundas, das 19h às 21h; no Prado são de segunda à sexta, entre 18h e 20h.

Comida e bons drinks

Famosos pelos viños, os espanhóis também apreciam uma boa cerveja gelada. A cada esquina é possível tomar, por uns 3€, uma caña de pura cevada, lúpulo e água (na boa, faz a diferença para brasileiros, já que a maior parte da cerveja é feita de milho por aqui). Os vinhos também são excelentes, infinitos e baratos – faça a festa e prove aqueles que nunca chegam deste lado do Ocidente. Vale aproveitar a comida de boteco de lá: croquetas de jamón, tapas, pinchos, azeitonas surrealistas… São sabores e texturas bem diferentes do que você encontra por aqui.

Você encontra tapas e pinchos por todos os lugares em Madri, é tipo comida de boteco. Crédito: Pixabay

Os espanhóis amam arroz, e não se pode deixar de ir comer a paella – a Arroceria St. James é uma das mais tradicionais de lá e traz uma carta de vinhos incrível. Você é mimado tanto que ganha entradas, digestivos, intermediários de cortesia e sai de lá rolando.

Se enjoar um pouco da comida espanhola vale colar em duas pizzarias da cidade. O Ôven Mozzarella Bar fica na Gran Vía, traz a iguaria em massas finas e crocantes assadas em forno à lenha. Não deixe de provar a cerveja assinada pelo lendário chef Ferran Adrià, que faz parte da carta.

Pizzas refinadas são a especialidade do Ôven Bar, que tem cerveja do chef Ferran Adrià na carta. Crédito: Divulgação

Outro lugar especial é o restaurante Trenque-Lauquen, um charmoso bistrô na Avenida Menéndez Pelayo, em frente ao parque Retiro. A massa caseira equilibrada com ingredientes sofisticados vem da receita argentina do dono. Se animar, peça um drink de gim, outra bebida muito consumida em Madri.

Agora, se a meta é apreciar uma comida típica da cidade, a taberna La Bola faz o cocido madrileño tradicional – uma espécie de feijoada, dada a mistura de ingredientes e sabores. Por ser um prato encorpado, é servido no inverno para pessoas com muita, muita fome. Uma delícia que não se encontra por aqui.

Passeios

O Parque Retiro é o “Ibirapuera” de Madri, imerso na sua tranquilidade gratuita no coração da cidade. Um momento para tirar onda com certeza é caminhar por lá, mandar um rolê de bike, patins ou skate, ou mesmo sentar na grama para namorar e tomar um vinho.

Outro passeio must-see – e ligeiramente excêntrico – é o Templo de Debod, santuário arquitetônico egípcio do século IV a.C. que foi transportado como um presente, pedra sobre pedra, até a Espanha.

Tem um templo egípcio no meio de Madri (!). Crédito: Pixabay

Sempre é da hora entrar no clima da cidade quando você viaja. Fazer passeios mais diferentes e inusitados é um mantra de todo o aventureiro que deseja conhecer uma cidade da melhor maneira possível. E, quando você vai a Madri, o alternativo, na real, vira… um espetáculo glamouroso de flamenco. Tudo bem se você nunca se imaginou numa situação dessas. Mas, afinal, como não respeitar essas pessoas que tiram música do sapato?

Próximo ao Parlamento, o melhor rolê para ver essa dança com certeza é o Café de Chinitas, um estabelecimento de 45 anos de pura história e decoração retrô. Arrisca ainda que você se sente na cadeira em que Lady Di se acomodou. Nada como apreciar um bom vinho, azeitonas, paella num clima exótico, musical e amistoso. Talvez não exista definição melhor para o que é felicidade – ainda que seja só por um momento.

Capa do vídeo

Escrito por:

Marina Lang

Marina Lang é jornalista de formação e mestre em Humanidades pela FFLCH-USP. Já trabalhou como editora-chefe, editora-assistente, escritora, repórter e afins para a Folha de S.Paulo, Gizmodo, Editora Trip, DJ Mag, Rádio 91 Rock, Gazeta do Povo, Apple, Sony Mobile, Lenovo e alguns outros por aí. Foi diretora de Redação do Freak Market. Curte a vida adoidado com alguns seriados, filmes maneiros, muita música, alguns rolês e uma tonelada de livros.
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