“Vai ter bicha no rap sim!”

“A união de nossos trabalhos aconteceu de forma muito natural, e, de certa forma, de uma necessidade coletiva”, comenta Guigo. “Todos nós, apesar de termos nossos trabalhos, percebemos que era uma luta diária e bastante árdua (abordar o tema em suas músicas)!” 

Uma luta que, segundo faz questão de deixar claro Apuke, rola devido exclusivamente à preconceito. “Não temos falta de quem nos represente, e sim falta de espaço para que estes mostrem seu trabalho”, explica, sem deixar de ser profético.”Essa oportunidade de ser o primeiro grupo de rap da América latina em evidência será usada para abrir portas e quebrar essa barreira social que é camuflada de várias formas por pessoas dentro da cena, mas não passa de preconceito e machismo”.

Se não incomoda, não é RAP

Quando montaram a banda, a expectativa do grupo era ser massacrado por pelo menos metade da opinião pública, que iriam criticá-los e odiá-los pelo simples fato de serem gays e negros ocupando um canal e cenário predominantemente hétero, enquanto a outra metade receberia muito bem por se sentir representada. Na prática, porém, a resposta parece ser mais positiva até agora.

“Desde quando lançamos, somos surpreendidos diariamente. Com menos de uma mês, batemos 1º lugar do top 50 musicas virais do Spotify, ficando 4 dias consecutivos em primeiro e os demais 10 dias no top 10, sem contar as dezenas de reacts no YouTube, os seguidores, as mensagens e homenagens diárias. Até tatuagem com a escrita "Quebrada Queer" já fizeram”, comemora Tchelo, que se sentiu especialmente animado com a receptividade de algumas pessoas conhecidas como Pablo Vitar, Ludmilla e Glória Groove. “Sem contar que fomos convidados para conhecer o Criolo e, detalhe: o próprio nos convidou e recebeu com muito carinho”. 

Segundo dados da própria banda, em pouco tempo após o lançamento, o Quebrada Queer bateu mais 1 milhão de views em duas diferentes páginas no Facebook. No YouTube, foram mais de 700 mil views, causando diferentes discussões em todo o país. “Pra gente tudo isso é surreal, mas extremamente importante. Acreditamos que abrimos portas para outros artistas, outras vozes queer, encorajando-as para ocuparem espaços e mostrarem suas artes, batendo de frente com o preconceito”, comenta Tchelo.

Quem é quem no Quebrada Queer

“Nós temos muitas diferenças mas no final isso acaba somando muito nos trabalhos”, comentou Harlley, que ficou com a tarefa ingrata de apontar as características de todos dentro do time. “Cada um tem um ritmo: Guigo e Tchelo são os mais agitados. Estão agindo em tempo integral, se dão muito bem em todos os assuntos que o grupo discute e estão sempre animando as pessoas á sua volta, tanto no trabalho quanto no pessoal. Apuke é maravilhosa e faz tudo que pode pelo bem estar do grupo, desde produções e a discotecagem afinada nos shows, até ceder a casa para os meninos dormirem quando não conseguem voltar para casa. Murillo é o mais tímido do coletivo, porém sempre atencioso com as pessoas que mandam mensagens carinhosas. Harlley é mais ligado na parte musical e sempre opina em mudanças quando acha que algo pode ficar melhor. As vezes faz o conselheiro quando acha que pode ajudar. Lucas é muito comunicativo e ama fazer diálogos e pontes.Está sempre oferecendo ajuda em algo. 

O single do Quebrada Queer ainda “não foi nada”

Quando fala sobre o futuro, Guigo não mede esforços para comemorar o primeiro passo dado, mas deixar claro que muito ainda está por vir. “O Quebrada Queer tem muito a apresentar e faremos isso cada vez melhor. As pessoas que nos apoiaram até aqui merecem isso. E por agora esse é nosso plano, fazer o melhor, entregar o melhor, e falar verdades. Talvez as pessoas não estejam prontas pra ouvir, mas sabemos que ela precisa ser dita e diremos!”, finaliza.

Escrito por:

Rubens Nogueira

Jornalista por profissão e músico por teimosia, ama tudo quanto é tipo de arte e se amarra em produção de conteúdo de diversos tipos, tamanhos, formatos e canais. Não consegue viver sem jogar futebol e tocar violão de vez em quando.
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