Teatro sem plateia? – Como o LARP vai fazer você entrar de cabeça em uma história e viver ela de verdade!

Esta não tão nova dinâmica que transita entre o jogo e o teatro, coloca as pessoas em uma imersão profunda em narrativas fantásticas e dois caras abriram em SP um lugar exclusivo para viverem essa aventura com todos que desejam explorar estes sonhos malucos em conjunto!

O teatro é uma manifestação artística que faz parte da história da humanidade. Esta arte surgiu em meados do século VI A.C, na Grécia, como resultado das festas que eram realizadas em homenagem ao Deus Dionísio, Deus do vinho e da fertilidade. Como era uma manifestação ligada a rituais religiosos, era de fato uma manifestação sagrada e todas as pessoas eram bem-vindas para assistir as cenas de tragédia, comédias e sátiras gregas, a fim de experienciar “o Divino na Terra”.

Agora como seria um teatro sem plateia? Essa ideia é um pouco exótica visto que é um conceito de arte para ser vista, mas vamos falar de teatro imersivo, que foi feito para ser vivido, de maneira intensa e muito verdadeira, onde você não apenas interpreta e sim vivência de fato toda aquela narrativa, e quem me explicou todo esse rolê foi Luiz Leonardo, formado em Economia e Matemática Estatística que atuou na área financeira por muitos anos, e seu melhor amigo e sócio, Logan, que é formado em Audio Visual e trabalha a 8 anos com roteiros de cinema.

Ambos com suas experiências com RPG, cinema, literatura criaram um conceito único de espaço para materializar o LARP e trazer uma ótica transformadora para este jogo.

UM MUNDO PARALELO

O LARP um mergulho no lúdico!
Nessa equação o jogador é um elemento fundamental, pois a personalidade de cada um trará um elemento único fazendo de cada larp uma experiência em igual, em que existe a possibilidade de criação e desenvolvimento pessoais que vão muito além do roteiro que é criado inicialmente pelos organizadores da dinâmica.

Eu penso que é minha história! Desde uma narrativa de terror no espaço até um jogo político no Japão feudal, está acontecendo de verdade ali... A partir dessa premissa tentamos desenhar personagens e mecânicas que comuniquem os sentimentos que queremos passar no momento vivido.


Leonardo conta sobre o que sente quando o LARP começa.

A PELE EM QUE HABITO

Segundo Leo, as mecânicas de jogo dizem mais a respeito das sensações que querem contar e agregar objetos, cenários e vestimenta ajudam a compor o ambiente, juntamente com a construção de cada personagem que está nascendo e se desenvolvendo com o evoluir da narrativa que todos estão vivendo em conjunto.

Por exemplo, se colocarem armas no jogo, isso significa que em algum momento elas serão usadas, o que dá todo sentido  e sensações se os organizadores querem trazer ação e combates para a história, e trazer esta atmosfera bélica em um jogo de guerra dará um tom de estratégia e política para a experiência, fazendo todo mundo entrar nesta sintonia.

Leo juntamente com Logan geralmente pensam em dupla as dinâmicas primeiro e constroem os personagens a partir disso.

Eles contam que buscam não limitar a história com muitos detalhes, porque o grande lance é o próprio jogador poder preencher as lacunas necessárias para conceder mais dinamismo ao jogo e exercer sua própria criatividade dentro da experiência que é jogar LARP.

Eles pincelam características, objetivos e contexto, mas cabe a cada um ali dar de fato vida e calor a cada personagem vivido, e como não há um roteiro, as histórias vão para os lugares mais inusitados possíveis, pois é impossível um final se repetir!

"Quem é ele?

O que ele fez para chegar até aqui?

O que o motiva?”

É preciso pensar no personagem e na sua história como um todo e fazer cada um responder essas perguntas antes de a dinâmica se iniciar é muito importante para que cada jogador consiga buscar tais objetivos durante o evento e isso leve-o a imergir no personagem.

MIL VIDAS EM UMA SÓ

Leo contou que joga RPG desde sempre e produziu seu primeiro LARP a 21 anos já e diz que se apaixonou por este tipo de jogo pelo potencial criativo de criar histórias, personagens e cenários.

 Além de trazer uma imersão transformadora, olhar sob os olhos dos personagens, o LARP permite que os jogadores vivam múltiplas vidas e isso segundo ele auxilia até mesmo à auto analise dos próprios comportamentos.

Existe também o fator escapista, de sentir fúria, medo , amores e dores, sem que isso faça realmente parte de nossas vidas né? Esse é o prazer da interpretação, da oportunidade de habitar mundos narrativos, assombrosos, diferentes e, é claro, desafiadores!

O LARP traz justamente esta proposta que viver de fato uma outra vida, por horas, com outras pessoas que estão em um mesmo mergulho profundo de pensamentos e sentimentos coletivos e individuais, todos unidos em um mesmo objetivo, vencer este jogo que não tem regras.

Quando nos permitimos fingir ser outra pessoa experimentamos a vida de novas formas, dentro do jogo temos sensações e comportamentos que não costumamos ter no dia a dia, criamos amizades ou rivalidades e experimentamos novas conexões, explica Leo. Velhos amigos e familiares tornam-se inimigos mortais, desconhecidos tornam-se familiares queridos e pessoas por quem temos sentimentos únicos. Por fim tudo isso acaba se conectando em um roteiro que ninguém escreveu. Todos escreveram juntos e é ai que mora a magia do LARP!

É diferente de assistir a uma peça de teatro, em que você é empático ao que está ocorrendo no palco. No LARP você está lá, realmente sentindo, vivenciando e criando as situações até que tudo culmine num fim imprevisto. É incrível, eu garanto!

Conta Logan, entusiasmado dizendo o quão intenso é o jogo.

LARP TUPINIQUIM

Historicamente o LARP era visto como uma espécie de jogo , no entanto, nos últimos anos essa dinâmica começou a se tornar cada vez mais popular entre artistas interessados na capacidade de criar histórias e começaram a usá-lo como nova forma de mídia.
 
Na visão de Leo, o cenário europeu talvez seja mais liberto no que tange a diferentes experiências e propostas, desde pequenos "LARPS de câmara" para 3 ou 4 pessoas, até eventos com centenas de jogadores em castelos históricos.

No entanto existe uma constante na Europa onde os LARPS tendem a  focar mais  imersão e no drama. Já nos Estados Unidos as raízes do RPG de mesa trazem uma dinâmica de jogo competitiva, com ganhadores e perdedores, ainda bem forte, mas ainda assim existe um público muito grande, o que permite diversos LARPS diferentes.

No Brasil temos um cenário de LARP que se popularizou principalmente nos anos 90, com histórias de vampiro e cenários de terror trazidos diretamente dos RPGs. Hoje em dia a Nexus tenta revisitar esses temas trazendo abordagens mais modernas, inspiradas nos LAPRS Europeus.

Queremos tirar país do título de amador na cena. O Intuito é levar o LARP ao próximo nível, tanto em termos de qualidade e infra estrutura, quanto na linguagem dos jogos e na experiência dos jogadores.

Diz Leo sobre os objetivos com a criação da Nexus em São Paulo.

Em uma paisagem meio Cyber Punk, com a estação de metrô Vila prudente bem em frente, a Nexus vai criando raízes mais profundas na cidade e pintando com cores inusitadas histórias surpreendentes! Eles estão promovendo um novo jogo, ambientado no cenário de Vampiro, a idade das trevas. "Via Crucis" é o primeiro capítulo de um total de 5 LARPS da saga: "Crônica das Eras". Inspirado em LARPS como "Convention of Thorns" e outros jogos europeus, a Nexus pretende trazer uma experiência diferente para o live action de vampiro no Brasil.

Para você entrar na vibe e entender melhor como funciona a dinâmica do LARP, veja a galeria de fotos que montamos com os últimos eventos promovidos pela Nexus!

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Escrito por:

Ana Medioli

Ela é bruxa, publicitária e sonha em ser mãe de família, mesmo tendo um monte de tatuagens pelo corpo, uma vida não tão regrada assim, e jura que segunda começa a dieta, sempre! Aos 27 anos já se mudou mais de 10 vezes em SP, se considera uma cigana na cidade grande e acredita de verdade que a arte vai salvar todos nós do fim do mundo.
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